Para refazer a existência

Entre as principais peças do maquinário capitalista, são imprescindíveis, o trabalho, o capital, a acumulação infinita de capitais, a propriedade privada, o Estado e a alienação

Brasil, S�o Paulo, SP. 09/03/1998. Desempregados em fila mostram suas carteiras de trabalho na Avenida Marqu�s de S�o Vicente, zona oeste da capital paulista. - Cr�dito:EPIT�CIO PESSOA/ESTAD�O CONTE�DO/AE/Codigo imagem:36339
Brasil, S�o Paulo, SP. 09/03/1998. Desempregados em fila mostram suas carteiras de trabalho na Avenida Marqu�s de S�o Vicente, zona oeste da capital paulista. - Cr�dito:EPIT�CIO PESSOA/ESTAD�O CONTE�DO/AE/Codigo imagem:36339 (Foto: Ângelo Cavalcante)


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O modo de produção capitalista é, digamos assim, como uma grande e engenhosa máquina e que sem determinados componentes, de forma alguma irá funcionar. Uso a "metáfora da máquina" para tentar mostrar um pouco do funcionamento dessa geringonça histórica e global. A ideia é operar pela didática da explicação, fundamentalmente isso.

Pois bem, entre as principais peças desse maquinário, são imprescindíveis, o trabalho, o capital, a acumulação infinita de capitais, a propriedade privada, o Estado e a alienação.

Vou me ater bem panoramicamente ao fenômeno da alienação, "peça", de fato, decisiva para que as coisas se engrenem pra valer na mecânica de sangue, suor e pilhagem do capital.

A palavra vem do latim "alieus" e quer dizer "outro"; na ciência política, sobretudo, sob a influência do marxismo, a alienação é esse instituto decisivo do capitalismo segundo a qual, a atividade do trabalho/trabalhador é negada; é integralmente ignorada; é transferida para "outro"; é desta maneira, e objetivamente a negação ou autonegação do fazer.

De fato, é o fenômeno mais bizarro da organicidade do capitalismo trans-mundo. Sabe "o que é e não é" ao mesmo tempo? Então... Isso é a alienação. É dispositivo social, psicológico, espiritual e orgânico de importância definitiva para a realização do capitalismo como forma social e societária.

No cotidiano da produção da vida individual e comum é, tão somente, a negação do trabalho como centralidade na produção de tudo que existe; é o descentramento da ação transformadora; a periferização, o escanteamento do que é decisivo e fundamental e a centralização daquilo que é banal, dispensável, inútil e improdutivo. Pode haver algo pior?

Mais até... Segundo o escritor uruguaio Eduardo Galeano, é "o mundo às avessas". E, de fato, é do que se trata porque vira os indivíduos do avesso, toma, rouba a humanidade do homem; embrutece seu ser, reifica sua existência; se apropria da vitalidade, do melhor da energia da vida ativa e convival e é, em definitivo, gerador de toda sorte de mal-estar individual e coletivo o que envolve um amplo rosário de doenças físicas e morais.

O suicídio, a depressão, a violência repentina, o vício contumaz pelo álcool e outras drogas no nível da autodestruição, o isolamento, o egoísmo e a apatia são expressões fenomênicas e diretas da alienação nas urdiduras e composições do mundo objetivo e cotidiano e que por fim, cria, dá forma e movimento.

É impossível um homem superior, pleno e livre sob a espessa crosta da alienação; ao contrário, seu corpo é apenas um receptáculo sensível, inativo e, integralmente subsumido em dramático movimento circular de produção/reprodução da ordem das coisas do capital. Alienado, o homem é o algoz, o capataz, o carrasco de si mesmo. Não vê companheiros, irmãos, lutas, causas e horizontes. Não é maldade dele... Ele simplesmente não consegue ver, sentir, ser e estar junto do que, de fato, lhe diz respeito.

Sua razão é um combinado previsível e esquemático que opera fundamentalmente, sob as balizas da ética sócio-produtiva do capitalismo; o utilitarismo, o pragmatismo, o imediatismo e o cânone marginal do "custo/benefício" são as doxas que orientam sua existência nesse mundo escuro e obscuro.

Que fazer? Como resgatar a humanidade perdida? Como romper com esses potentes grilhões invisíveis? Como expulsar os titânicos "guardiões da ordem" e que habitam plenos, absolutos e tirânicos nos decisivos espaços do nosso ser?

De fato, existem resistências e saídas! O primeiro caminho é liberar o trabalho produtivo do despotismo do capital, em outras linhas, dos patrões; em seguida, negar as instituições do capital, recriando-as, lançando novas significações e conteúdos éticos, espirituais e morais sobre as mesmas.

E depois... Depois é pão, terra e trabalho. Depois é gozo, amor, liberdade, poesias, cancioneiros e muita festa, festa nos bosques, nas praças, nas ruas e nas alcovas porque o que vale é a vida livre, produtiva e profunda.

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