Temer abafa escândalo do ministro que antecipou fase da Lava Jato e pediu pra ser tietado

O fato é que o episódio bizarro, inaceitável, colocou o ministro da justiça na vitrine. Daqui pra frente será um olho no peixe e outro no gato. Será ainda mais difícil a Temer abafar, além das vaias, a desconfiança com as investigações da Lava Jato após sua posse, pela seletividade e pelos abusos

Brasília- O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes e o presidente interino Michel Temer participam da posse do novo defensor da Defensoria Pública da União, Carlos Eduardo Barbosa Paz (Valter Campanato/Agência Brasil)
Brasília- O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes e o presidente interino Michel Temer participam da posse do novo defensor da Defensoria Pública da União, Carlos Eduardo Barbosa Paz (Valter Campanato/Agência Brasil) (Foto: Luciana Oliveira)


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“Quando cês virem essa semana, vão lembrar de mim”, disse o ministro da Justiça, com uma estrondosa e sequencial gargalhada a um grupo de militantes do PSDB e do MBL. O vídeo em que Alexandre de Moraes ‘passa a fita’ sobre a próxima fase da Operação Lava Jato e pede aos fãs que se lembrem dele, não foi o suficiente para que Michel Temer o exonerasse.

O fato de ter sido gravado num ato de campanha do candidato tucano Duarte Nogueira em Ribeirão Preto (SP), cidade de Antônio Palocci, o investigado a quem ele alega ter previsto a prisão por mera coincidência, também não significou bulhufas.

Até um cego pode sentir pela entonação da voz que o comportamento do ministro com os militantes partidários foi obsceno pra quem tem responsabilidade institucional. Foi de uma imoralidade sem precedentes o riso frouxo, o tapinha no peito de um desconhecido e sobretudo, a inequívoca vaidade ao pedir que fosse lembrado quando ocorresse a próxima prisão.

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Temer resolveu abafar o caso, uma estratégia que tem se tornado recorrente no governo que em quatro meses já encarou vários escândalos e baixas. Quem tem miolos sadios não engoliu a demissão do advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, que antes de sair disparou: “O governo quer abafar a Lava Jato”. Pra inibir a repercussão na imprensa Temer nomeou uma mulher ao cargo, pelo que tanto foi cobrado.

De novo minimiza um episódio que coloca em cheque a credibilidade da operação Lava Jato.

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Segundo a Secretaria de Imprensa do Planalto, Michel Temer, deu por encerrada a polêmica após uma conversa por telefone com o ministro da Justiça.

Ele sim, a oposição não.

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Moraes se tornou alvo de representação de convocação na Câmara, no Senado e de investigação na Procuradoria Geral da República e na Comissão de Ética da Presidência da República.

A oposição denuncia que houve “violação de sigilo funcional” das investigações e que Moraes deve ser exonerado do cargo.

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O fato é que o episódio bizarro, inaceitável, colocou o ministro da justiça na vitrine. Daqui pra frente será um olho no peixe e outro no gato.

Será ainda mais difícil a Temer abafar, além das vaias, a desconfiança com as investigações da Lava Jato após sua posse, pela seletividade e pelos abusos.

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