Obama foi pra Cuba; aqui o golpe

Enquanto Cuba e EUA viram uma página triste de suas histórias, no Brasil estamos prestes a lançar um livro em que registraremos um golpe frio sobre a democracia brasileira a pretexto de combatermos a corrupção

Enquanto Cuba e EUA viram uma página triste de suas histórias, no Brasil estamos prestes a lançar um livro em que registraremos um golpe frio sobre a democracia brasileira a pretexto de combatermos a corrupção
Enquanto Cuba e EUA viram uma página triste de suas histórias, no Brasil estamos prestes a lançar um livro em que registraremos um golpe frio sobre a democracia brasileira a pretexto de combatermos a corrupção (Foto: Gleisi Hoffmann)


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Fiquei emocionada ao ver a chegada do presidente Barack Obama a Cuba, uma visita histórica que sela a reaproximação dos EUA com a Ilha revolucionária de Fidel Castro. Poucos acreditavam que isso seria possível, mas a determinação de um presidente americano negro, de um papa progressista e das reformas econômicas em Cuba, estão possibilitando-nos vivenciar esse pedaço da história tão importante para a democracia, autodeterminação dos povos e respeito entre Nações.

É importante registrar que a última visita de um presidente norte americano a Cuba foi em 1928!

Ao mesmo tempo a emoção fica embaçada, ao assistir, no nosso país, o maior da América Latina e que na história recente saiu de uma ditadura militar, uma crise política destinada a justificar um duro golpe nas regras democráticas e na nossa Constituição, a Constituição Cidadã, de 1988. O que faz isso acontecer? O ódio proliferar? Junto com essa gana em tirar uma presidenta legitimamente eleita pelo voto popular?

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Desconstruir a imagem do maior líder popular que o Brasil já teve?

Muitos correrão a dizer que é a corrupção, praticada sem precedentes nestes governos do PT e liderada pessoalmente por Lula (o líder operário, que venceu todas as barreiras, se tornou presidente do Brasil e proporcionou a maior revolução econômico-social de nossa história).

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Já escrevi sobre isso neste espaço. A corrupção é um problema global que afeta todos os países do mundo. Isso não é justificativa, é constatação. Relatório divulgado pela Comissão Europeia, em fevereiro de 2014, conclui que a corrupção atinge todos os seus 28 países membros, custando cerca de 120 bilhões de euros por ano. Aqui, nossa história é permeada por atitudes corruptas, mas é em cima de Dilma, Lula e do PT que a sociedade brasileira quer fazer a catarse anticorrupção.

Há também o componente de hipocrisia, quando governantes que estão às voltas com pesadas denúncias, enfileiram-se para atacar o governo federal e defender o impeachment. Além disso, o comandante do processo na Câmara dos Deputados, o presidente daquela Casa, enfrenta processos por ter contas não declaradas no exterior.

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E é sempre importante lembrar que Dilma enfrenta agora um processo de impeachment sem que se tenha contra ela qualquer acusação com o mínimo de sustentação. Pedem o impeachment da presidenta mesmo não tendo nenhum crime de responsabilidade contra ela. Querem a prisão do presidente Lula, sem que haja qualquer crime a ele atribuído. Nem inquérito formal há contra Lula.

A verdade é que as investigações são seletivas. As informações contra Aécio Neves foram arquivadas sumariamente, sem qualquer investigação. O objetivo é detonar o governo e o PT. No caso de Lula, tentam tirá-lo das eleições, quando as pesquisas mostram claramente que apesar da pancadaria sem tréguas, ele continua no páreo para 2018.

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Os derrotados de 2014 querem tirar Dilma porque não aguentam mais esperar pela próxima eleição. E querem tirar Lula porque desconfiam que ele pode vencer novamente. Mas vamos resistir. As manifestações da última sexta-feira, sem convocação de entidades patronais e sem o apoio descarado da grande mídia, mostraram a resistência forte de parcela considerável do povo brasileiro ao golpe em preparação.

As investidas políticas do Poder Judiciário nesta última semana foram pesadas inclusive para articulistas e lideranças mais de direita no país. Escutas ilegais, divulgação inconsequente das gravações (o que é proibido por lei) e intromissão na prerrogativa da presidenta Dilma de nomear ministro de Estado, evidenciam o desespero daqueles que querem ser justiceiros e não fazer justiça! Não se combate crimes e ilegalidades, se esse é o objetivo da Lava Jato, com práticas criminosas e ilegais.

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Enquanto Cuba e EUA viram uma página triste de suas histórias, no Brasil estamos prestes a lançar um livro em que registraremos um golpe frio sobre a democracia brasileira a pretexto de combatermos a corrupção. Com a responsabilidade a justiça ativista, a imprensa que informa errado e a despolitização da grande classe média brasileira.

Tudo sob o comando de nossa elite burguesa pouco patriótica.

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