Os "guardiões" do Crivella e o descaso com a vida dos cariocas

A atitude deixa evidente que essa administração não tem compromisso com o povo e por isso não existe nenhum plano para melhorar os serviços de atendimento, pelo contrário, ao que tudo indica o objetivo primeiro é somente manter as aparências, silenciar a imprensa e esconder o caos



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Já faz algum tempo que a saúde da cidade do Rio de Janeiro é uma calamidade. São inúmeras denúncias de atrasos constantes no pagamento do funcionalismo, filas intermináveis para exames e procedimentos de rotina, falta de médicos especialistas e uma infraestrutura muito precária e insuficiente. Tudo isso passou a ganhar os noticiários cotidianamente em matérias veiculadas na imprensa que mostram a realidade do cidadão ao procurar o sistema público de saúde da capital carioca. O prefeito que prometeu cuidar das pessoas, sempre alegou que havia problemas econômicos incontornáveis e por isso alguns serviços acabavam penalizados. 

Ontem, uma reportagem escancarou que o problema da saúde do Rio de Janeiro não é escassez de recurso, mais má gestão administrativa, corrupção e principalmente falta de sensibilidade com o povo. A matéria exibida em primeira mão pelo RJTV, e depois reprisada no Jornal Nacional, deixa claro que manifestantes pró-governo Crivella foram contratados com dinheiro público para silenciar denúncias sobre o mal funcionamento dos hospitais municipais. Essa ação pode ter sido acompanhada de perto pelo próprio prefeito que está em um dos grupos de whatsapp que controlava as ações. 

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Além de configurar cerceamento à liberdade de expressão e de imprensa, tal atitude também é uma afronta ao bom senso. Recentemente a prefeitura anunciou cortes no orçamento da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. A operação praticamente inviabiliza o funcionamento dos Centros de Referência da Pessoa com Deficiência (CRPDs), que hoje atende a milhares de pessoas com deficiência em serviços que vão do acompanhamento da saúde, a educação e socialização. Além disso, muitos funcionários desses equipamentos estão a meses sem receber seus salários. É inadmissível que a mesma gestão que corta do tratamento de deficientes, arque com ordenados que variam entre 3 a 10 mil reais para funcionários que não tem outra função que não seja defender o prefeito. 

A atitude deixa evidente que essa administração não tem compromisso com o povo e por isso não existe nenhum plano para melhorar os serviços de atendimento, pelo contrário, ao que tudo indica o objetivo primeiro é somente manter as aparências, silenciar a imprensa e esconder o caos. Enquanto a prefeitura tenta maquiar a realidade, os hospitais caem aos pedaços e os cariocas permanecem abandonados em meio a pandemia de coronavírus. A média de contaminados e de óbitos voltou a subir na cidade e a taxa de ocupação de leitos já ultrapassa os 53%. Protegido mesmo dessa dura realidade está apenas o prefeito, que aproveita sua tropa de guardiões, ao mesmo tempo em que os cariocas agonizam sem a proteção de quase ninguém. 

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