Tarcísio de Freitas: um inimigo verdadeiro

"Tarcísio é um farsante, ultra neoliberal, disposto a dilapidar o pouco que resta de estado de bem-estar de São Paulo", escreve Carlos D'Incao

(Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)


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Todos aqueles que são do setor progressista sabem o que representa a candidatura do bolsonarista Tarcísio de Freitas para o Governo do Estado de São Paulo: trata-se de um farsante, ultra neoliberal, disposto a dilapidar o pouco que resta de estado de bem-estar de São Paulo e fulminar com tudo o que é público de modo a não sobrar nada no ar, na água e na terra desse Estado que não seja privatizado.

Entretanto, esse não será o Tarcísio que se apresentará diante do processo eleitoral. Por mais que seja um fascista, um ultra conservador e adepto do golpismo, ele está extremamente bem preparado para passar uma visão de um candidato empreendedor e que gerará grande desenvolvimento para o Estado de São Paulo. Rapidamente já obteve um bom conhecimento do Estado, sabe que a eleição será decidida no interior, que adora um tom ponderado, mas conservador - do tipo que o PSDB apresentou nas últimas décadas.

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Trata-se de um inimigo inteligente e com pensamento rápido. O anti-petismo dele é apresentado em tom de bom-senso e sem o extremismo de seu criador do Planalto Central. Sua candidatura começará forte pelo apoio de Bolsonaro, mas em seguida poderá ele ser o espaço do anti-petismo que abrirá votos e espaço para Bolsonaro em todo o Estado, realizando um avanço do mesmo e colocando ambas as candidaturas (de Haddad e de Lula) a perigo, voltando o PT aos velhos 25 - 27% dos votos, o que levaria ambos ao segundo turno.

 

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Bolsonaro acertou em apoiá-lo e resta à esquerda os meios e estratégias para desarmá-lo, desmascará-lo e, por fim, derotá-lo. Vejamos.

A prioridade número zero do PT é se voltar para o interior profundo do Estado de São Paulo, seu eterno calcanhar de Aquiles. É essa a terra a ser conquistada. Caso o PT anule Tarcísio nessa área, ele vence a eleição. A retórica reside em desqualificá-lo como paulista, mostrá-lo como um estranho em nossa terra, um miliciano mentiroso que promete o impossível e que trará a miséria e a violência para o interior, além de continuar o descalabro do governo federal. A pergunta obrigatória que deve ser feita é: “O que Bolsonaro fez para o seu município?” O que leva à conclusão que Tarcísio é a COVID 22 que Bolsonaro quer criar para o povo do interior.

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Haddad tem que aprender a forçar o “r” e mostrar que é um paulista “da canja”, que compreende o interior, que toma café nos botecos e que vai trazer emprego de verdade e projetos comuns com os prefeitos de todas as cidades, das menores às maiores. Deve apresentar planos de revisão dos pedágios, de refinanciamento das dívidas dos municípios e apresentar um plano robusto para a questão do saneamento básico, da falta de água, da reestruturação do sistema de saúde e da educação pública estadual.     

A capital, o ABC e o litoral são rotas terminais de Tarcísio. Ele sabe que nessas regiões ele tem natural dificuldade de penetração. Devemos acabar com ele no ninho de seu avanço: o interior paulista. Caso Haddad faça um bom trabalho teremos um efeito reverso: ele abrirá o caminho para Lula vencer no 1º turno ao conquistar o interior paulista. 

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Lembremos: Lula e Bolsonaro são pontos de partida em São Paulo. Eles não são capazes de abrir mais margens para seus candidatos no Estado. Sempre foi assim. Haddad abrirá caminho para Lula e se falhar, Tarcísio abrirá o caminho para Bolsonaro. Não estamos em Pernambuco e nem em Santa Catarina onde os eleitores acompanham os votos de seus candidatos a presidente. 

Haddad tem que se preparar. Caso o PT se isole nas grandes cidades e no litoral, não conseguirá sair da margem dos 40%. O avanço nas pesquisas por parte de Tarcísio seria um desastre que abalaria esse percentual e, por isso, o ataque de Tarcísio virá do interior para as regiões  metropolitanas. 

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É possível vencer essa eleição, mas Haddad terá que por os pés no barro e muitas vezes caminhar mais como Alckmin do que como Lula. Uma vitória de Haddad seria o derradeiro massacre ao fascismo bolsonarista. Sua derrota poderá representar o que Bolsonaro mais quer hoje: um segundo turno para poder virar as eleições. O que não é impossível.

P.S. Tarcísio é antipático e ruim de palanque, mas poderá aprender rápido a ser a solução do “bom-senso” em um Estado onde carisma nunca foi o ponto fundamental para a vitória dos governadores. Porém, o povo do interior gosta de “causos” e de pessoa que “é gente” e isso Haddad pode entregar nas guerras de rua dessa eleição.

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