Se eu fosse de direita!
Em um domingo, 16 de agosto, depois da missa, me vestiria em um muito bem cortado terno esverdeado, colocaria um sapato bem lustrado e na lapela um broche dourado com a bandeira brasileira e, é claro, iria para a praça central protestar contra esse maldito governo democraticamente eleito pelo voto popular
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Se eu fosse de direita, sabem o que eu faria?
Vou contar... Em um domingo, 16 de agosto, depois da missa, me vestiria em um muito bem cortado terno esverdeado, colocaria um sapato bem lustrado e na lapela um broche dourado com a bandeira brasileira e, é claro, iria para a praça central protestar contra esse maldito governo democraticamente eleito pelo voto popular.
Não quero saber se a eleita tenha tido votos de "pedros", "joões", "marias" e "franciscos". Nada me diz se meu pedreiro, minha faxineira ou o gari que varre minha rua lhe conferiram votos. Eu iria protestar e muito.
E, de verdade, sendo o presidente do país, uma mulher com mais de sessenta anos, divorciada e de fala atabalhoada então... Ai tudo fica mais fácil. Eu, evidentemente, lhe chamaria de puta, vagabunda e sapatão. Denunciaria sua relação com Cuba, com as Farc's e com a Al Qaeda. Não importa se tudo junto e misturado. Vai que cola?
Me misturaria com outros "direitões" iguais a mim e, além do apeamento da governante também pediria a cassação definitiva do registro do partido da qual a presidente evidentemente é parte,
Se fosse de direita, eu iria mais fundo. Além do impedimento, da cassação do seu partido, eu também exigira uma lei que monitorasse professores de esquerda e que estão ai, em escolas e universidades levando o "perigo vermelho" de uma sociedade igualitária, sem patrões e nem empregados. Onde já se viu isso?
Em uma época dessas? Com essa super-globalização, redes sociais e tantas tecnologias e esses "paspalhões" falando em igualdade, justiça, socialismo? É uma brincadeira? Que coisa velha, atrasada!
E olha... Faria mais! Exigiria que Veja e Istoé se tornassem automaticamente diários oficiais do país; que seus jornalistas se tornassem membros honorários e vitalícios do grão-conselho supremo da governança nacional.
Não tergiversaria! Proibiria a cervejinha dos sábados, o churrasco dos domingos e o biquíni seria proibido em todo o território nacional, afinal, a moral e os bons costumes devem ser preservados.
Se fosse de direita, de direita mesmo... O voto só para quem tem curso superior e com renda acima de quatro mil reais! Aliás, nunca entendi os "porquês" de analfabetos votarem? Outra coisa... Por que negros votam? Não consigo entender!
Se fosse de direita... Provaria por "a mais b" a inconstitucionalidade da chamada Lei Áurea! Alguém percebe que essa lei caducou? Que isso é da época do Brasil Império e que vivemos em uma República?
Não consigo entender essa direita! Se eu fosse um "direitão", faria uma militância nacional para pôr na ilegalidade os tais partidos de esquerda.
É que todo mundo sabe que essa gente só vive de encrencas, em uma luta enfadonha por direitos e mais direitos para pobres! Direito para quem não trabalha? Onde já se viu isso? Não basta o Bolsa Família?
Se eu fosse de direita, Ahhhh, se eu fosse de direita... Vocês veriam movimento pra valer!
Direitinha mixuruca essa daí! Eu criaria o Nacional Socialismo Brasileiro, cuja sigla seria NASB... Olha que lindo? Depois sairíamos expulsando negros, nordestinos, homossexuais e ciganos e... Pronto! Teríamos um novo país, mais justo, parecido e sem conflitos.
Se eu fosse de direita... Ahhhhh, se eu fosse!
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