Temer é crise humanitária
incrível, espantosamente diferente porque na maior crise econômica da história brasileira, com um governo despótico, corrupto e ilegítimo a nos "governar" e, ainda assim... Somos o mesmo e maldito país do samba, do carnaval e do futebol. Por que essa gente não se revolta?
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E já correm sete trágicos e intermináveis meses com Temer e seu bando. Nesse período pioramos em todos os setores; mais que isso, o cenário construído é espantosamente decadente e atinge frontalmente todos os segmentos produtivos do país de modo a sacrificar abertamente o trabalho e simultaneamente, promover desavergonhada e pornograficamente a especulação por meio de rentismo miúdo e de rédea solta.
As fundações da economia para uma concertação econômica sincrônica e progressiva não só foram retiradas do cenário como também, e estejam seguros disso, somos uma grande e desajeitada "orquestra sem maestro".
Temer privilegia como nunca, a mais criminosa cleptocracia do planeta e que por essas bandas se apresenta sorrateira e espertamente por meio de bancos, corretoras, financeiras, grandes fundos, empresas de seguros e resseguros e agiotagens equivalentes e que como lhe são próprias, não agregam uma moeda de cego ao caldo da economia real.
A tese abertamente suicida dos economistas do triunvirato do entreguismo nacional, o torvelinho PMDB/PSDB/DEM é absurda porque pretendem colher aonde jamais plantaram ou seja, esperam abundância e prosperidade onde plantam e regam miséria, retração e exclusão.
Pioramos em todos os indicadores econômicos; quatorze estados da federação já estão documentalmente falidos o que inclui unidades de importância central para a economia nacional como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
O Ministério da Fazenda, sob a batuta do pantagruelesco Meirelles nada diz a respeito; nada propõe para o saneamento das contas públicas, nada apresenta sobre a reativação econômica ou para o mais que urgente resgate dos serviços públicos e, como se bem sabe, integralmente colapsados. A verdade verdadeira é que categorias como "gente", "povo", "público", "crianças", "assalariados", dentre outras, não existem para essa casta e que finge produzir governo. Não é só trágico; é desalentador e desalmado.
Temer não é governo; é crise humanitária e como toda crise humanitária os vitimados estão sujeitos a toda sorte de sinistro. Não há mal que nos poupe! E a maldade como metástase descontrolada toma conta do nosso cotidiano de modo a convertê-lo em espécie de composto químico lançado no fundo de algum tubo de ensaio onde ao manipulador compete testá-lo, submetê-lo a provas e novas propriedades.
Em nome da pátria? Valha-me Deus! Como algo tão bizarro pode anunciar redenção e fortuna? Tenho o estranho e patológico hábito de recordar do parto primeiro desta trágico-farsa; lamentavelmente, me recordo do gozo catártico da "direitona" apetecido entre urros, grunhidos e gritas bestiais na ocasião do impedimento de Dilma Roussef na câmara dos deputados.
Reconheçamos, mesmo que em foro íntimo e pessoal: Aquilo poderia nos brindar com algum futuro de mais liberdade, democracia e justiça social? Bem ao contrário, o que se viu depois de processado o criminal rito do impeachment foi uma monta repressiva não vista nos altos anos do chumbo verde-oliva brasileiro.
Não houve capital brasileira que não teve na intensificação da coerção policial sua medida e desmedida; não houve uma universidade brasileira, pública ou privada, e que não fora devassada pela arapongagem de Temer. Dessa saga, produziu-se, via ABIN, o maior banco de dados da história do Brasil, com níveis e indicadores de periculosidade política, a envolver líderes sociais, populares e intelectuais. Evidentemente para mais repressão!
Não é exagero! As imagens estão aí, fluindo plenas em cachoeiras e cascatas e mostrando o "novo normal" trazido pelo PMDB de Temer. Somos um estado de exceção e como tal, integralmente policial. Mas esta é apenas uma face dessa tragédia anunciada.
O país se fragmenta e atordoados não permanecemos atentos; digerimos a gosma televisiva cotidiana como se ruminantes fossemos; lambemos os beiços com o caos nacional pelas narrativas constrangidas e abestalhadas da TV Globo ou pelos signos ligeiros e panorâmicos das redes sociais.
E o mais fantástico de tudo e, de fato, é fantástico: A crise nos é contada como se fora a crise de um país distante, de uma província alheia, como um algo que ocorre em longínquo país imaginário e sem qualquer relação com a patuleia brasileira. É incrível, espantosamente diferente porque na maior crise econômica da história brasileira, com um governo despótico, corrupto e ilegítimo a nos "governar" e, ainda assim... Somos o mesmo e maldito país do samba, do carnaval e do futebol. Por que essa gente não se revolta?
A crise sistêmica, crise de um tempo ou info-tempo, joga por terra noções clássicas de organizações espaço-territoriais, de hierarquias, prioridades ou ordenamentos. Não há mais país, estado, cidade, bairro ou vila. Tanto faz e tanto fez porque o "eu" existe e isso já basta!
A nova colonização, com ares de modernidade é exatamente isso; o que se mostra é o advento pleno e integral do indivíduo como o centro da vida social e política e; daí e, portanto, em claro detrimento do mundo social e coletivo e, consequentemente, se afirma a necessidade imperiosa de romper e subsumir com disciplinamentos necessários e indispensáveis; com prioridades essenciais onde reformas e transformações estruturais para o país como a agrária, urbana, fiscal ou tributária sequer entram na pauta da legislação.
É preciso trazer à baila termos-chave e históricos para entendermos e sairmos dessa encalacrada épica. É que uma palavra nunca é só uma palavra; traz em seu conteúdo um mundo, histórias, pessoas e possibilidades. Socialismo é destas boas e instigantes palavras e que devemos, sem tergiversar, trazer para as novas culturas anti-capitalistas e que estão sendo suavemente construídas em meio aos escombros da tragédia brasileira.
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