O STF escancara as portas para barbárie
O argumento da liberdade de expressão justifica, então, os assassinatos cometidos pela polícia. A discriminação aos pretos, aos homossexuais, às mulheres, aos índios e aos pobres. O cerceamento às exposições, à peças de teatro, à artistas ou qualquer performance cultural
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A ministra Cármen Lúcia proibiu o ENEM de anular as redações que desrespeitem os direitos humanos.
O STF liberô geral. Virou a casa da mãe Joana. Os grupelhos fascistas estão assanhados diante de todas essas vitórias. Agora que ficou evidente que esse bando nunca foi contra a corrupção mudaram suas bandeiras, tornaram-se censores. Como nos bons tempos da ditadura. E as instituições continuam a dar corda aos seus desmandos...
Há dois problemas a meu ver que interferem diretamente no resultado do exame.
Primeiro. A ministra provocou um desequilíbrio entre os candidatos. Estava em edital que quem desrespeitasse os Direitos Humanos teria sua redação anulada.
Os alunos sabem do peso da redação na nota final. E aqueles que estudaram com afinco evidentemente se preocuparam em entender o que é esse tal de Direitos Humanos, com receio de cometerem algum deslize. E compreender o DH leva tempo. São horas de leituras, de discussões, de esclarecimentos. Direito a vida, à dignidade, à felicidade. As garantias individuais, civis, políticos, sociais, econômicos, culturais, difusos e coletivos. Cada item destes abre um leque de novos debates. Toma tempo.
Agora o candidato que não se interessou sobre este assunto levou vantagem. Além de poder usar os argumentos chulé dos programas policiais, tipo “Direitos humanos para Humanos direitos”, “ Bandido bom é bandido morto”. Ou os discursos esdrúxulos dos fascistas, racistas, homofóbicos, sexistas. Ganhou tempo decorando datas, tabuada, nome de vermes, fórmulas etc.
Parece exagero, mas para quem levou a sério os estudos e as normas do edital, o CDF, com certeza, se sentiu prejudicado e injustiçado. E não são poucos.
O STF mudou as regras no início do jogo. Isso não se faz.
Segundo. O STF, cuja conduta é questionável, mostra mais uma vez que é um tribunal de exceção. Abriu mais uma exceção, agora à selvageria. É o tribunal da barbárie. Pois, um dos alicerces do mundo civilizado é justamente o respeito aos direitos humanos. O supremo deixou há muito tempo de ser o guardião da constituição. Cármen fez um desserviço ao Brasil. Com essa liberação o país deixa de ser mais digno. Agora é a lei do cão.
O argumento da liberdade de expressão justifica, então, os assassinatos cometidos pela polícia. A discriminação aos pretos, aos homossexuais, às mulheres, aos índios e aos pobres. O cerceamento às exposições, à peças de teatro, à artistas ou qualquer performance cultural. Lastreia também a perseguição aos seguidores da umbanda, do candomblé, de Maomé e aos esquerdistas.
Mais. Se o candidato, entusiasmado com essa liberdade dada pela ministra, escrachou os judeus, ele será processado por crime?
O STF que impede que nos tornemos um pouco mais civilizados é o mesmo que tem o poder de tirar o país deste caos político econômico que os golpistas nos meteram.
Há esperança? Sim, se ocuparmos as ruas. Pressionarmos e enfrentarmos todos os atores do golpe.
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