​Prisão de Cunha faz tremer o Planalto, não salva a Lava Jato

Se Cunha falar, derruba o governo Temer. Afinal, como confessou Romero Jucá (PMDB-RR) na famigerada conversa gravada por Sérgio Machado, "Michel é Cunha". Pior e mais grave: não se trata apenas de Michel e Eduardo, mas de toda a cúpula do PMDB

Brasília- DF 19-10-2016 Ex-deputado federal, Eduardo Cunha, entrando no avião da Polícia Federal, que seguiu para curitiba. Cunha teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Sérgio Moro, durante as investigações da Operação Lava Jato
Brasília- DF 19-10-2016 Ex-deputado federal, Eduardo Cunha, entrando no avião da Polícia Federal, que seguiu para curitiba. Cunha teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Sérgio Moro, durante as investigações da Operação Lava Jato (Foto: Elvino Bohn Gass)


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Eduardo Cunha está na cadeia. As provas colhidas contra ele no âmbito da Operação Lava Jato já justificariam seu encarceramento. Mas Cunha tem dupla cidadania, dinheiro no exterior e poderia, sim, fugir do país. Então, mais justificada, ainda, está sua prisão.

Agora, a única forma que Cunha tem de livrar-se, ao menos em parte, da montanha de acusações (e das várias provas) que já existem contra ele, parece ser a delação premiada. E se Cunha falar, derruba o governo Temer. Afinal, como confessou Romero Jucá (PMDB-RR) na famigerada conversa gravada por Sérgio Machado, "Michel é Cunha". Ali, ficou-se sabendo que os dois agiam combinadamente. Porque tinham os mesmos interesses e porque sabiam os podres um do outro. Eles articularam e executaram juntos o golpe contra Dilma.

Pior e mais grave: não se trata apenas de Michel e Eduardo, mas de toda a cúpula do PMDB. Sim, o próprio Jucá é Cunha, Moreira Franco é Cunha, Eliseu Padilha é Cunha e Geddel Vieira de Lima é Cunha. Ou seja, o centro do governo Temer é todo Cunha. Como também o são as dezenas de parlamentares que viviam sob suas asas, os que o elegeram presidente da Câmara e o bajularam enquanto ele detinha poder para manobrar votações e pautas-bomba gerando a crise política artificial que paralisou o governo Dilma. Por tudo isso, desde que foi cassado, Cunha tornou-se uma bomba que a prisão, agora, pode fazer explodir.

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Mas não se pense que a Operação Lava Jato deixou de ser seletiva apenas por que levou um figurão do PMDB à cadeia. Afinal, as razões agora alegadas para trancafiar Cunha já estavam postas há muito tempo. Aliás, a demora nesta prisão que as evidências insistiam em exigir, só fez retirar ainda mais dessa operação sua credibilidade. Por que, afinal, o juiz Sérgio Moro gastou tanto tempo com ações pirotécnicas, conduções coercitivas abusivas e até vazamentos ilegais, antes de prender Cunha? Será porque a credibilidade da Lava Jato está em baixa depois que atores famosos se recusaram a viver o papel de Moro numa série da Netflix? Ou será porque a operação esteja preparando mais uma ação espetaculosa que necessite de algum crédito para minimamente justificá-la?

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