Selfie com assassinos e porrada nos reitores
Se reitores, professores e ex-Presidentes são tratados como bandidos, mesmo sem provas ou condenação, baseando-se, muitas vezes em questões políticas, os assassinos e traficantes costumam ter um tratamento diferenciado. O assassino Marcinho 157, responsável por dezenas de mortes na favela da Rocinha, foi solicitado por policiais para aparecer em selfies, sorridente e com semblante tranquilo. Acho que o espetáculo nesse caso é exibir o troféu
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O justiçamento é um mal que foi se apropriando da justiça até a aniquilar e a substituir completamente no sistema jurídico brasileiro. Entre outras ações persecutórias, as conduções coercitivas injustificadas se tornaram espetáculos públicos recorrentes e um notório instrumento de vingança, em verdadeiros tribunais de exceção. Nessa semana, pudemos notar duas notícias antagônicas sobre o tratamento deferido a determinadas “autoridades” no país sem justiça: enquanto a UFMG foi invadida pela Polícia Federal, por homens mascarados e truculentos, agentes da polícia do Rio de Janeiro tiravam selfies com o assassino mais procurado do país. Apesar do tratamento diferenciado, tivemos um ponto em comum: o espetáculo.
O caso da UFMG já seria um absurdo, mesmo se não considerarmos o histórico recente em Universidades, que é no mínimo assustador. A “Operação Equilibrista”, que investiga desvios no projeto da construção do Memorial de Anistia Política do Brasil, cumpriu 8 mandatos de condução coercitiva na Universidade mineira na última quarta-feira. Importante destacar que nenhum dos investigados (entre eles o reitor da UFMG) se negou a prestar os depoimentos de forma espontânea, o que já não justificaria a ação espetaculosa do juízo que emitiu os mandatos e da própria polícia. Os ex-Reitores da instituição emitiram nota alegando que a motivação da operação foi política e a condução das ações, abusiva.
Situação similar aconteceu com o ex-Reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, que após uma condução coercitiva foi preso, algemado nas mãos e pés, revistado nu e colocado em uma cela por dois dias. A Operação foi um espetáculo: para prender o homem de 59 anos, que não possuía qualquer antecedente criminal, foram mobilizados 115 policiais. Hoje se sabe que o inquérito foi aberto por um sabido desafeto de Cancellier e que os números divulgados na imprensa eram completamente equivocados. Cancellier se suicidou após esse processo por não aguentar a humilhação.
Condução coercitiva como vingança, espetáculo e justiçamento não era novidade, mesmo antes desse trágico acontecimento. Quem não se lembra da condução de Lula (que não havia se negado a colaborar), transmitido ao vivo pela Rede Globo e ordenado por um juiz que é sabidamente desafeto do líder petista? A exceção virou regra por aqui.
Mas se reitores, professores e ex-Presidentes são tratados como bandidos, mesmo sem provas ou condenação, baseado, muitas vezes em questões políticas, os assassinos e traficantes costumam ter um tratamento diferenciado. O assassino Marcinho 157, responsável por dezenas de mortes na favela da Rocinha, foi solicitado por policiais para aparecer em selfies, sorridente e com semblante tranquilo. Acho que o espetáculo nesse caso é exibir o troféu. Nem cabe mais reiterar a impunidade consagrada a políticos corruptos e até envolvidos em tráficos de droga, desde que não sejam de esquerda. Mas, aqui não vale mais a justiça, que esmoreceu há tempos. No Brasil pós-golpe só há justiçamento.
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