Temer leva a primeira pauta-bomba

"O governo pode explicar a derrota como quiser mas a verdade é que a maioria governista, depois de aprovar a PEC 55, avisou que não vai se imolar junto à população obedecendo ao Planalto e à equipe econômica", escreve a colunista Tereza Cruvinel, sobre a aprovação, pela Câmara, da renegociação da dívida dos estados, sem a contrapartida defendida por Michel Temer; "Então, estamos assim. Temer não pacificou o país, não reanimou a economia, é citado em delações da Lava Jato e corre o risco de ser afastado pelo TSE. Mas tinha uma 'super base' parlamentar que sempre mencionava nos discursos como seu trunfo, estaca de sustentação da pinguela. Agora se viu que não é bem assim. E pior ficará depois da refrega pela presidência da Câmara, em fevereiro"

"O governo pode explicar a derrota como quiser mas a verdade é que a maioria governista, depois de aprovar a PEC 55, avisou que não vai se imolar junto à população obedecendo ao Planalto e à equipe econômica", escreve a colunista Tereza Cruvinel, sobre a aprovação, pela Câmara, da renegociação da dívida dos estados, sem a contrapartida defendida por Michel Temer; "Então, estamos assim. Temer não pacificou o país, não reanimou a economia, é citado em delações da Lava Jato e corre o risco de ser afastado pelo TSE. Mas tinha uma 'super base' parlamentar que sempre mencionava nos discursos como seu trunfo, estaca de sustentação da pinguela. Agora se viu que não é bem assim. E pior ficará depois da refrega pela presidência da Câmara, em fevereiro"
"O governo pode explicar a derrota como quiser mas a verdade é que a maioria governista, depois de aprovar a PEC 55, avisou que não vai se imolar junto à população obedecendo ao Planalto e à equipe econômica", escreve a colunista Tereza Cruvinel, sobre a aprovação, pela Câmara, da renegociação da dívida dos estados, sem a contrapartida defendida por Michel Temer; "Então, estamos assim. Temer não pacificou o país, não reanimou a economia, é citado em delações da Lava Jato e corre o risco de ser afastado pelo TSE. Mas tinha uma 'super base' parlamentar que sempre mencionava nos discursos como seu trunfo, estaca de sustentação da pinguela. Agora se viu que não é bem assim. E pior ficará depois da refrega pela presidência da Câmara, em fevereiro" (Foto: Tereza Cruvinel)


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        O maior trunfo de Michel Temer, a maioria parlamentar que deu o golpe e prometeu apoio firme ao ajuste fiscal, acaba de presenteá-lo com uma pauta-bomba  aos olhos do mercado: a renegociação das dívidas dos estados sem as exigidas contrapartidas,  nela incluída uma moratória de três anos para Rio, Minas e Rio Grande do Sul, que enfrentam calamidade financeira. O “exame com lupa” do ministro Meirelles nada mudará no projeto, que também não poderá ser corrigido por vetos.  Bolsa e câmbio devem reagir.

        O governo pode explicar a derrota como quiser mas a verdade é que a maioria governista, depois de aprovar a PEC 55, avisou que não vai se imolar junto à população obedecendo ao Planalto e à equipe econômica. Foi uma prévia do que pode acontecer com a reforma previdenciária,  cujos efeitos batem na veia de todos e é de fácil compreensão.

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        Quando aceitaram, há algumas semanas, as imposições da União para obter o refinanciamento, escrevi aqui que os governadores estavam vendendo por muito pouco a autonomia dos entes federados. Entre as “contrapartidas” estava a proibição de novos cargos e de concessão de  reajustes para o  funcionalismo, com aumentos da cobrança de contribuição previdenciária. E havia ainda a previsão de privatização de ativos estaduais que foram dados em garantias à União.  Depois recuaram mas não conseguiram impedir o Senado, que teoricamente representa a federação, de aprovar estas medidas que ferem a autonomia dos governos subnacionais. A Câmara ontem as derrubou. “Achar que no dia 20 de dezembro vamos votar aumento de contribuição previdenciária e congelamento de salários, é achar que esta Câmara não respeita a sociedade brasileira”, disse Rodrigo Maia, presidente da Câmara. Em outras palavras, há limites para a imposição de sacrifícios e para a  impopularidade.

        O PT teve um papel no resultado final, suspendendo a obstrução apenas quando foi retirada a cláusula das privatizações,  mas foi a base que derrotou Temer. A retirada de outras contrapartidas já fora retirada do projeto do Senado por exigência dos líderes aliados.

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        Então, estamos assim. Temer não pacificou o país, não reanimou a economia, é citado em delações da Lava Jato e corre o risco de ser afastado pelo TSE. Mas tinha uma “super base” parlamentar que sempre mencionava nos discursos como seu trunfo, estaca de sustentação da pinguela. Agora se viu que não é bem assim. E pior ficará depois da refrega pela presidência da Câmara, em fevereiro.

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