Polícia não é segurança

A gravidade dessa ampla sinergia de violências escancaradas e sanguinárias que solapa todas as classes sociais em indecifrável e constante movimento de picos e baixas é que, de fato, a virulência dessa lógica tomou o cotidiano social da população



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O outrora estado de Goiás, atual "Síria do Cerrado", não nasceu por acaso; o atual carrossel de violência e em alta potência que campeia a província não é determinação divina; também não é verdade que nossa violência tende a, naturalmente, aumentar; da mesma forma não é verdadeiro que mais policiais nas ruas irão garantir o restabelecimento da segurança; finalmente não é verdade que a crise da segurança é pura e tão somente uma derivação da crise econômica que toma o país.

Estas seriam respostas simples, pré-científicas e, em verdade, reconheçamos: sequer respostas são. Se afirmam mais como discursos precoces e pré-eleitorais ou estratagemas políticas de longo prazo que pura e tão somente, visam garantir continuidade ao projeto de poder iniciado por Marconi Perillo em um longínquo 1998.

A pletora de problemas envolvendo segurança pública em Goiás se agigantou ao nível da paralisação de iniciativas sociais banais como, por exemplo, tomar um chopp, fazer um passeio em um shopping ou visitar um amigo em um bairro de periferia no fim de semana.

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A gravidade dessa ampla sinergia de violências escancaradas e sanguinárias que solapa todas as classes sociais em indecifrável e constante movimento de picos e baixas, evidentemente com muito mais força e impacto no meio dos pobres é que, de fato, a virulência dessa lógica tomou o cotidiano social da população.

Exatamente isso, o cotidiano, meu ou seu, fora expropriado pelo gigantismo da violência de Goiás e, sinceramente não dá pra embarcar no fácil de só culpabilizar o bastante e evidentemente arruinado governo de Marconi Perillo (PSDB); seria óbvio demais e tiraria toda a credibilidade deste ensaio.

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O governo de duas décadas de Perillo é parte do problema e que em certa medida, potencializa o flagelo da violência que nos altera tão significativamente mas é preciso levar em conta outras variáveis que se engrenam e se articulam ao predomínio político tucano e que prevalece por aqui.

Exatamente isso, existe um articulado de variáveis sociais, políticas, culturais e econômicas e que dão forma atualizada ao horror da violência que atropela todo o estado. O pecado de Perillo? Ele permitiu que as variáveis se somassem. Esse é seu grande pecado.

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Efetivamente, a dimensão cultural, potencializada cotidianamente pelo fortalecimento de lógicas patriarcais que insistem por submeter mulheres ao jugo e ao abuso do macho goiano é fenômeno importante e que se soma ao mosaico de tragédias cotidianas desta terra. Mulheres? Sim... Aos não sabedores mulheres representam mais de cinquenta por cento de toda a população de Goiás.

O descaso absoluto deste governo e mesmo da sociedade goiana ao drama dos seus camponeses (índios, quilombolas, extrativistas, coletores, agricultores familiares, caçadores dentre outros) é peça fundamental para a compreensão da diáspora interna que arrasou com o meio ambiente dos campos goianos na mesma proporção e intensidade que arruinou com grandes e médias cidades goianas por meio do inchaço urbano, da falência dos serviços públicos e da piora de todos os seus indicadores sociais.

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Nessa relação, a opção estatal por privilegiar grandes negócios e empreendimentos, com adocicada e especial ênfase para o muito propalado agronegócio goiano (a mais cara e onerosa forma agro-produtiva já ocorrida em toda a história do Brasil) por intermédio de fartas concessões tributárias e fiscais e benevolentes entregas de ativos ambientais e de importância central às populações dos interiores é outra peça importante desse quebra-cabeça desenvolvimentista.

Finalmente, o descaso militante desse governo e de todo seu grandioso cambo de gente da representação presente em câmaras de vereadores, assembleias e parlamentos federais com serviços públicos básicos, essenciais, civilizacionais e, portanto, de importância central para negros, caboclos e assalariados de Goiás é outro "gigante do mal" que irá redundar, em seguida, na não-sociedade, no não-coletivo, no não-social e que fora erigido pacientemente pelas opções de governo e de desenvolvimento de Perillo "et caterva".

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Desta feita, é preciso que se diga que a opção eleitoral por tipos circenses afeitos com certo conceito de "segurança" para o parlamento federal é de importância nula na medida em que segurança é inteligência de governo, mas também inteligência social operando em uma diversidade de frentes. Fato é que não se combate insegurança, violência e medo com bravatas, manchetes pomposas ou com ações-símbolos.

Ou situamos ações estruturais nesse movimento; opções de governo que envolva promoção de minorias; valorização e ampliação da educação, bem como a redefinição da educação para a periferia, guetos, campos e interiores do estado; definição de políticas amplas e eficazes para jovens a envolver educação, arte, desporto e renda; combate a todas as formas de violência, inclusive às formas simbólicas e que tão frontalmente atingem mulheres, deficientes físicos, homossexuais e negros e, finalmente; é de importância fundamental que governos e sociedade compreendam que a melhor política de segurança são definitivamente, políticas sociais em pleno funcionamento, articuladas, modernas, submetidas ao controle público e que valorizem grupos étnicos promovendo educação, moradia, saúde pública e, enfim, garantindo os direitos fundamentais dos cidadãos e cidadãs, direitos tão bem escritos em certo artigo quinto de certa Constituição Federal.

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