Professores não são máquinas!
Vivem, em geral, em bairros afastados e em casas simples. Enfrentam, como todo mundo, problemas com saneamento básico, com segurança e com a saúde pública
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Professores não são máquinas. Pode parecer estranho mas é sempre bom lembrar, dizer e, de novo, dizer a todos que... Professores não são máquinas!
São bípedes, tem um sistema neural bastante complexo, tubo digestivo e uma coluna vertebral que acomoda harmonicamente estruturas ósseas denominadas costelas. Possuem rins, fígado, pulmões e nervos. Na ponta norte da sua coluna vertebral desponta o que comumente se chama de cabeça e que traz em seu interior um órgão bastante importante: um tal cérebro.
Professores não são máquinas. São mamíferos, sentem frio, calor, fome e sede. Quando felizes, sorriem, cantam e dançam e se tristes, ficam silenciosos, acabrunhados e podem se deprimir. Professores não são assexuados e se apaixonam. Gostam de carinho, de amizades e de festas.
Não possuem olhos de raio-x feito o Super-Homem, não escalam paredes como o Homem-Aranha e seus ossos não são feitos de ligas metálicas especiais, ao contrário, são sujeitos a fraturas.
Professores não sabem voar e vivem na terra. Se utilizam de ônibus, barcos, canoas, bicicletas, motos, carros, cavalos, jumentos e carroças para suas locomoções e ao final do dia, comumente se sentem cansados. Sabem por quê? Porque professores não são máquinas.
Vivem, em geral, em bairros afastados e em casas simples. Enfrentam, como todo mundo, problemas com saneamento básico, com segurança e com a saúde pública. Pode não parecer, mas este "estranho ser" tem família. Não nasceu de chocadeira, não veio pela cegonha e dentro de suas veias corre sangue de cor vermelha. Sabem por quê?
Porque professores não são máquinas. Seus sofridos corpos não necessitam de gasolina, diesel, etanol ou carvão. Não carecem de graxas em suas juntas e eles, os professores, se alimentam de vegetais, líquidos e carnes.
Professor precisa de moradia adequada porque não pode, como ser humano algum pode, habitar em cavernas, em copas de árvores ou em baixas de viadutos; se doentes (e incrível... Eles adoecem!), os tais professores carecem de tratamento de saúde adequado; lazer e cultura lhes são de fundamental importância; precisam de livros, boas revistas e de bibliotecas; também lhes é fundamental higienizar os dentes sempre após as refeições; usam vasos sanitários e se utilizam de camas para dormir.
As professoras podem engravidar e ter seus filhos e; conforme as outras mulheres, precisam de trata-los pelo cuidado diário da amamentação e do contato físico.
Professores possuem hábitos bastante específicos como ler, estudar ou corrigir trabalhos por toda a noite e, pela manhã, imaginem... Saem às pressas para as tais escolas. Sobre as escolas, importante dizer, que é o local privilegiado de trabalho deste sujeito e, como não poderia deixar de ser, possui contradições próprias como qualquer outro local de trabalho.
Na escola, tem muita coisa bacana, mas também... Tem assédio, desrespeito, agressão e múltiplas formas de violência, simbólica, inclusive e tem ainda e principalmente, o que classifico como sendo o pior movimento social e público contra o professor que é a ação sistematizada e deliberada de desconstrução da atividade docente, criminosamente perpetrada pelo setor privado da educação e pelo Estado em seus diferentes níveis.
Escolas não são santuários e professores... Não são máquinas.
Trabalham trinta dias no mês, incluindo finais de semana e feriados. O que fazem? Fazem de um tudo... Leem, pesquisam, buscam textos, pensam atividades educativas e que possam contribuir com a formação dos seus alunos, atualizam os malditos diários, produzem avaliações, discursos e se utilizam de poesias, músicas, pronunciamentos ou coisas do cotidiano para formar sensibilidades na meninada. E usam lixo, caixas, frascos, pinturas, bolas, quadrados e isso e aquilo...
Por que fazem isso? Porque são humanos! Porque professores... Definitivamente não são máquinas. As máquinas? Onde estão? Estão aí... Nos bancos, shoppings centers, indústrias, fábricas, empresas e comércios. Estão gerando lucro para ricos e poderosos, alienação para um povo desesperançado e aviltado por um Estado policial e estão, sobretudo, embrutecendo a gente do povo ante o hipnótico mundo da informática e da microeletrônica; as máquinas, estas sim, estão aí, magistrais e majestosas produzindo desemprego, subemprego, trabalho precário e depressão para milhões de homens e mulheres que só possuem seus braços para a manutenção de suas horrendas vidas.
E as máquinas estão nas prefeituras e nos governos geridos pela infâmia do neoliberalismo terceiro-mundista que corta o investimento da saúde, da moradia e da educação em favor da companhia S.A. Os professores, que não são e jamais serão máquinas, estão nas escolas, nas universidades, nas bibliotecas e devem ocupar ou reocupar seu lugar na história sob a pena de serem eliminados, fisicamente, inclusive.
E seu lugar é no sindicato, nas associações, nas praças, nas plenárias, nos bairros e, sobretudo, na consciência coletiva de que a educação é a possibilidade única de refundação da desigual sociedade brasileira pela via pacífica e que evita a barbárie da morte de milhares e a tragédia do derramamento de sangue inocente.
Professores não são máquinas e nosso tempo está acabando.
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