O vírus é um risco. E daí?
A insensibilidade que o presidente demonstrou diante das mortes chocou o país. “E daí?”, perguntou ele, quando questionado sobre os milhares de cadáveres que já superam os números chineses. Essa insensibilidade é criminosa. Mas além disso, expressa um quadro de total abandono de uma massa de trabalhadores
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Chegamos ao dia internacional da classe trabalhadora e o debate sobre o trabalho continua atual, sobretudo hoje. Ficou evidente depois da pandemia que o trabalho é essencial. Quando multidões pararam de trabalhar com o confinamento, o prejuízo se instaurou.
A era da internet, da tecnologia e dos aplicativos trouxe a promessa de facilitar a vida. Mas nessa era, o trabalho se mistura com a vida das pessoas, e muitas vezes tem sido exercido em condições precárias e perigosas. O risco para prestar um serviço virou cotidiano de uma multidão de pessoas muito antes da pandemia. Talvez por isso a morte já não assuste tanto com a vinda do vírus. Quem tem medo de morrer de fome, passa a ser quase forçado a não se assustar com o vírus. A era do celular prometia reduzir o trabalho, mas trouxe inclusive o retorno ao trabalho de duro esforço físico e colocou o risco de vida como um cotidiano de uma massa de trabalhadores.
Como é possível convencer um motorista de aplicativo que ele tem que ficar em casa porque existe o risco de um vírus que pode mata-lo, se esse motorista só recebe se fizer corridas? Quem pedala uma bicicleta que nem é sua, para entregar uma comida feita por alguém que não é seu patrão, mediado por um aplicativo que não tem rosto, de doze a catorze horas por dia, percorrendo mais de 70 quilômetros diários, para tentar pagar as contas, já vive em perigo. Risco é o seu cotidiano. O vírus é um risco? É sério, meu bom? E daí?
A insensibilidade que o presidente demonstrou diante das mortes chocou o país. “E daí?”, perguntou ele, quando questionado sobre os milhares de cadáveres que já superam os números chineses. Essa insensibilidade é criminosa. Mas além disso, expressa um quadro de total abandono de uma massa de trabalhadores a sua própria sorte, no Brasil pós-reforma trabalhista e da previdência. Muito antes da pandemia, a destruição das garantias de trabalho já ordenava cada trabalhador se virar do jeito que puder. O presidente expressa essa nova diretriz.
Essas palavras que chocam e despertam repulsa da sociedade, deveriam servir de reflexão geral. É preciso um grande consenso nacional de que o primeiro passo para começar a consertar os erros passa por derrubar esse presidente, que comete o crime de incentivar a morte no exercício do mais alto posto do executivo.
O passo seguinte é reconhecer o fracasso do modelo de desregulamentação total, de Estado Mínimo e lucro máximo. Tudo o que hoje minimamente nos salvaguarda de uma tragédia maior vem do Estado. Como estaríamos sem o Sistema Único de Saúde? Sem a Caixa Econômica prestando um auxílio emergencial para os mais vulneráveis?
Muito se fala em preocupação com a economia. Mas a reforma trabalhista e da previdência foram feitas com a promessa de reativar a economia, e tiveram tempo para mostrar efeito antes da pandemia. O que aconteceu com o PIB que encolheu? E o desemprego que aumentou? E o real que se desvalorizou? E o combustível que foi para as alturas? O projeto fracassou, é preciso reconhecer. Bolsonaro é um desastre por que é de uma insensibilidade cruel com as mortes, incita o ódio, a ditadura e a violência. Isso o torna criminoso, mas além disso, seu projeto econômico já falhou antes da pandemia, falha agora e não pode ser conduzido por outra pessoa que não cometa esses crimes e seja mais palatável. É um projeto que deve ser derrubado junto com ele, pois também fracassou.
O trabalho continua movimentando a riqueza, isso ficou evidente quando parte dele teve que parar com o confinamento social. Uma lição que precisamos tirar dessa crise é que corrigir os erros passa hoje não só por retirar Bolsonaro da presidência, mas que ele leve junto essa ideia de que a precarização do trabalho, transformar o abandono social numa política pública, tudo isso traria riqueza, desenvolvimento. Esse projeto falhou. A sociedade precisa se unir para proteger o trabalho e quem trabalha.
A força que movimenta a sociedade e gera riqueza continua sendo o trabalho. Um grande viva a classe trabalhadora!
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