Padrinho político

Caso Maquiavel morasse no Brasil, certamente acrescentaria mais outro caminho para o príncipe chegar ao poder. Teria que acrescentar o apadrinhamento político.



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Relatos históricos apontam que o pensamento aristotélico prevaleceu com relação às formas de governo. Na opinião do pupilo de Platão existiam três formas: politéia, aristocracia e monarquia. Mas a partir de Maquiavel isso passou a ser visto por outro prisma. Para o secretário de Florença, ao longo da história “todos os Estados que existem e já existiram são e foram sempre repúblicas ou monarquias.” 

Ao tratar da conquista do príncipe aos novos principados ele aponta para quatro maneiras de conquistas. Entretanto, limitaremos a comentarmos apenas duas. A primeira delas, era a virtù, na qual se encontra inserida a capacidade pessoal do príncipe em saber alcançar seus objetivos. O outro caminho apontado por Maquiavel é a conquista do principado mediante a fortuna. Representada com o que popularmente chamamos de sorte. 

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Para Maquiavel, as duas devem se fazer presentes no mesmo quinhão da trajetória do príncipe. Entretanto, Maquiavel entendia que os principados que são conquistados pelo caminho da virtù, conseguem uma maior durabilidade, dos que são conquistados mediante a fortuna, pois segundo ele, os mesmos possuem uma menor instabilidade, por isso tende uma menor duração.

 Caso Maquiavel morasse no Brasil, certamente acrescentaria mais outro caminho para o príncipe chegar ao poder. Teria que acrescentar o apadrinhamento político. Dependendo do peso do padrinho, ou da madrinha, o “afilhado” chega ao principado sem muito esforço. Até aqueles que não são dotados do que a teoria weberiana chama de carisma. 

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Basta apenas seguir os passos percorridos ou sugeridos por aqueles que o orientam e o sucesso eleitoral estará praticamente garantido. Porém, um dos grandes problemas do apadrinhamento político é que geralmente o afilhado é picado pela mosca azul e aos poucos resolve se separar do padrinho, acreditando ser possível voar mais alto sem que tenha que pedir a benção para o feito. 

A partir daí, torna-se praticamente inevitável o rompimento, já que o afilhado passa ser visto como um traidor. Mas o Cardeal Richelieu já havia alertado que “traição em política é questão de tempo.” 

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