Sangria de Temer vai definir 2018

Se Temer decidiu ficar enquanto corre seu processo na Câmara e no STF, que a esquerda se organize. Pois certamente voltará em 2018

(Brasília - DF 25/11/2016) Presidente Michel Temer recebe lideranças do PSDB para almoço no Palácio da Alvorada. Foto: Beto Barata/PR
(Brasília - DF 25/11/2016) Presidente Michel Temer recebe lideranças do PSDB para almoço no Palácio da Alvorada. Foto: Beto Barata/PR (Foto: Guilherme Coutinho)


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Toda vez que Temer anuncia um pronunciamento, surge uma leve esperança de que ele renuncie ao mandato. Mas falta dignidade ao Presidente para assumir o fato de que seu governo, ilegítimo pela própria natureza, chegou ao fim. Temer preferiu reiterar que sangrará miseravelmente até quando lhe for possível, mentir à nação que é honesto e acusar Janot, invertendo o papel do Executivo e Ministério Público, em uma bizarra vingança com ares de ameaça. Essa desnecessária exposição do apegado Presidente definirá certamente as próximas eleições.

Os impactos políticos da sangria pública de Temer são claros. A aprovação do peemedebista gira em torno de 4%, recorde negativo na história do país. O PMDB dificilmente fará um sucessor, com tantos casos de corrupção envolvendo seus caciques. O PSDB, principal aliado do governo, também viu despencar a popularidade de seus presidenciáveis. Nas últimas pesquisas, considerando os dois cenários, Dória e Alckmin não ficaram nem entre os três mais lembrados. Enquanto Temer insiste em continuar no cargo, ele afunda sua imagem, de seu partido e aliados.

Não obstante, Lula continua liderando as pesquisas com muita folga e o PT atingiu nessa semana a maior popularidade do partido, desde a segunda posse da Presidenta Dilma Rousseff. Ironicamente, pouco mais de um ano após ter saído do poder, por intermédio de um golpe, a esquerda se mostra forte novamente e com chances reais de voltar ao poder, já no próximo pleito. Tudo graças à ação desastrosa dos próprios golpistas, que tentaram impor uma agenda neoliberal, tantas vezes derrotada nas urnas e protagonizaram tantos casos de corrupção.

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Michel Temer parece acreditar nas próprias mentiras. Após acusar e intimidar o PGR, pretendendo estar apenas opinando ao utilizar um termo por ele recém-criado: a "denúncia por ilação", ele reiterou várias vezes sua honestidade e probidade. Mas o cidadão não acredita mais. Não resta dúvida ao brasileiro de que existem indícios muito graves contra Temer, indicando corrupção passiva e obstrução à justiça. Se Temer decidiu ficar enquanto corre seu processo na Câmara e no STF, que a esquerda se organize. Pois certamente voltará em 2018.

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