Prendam o Tite!
Mesmo ele sendo gente boa, não podemos esquecer que já temos muitos pernas de pau e aventureiros na política. Melhor soltar o Lula e passar a bola para ele novamente. Ele já provou que sabe o que fazer com ela
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As eleições desse ano prometem ser históricas. A começar pela atmosfera de desconfiança e hostilidade, criada pelo golpe dos paneleiros, passando pela qualidade dos candidatos que se apresentam como opções de mudança e finalizando com os resultados, que têm tudo para serem catastróficos, do ponto de vista político, social e econômico.
Para quem já foi a feira após as 14hs, vai perceber que o sufrágio universal de 2018 no Brasil será uma verdadeira "xepa", onde os partidos feirantes irão misturar frutas quase podres, no meio do pouco que sobrou das maduras e daquelas que ainda estão verdes demais. Frutas, digo, nomes, cuja casca e a polpa já deveriam ter sido consideradas impróprias para consumo, como: Fernando Collor de Mello, Geraldo Alckmin, Rodrigo Maia, Henrique Meirelles, Levy Fidelix, Marina Silva e até Michel Temer, sonham com a presidência da República.
Outras frutas, que embora aparentem estar boas por fora, devido aos "agrotóxicos" usados para mascarar a sua polpa já um pouco passada, serão levadas para casa pelos mais desavisados. São os casos de Bolsonaro, Ciro Gomes e Álvaro Dias, também postulantes ao planalto. Há também os frutos mais verdes, como Flávio Rocha, dono da Riachuelo e o banqueiro João Amoedo, do partido novo, que podem causar uma baita indigestão em quem colocá-los no carrinho da feira. Principalmente, se o consumidor, digo, eleitor, for pobre. Eu não levaria, nem se fosse os dois por 1 real.
Andando um pouco mais pela "feira", você encontra o ex-jogador Romário - craque indiscutível do futebol brasileiro e um dos melhores que eu já vi jogar - liderando as pesquisas de intenção de voto para o governo do estado do Rio de Janeiro, seguido por Eduardo Paes, outra fruta quase podre, que apenas mudou de banca para enganar os menos atentos. Ainda figura na lista de candidatos ao governo do RJ, Miro Teixeira, golpista que votou a favor do impeachment de Dilma e uma das múmias embalsamadas da política nacional.
Romário tem a seu favor, o fato de ter sido um ídolo do futebol nacional, vencedor de uma copa do mundo. Apenas por isso, já foi eleito deputado, senador, e, se a defesa adversária bobear, irá de eleger Governador também. O baixinho tem faro de gol e de poder. Sabe que o povo é carente de ídolos e vota em qualquer que tenha feito muitos gols para o seu time. Seguindo essa mesma lógica, Ronaldinho Gaúcho, o rei do "dibre", se apresenta como candidato a Senador por Minas. Filiado ao PRB, o pentacampeão mundial, tem tudo para "entortar" Aécio Neves e deixá-lo caído no chão, sem a sua cadeira no senado.
É lamentável constatar que levamos nossa política com tão pouca seriedade, o que não deveria permitir que reclamássemos depois das consequências de nossas escolhas. Escolhemos as frutas mais azedas do balaio, chutamos para onde o nariz aponta, e, depois, não entendemos porque estamos sempre com má digestão ou perdendo de goleada. Votar num candidato, apenas por ele ser o seu apresentador de TV favorito, ter jogado no seu time e feito mais de mil gols, ser o Youtuber mais visualizado do momento, ser o mais seguido no Instagram ou por ter vencido o BBB, deixa claro o quanto nós, povo brasileiro, somos os principais responsáveis por toda essa desordem que destrói o país e que aprisiona a muitos na ignorância e na desigualdade social, aqui vigente desde 1500.
Se o Tite vencer a Copa do mundo com a seleção brasileira e desembarcar da Rússia como candidato a presidente da república, a sua vitória é certa. A cada 4 anos tomamos um 7x1 diferente e parece que já nos acostumamos com isso. É comum ouvirmos que o povo brasileiro precisa ser estudado, mas, na verdade, ele precisa ser é interditado. Se o Brasil conquistar o hexa e o seu Adenor cismar que quer governar o país, ferrou! Já que a ordem é eliminar os candidatos que possam atrapalhar a conclusão do golpe, é bom a turma de Curitiba inventar algum triplex em Caxias do Sul ou um sítio em Erechim, para botar na conta dele.
Vale lembrar que Tite já avisou que, caso traga o caneco, não irá a Brasilia cumprimentar Michel Temer, como é praxe ser feito. Um indício de que ele não é adepto da tática golpista e nem recorre ao jogo sujo para ser campeão de alguma coisa. Mas como treinar Neymar e companhia é bem mais fácil do que administrar o país do futebol, é melhor dar um jeito de prendê-lo se ele ganhar a copa. Mesmo ele sendo gente boa, não podemos esquecer que já temos muitos pernas de pau e aventureiros na política. Melhor soltar o Lula e passar a bola para ele novamente. Ele já provou que sabe o que fazer com ela.
Pra frente, Brasil!
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