Redução da maioridade penal: cegueira legislativa e retrocesso social

A proposta da redução da maioridade penal virou uma ideia fixa no Brasil do retrocesso. Mas nenhum argumento a seu favor, levantado pelos setores mais retrógrados da sociedade e da política, se sustenta. A começar pelo principal: reduzir a maioridade penal não reduz a violência

07/07/2015 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - Marcha contra a redução da Maioridade Penal. Foto: Guilherme Santos/Sul21
07/07/2015 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - Marcha contra a redução da Maioridade Penal. Foto: Guilherme Santos/Sul21 (Foto: Benedita da Silva)


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A proposta da redução da maioridade penal virou uma ideia fixa no Brasil do retrocesso. Mas nenhum argumento a seu favor, levantado pelos setores mais retrógrados da sociedade e da política, se sustenta. A começar pelo principal: reduzir a maioridade penal não reduz a violência, muito pelo contrário.

Ao saírem das penitenciárias, essas verdadeiras escolas do crime, os jovens estariam prontos para delinquir novamente. O passo seguinte dos mesmos setores retrógrados seria o de defender a redução da maioridade penal para 14, 12, 10 anos.

É isso o que mostra o exemplo dos Estados Unidos, país que passou a adotar penas de adultos para adolescentes. Os jovens voltaram a delinquir, agravando os índices de violência na sociedade americana.

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Também não é verdade que no Brasil os jovens em conflito com a lei ficam impunes. Uma infração cometida por um adolescente a partir dos 12 anos é responsabilizado e punido pelo disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA. A questão é que a sociedade brasileira aprovou o ECA, mas o Estado não cumpre com seus termos e abandona as crianças e os adolescentes de famílias de baixa renda à própria sorte.

Um adolescente delinquente não brota simplesmente das ruas, mas das condições de extrema desigualdade social. Portanto, o adolescente em questão não é causa, mas efeito da desigualdade social, para as quais as elites dominantes preferem virar as costas e apelar para a repressão pura e simples, como é o caso desse nefasto projeto de Redução da Maioridade Penal.Na realidade, os nossos adolescentes são muito mais as vítimas do que os responsáveis pela violência.

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Um estudo feito pelo Geledés (Organização não-governamental da Mulher Negra) mostra o vertiginoso crescimento de 346% no número de homicídios de crianças e adolescentes entre as décadas de 1980 a 2010. Apenas em 2010 o número foi de 8.686 crianças e adolescentes assassinadas. Sem dúvida quem é mesmo a vítima nessa sociedade de desigualdade e violência contra o negro, o morador das favelas e das periferias pobres?

Mesmo com toda a precariedade em sua execução, a reincidência no sistema socioeducativo do ECA é de apenas 20%, se comparado com os 70% do sistema penitenciário. O método socioeducativo é o mais eficaz para afastar o jovem da criminalidade e principalmente para reintegrá-lo na família e sociedade.

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Não é por acaso que dos 57 países analisados pela ONU, apenas 17% adotaram a redução da maioridade penal. A Alemanha e Espanha voltaram atrás e atualmente 70% dos países estabelecem a idade mínima penal aos 18 anos.

Claro que no Brasil o jovem em conflito com a lei é tão somente a ponta do iceberg de uma situação de exclusão social, educacional e profissional. Uma situação que só tende a piorar com o retrocesso absoluto imposto pelo golpe de Estado contra a presidenta Dilma.

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A partir do golpe do impeachment a tendência dominante do governo e da mídia conservadora é a transformação da questão social em caso de polícia.

O projeto da Redução da Maioridade Penal, que se encontra em análise no Senado Federal, é a manifestação do punho de ferro de uma elite egoísta e impotente para mudar a sociedade num sentido democrático e socialmente inclusivo.

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Redução da maioridade penal nunca foi e nunca será a solução!

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