Para onde mudaram a Petrobras?

 Petrobras está exportando óleo crú, mantendo suas refinarias na ociosidade, e deixando para a Ipiranga e a Shell importarem derivados dos EUA, para distribuição no mercado interno. Com isto é óbvio, as margens de lucro da companhia diminuíram. Que negócio é este?

Montagem Pedro Parente e Petrobras
Montagem Pedro Parente e Petrobras (Foto: Cláudio da Costa Oliveira)


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Meus amigos, pode até parecer brincadeira, mas o assunto é muito sério. Durante a entrevista de divulgação dos resultados da Petrobras no 3º trimestre de 2017, ocorrida nesta segunda-feira (13) o diretor financeiro Ivan Monteiro confirmou o que já sabíamos: "Um market share menor certamente fez com que tivéssemos uma margem menor o que impactou no balanço". Aliás, temos falado sobre isto desde o ano passado.

O atual presidente da empresa Pedro Parente procurou disfarçar um pouco mais: "O país vive uma nova realidade que é positiva para o país, mas que sem dúvida impacta os nossos resultados que é o aumento das importações. O nosso market share neste período diminuiu".

Como assim? Que a política de preços lançada em outubro de 2016 (vide anexo I) com grande estardalhaço midiático prometendo recuperar o market share só serviu para enganar, nós já comentamos muito. Mas, que a nova política iniciada na virada do semestre (exatamente em 30 de junho) prometendo corrigir os erros da primeira versão (vide anexo II) também não funcionou ficamos sabendo agora.

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Os prejuízos para a Petrobras são enormes e temos escrito muito sobre isto (vide anexo III)

Até o momento tínhamos alertado que os principais beneficiados desta política eram a Ultrapar (Ipiranga) de onde é originário Ivan Monteiro e a Raizen (Shell) de onde é originário Nelson Silva, diretor de estratégias.

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Agora o blog "O Cafezinho" fez um estudo mostrando o espantoso crescimento das exportações de diesel e gasolina das refinarias americanas para o Brasil no governo Temer (vide anexo IV não deixe de ler).

No período jan/out 2015 os EUA exportaram US$ 1,41 bilhões em diesel e gasolina para o Brasil. Em 2017 neste mesmo período o valor subiu para US$ 4,11 bilhões. Diesel e gasolina passaram ser o principal item da pauta de exportação americana para o Brasil.

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Ou seja, a Petrobras está exportando óleo crú, mantendo suas refinarias na ociosidade, e deixando para a Ipiranga e a Shell importarem derivados dos EUA, para distribuição no mercado interno. Com isto é óbvio, como disseram Ivan Monteiro e Pedro Parente, as margens de lucro da companhia diminuíram. Que negócio é este?

E não venham dizer que existe alguma dificuldade em estabelecer os preços internos para combater as importações de terceiros. As siderúrgicas brasileiras fazem isto a décadas sem nenhum problema. E notem que no Brasil existem diversas siderúrgicas, enquanto a Petrobras é uma só. Por outro lado, a logística para importação de aço é muito mais simples que para importação de derivados de petróleo.

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A verdade é que isto é uma armação e não pode ser aceita por nenhum brasileiro.

A Petrobras, dentro de condições normais, é uma empresa estruturada para lucrar R$ 5 a 7 bilhões por trimestre.

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Hoje o resultado da empresa depende de itens não operacionais.

O lucro acumulado no período jan/set 2017 de R$ 5 bilhões, só foi possível graças ao resultado contábil com a venda da NTS de R$ 6,9 bilhões. A receita e o lucro bruto da empresa só fazem cair (vide anexo V), e vão se estabilizar num patamar muito baixo. As vendas de ativos (Liquigas, NTS etc.etc.) todas empresas altamente lucrativas, não vão mais contribuir para o resultado da holding.

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Ricardo Semler, insuspeito tucano, em seu livro "Nunca se roubou tão pouco" (vide ANEXO VI) explica que quando o Brasil não tinha petróleo e muito menos refinarias, a corrupção ocorria na importação da gasolina, onde os políticos recebiam uma comissão sobre tudo que era importado.

Será que a Petrobras está mudando para o passado?

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ANEXO I – Politica de preços out/2016

http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/adotamos-nova-politica-de-precos-de-diesel-e-gasolina.htm

ANEXO II – Politica de preços jun/2017

http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/revisao-da-politica-de-precos-de-diesel-e-gasolina.htm  

ANEXO III- Artigo sobre politica de preços

http://www.aepet.org.br/w3/index.php/artigos/item/809-a-atual-politica-de-precos-da-petrobras-e-um-caso-de-policia#comment-531  

ANEXO IV – Exportações americanas

https://www.ocafezinho.com/2017/11/11/oleo-diesel-e-gasolina-ja-respondem-por-20-das-exportacoes-americanas-ao-brasil/ 

ANEXO V – Queda nas receitas

http://www.aepet.org.br/w3/index.php/artigos/noticias-em-destaque/item/571-e-inusitado-com-pedro-parente-receita-da-petrobras-nao-para-de-cair  

ANEXO VI – Nunca se roubou tão pouco

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2015/03/07/ricardo-semler-nunca-se-roubou-tao-pouco/

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