O som da finada democracia

Mais de mil escolas seguem ocupadas em protesto contra a PEC da Morte, a 241, que impõe cortes de verbas nas áreas sociais, na saúde e na educação, e também contra a Medida Provisória que reforma drasticamente o ensino médio sem discussão prévia

Mais de mil escolas seguem ocupadas em protesto contra a PEC da Morte, a 241, que impõe cortes de verbas nas áreas sociais, na saúde e na educação, e também contra a Medida Provisória que reforma drasticamente o ensino médio sem discussão prévia
Mais de mil escolas seguem ocupadas em protesto contra a PEC da Morte, a 241, que impõe cortes de verbas nas áreas sociais, na saúde e na educação, e também contra a Medida Provisória que reforma drasticamente o ensino médio sem discussão prévia (Foto: Luciana Oliveira)


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Tão logo os militares tomaram poder em 1964, a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Rio de Janeiro, foi metralhada e incendiada, a entidade passou à atuar na clandestinidade e o estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, 18, foi assassinado por policiais. O país mergulhou no caos.

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Para reprimir as manifestações contra o regime da ditadura baixaram o AI-5, um coquetel molotov que autorizava arbitrariedades contra os insurgentes.
Se passaram 52 anos e os estudantes voltam a protagonizar a luta contra o autoritarismo que sucede um golpe.

Mais de mil escolas seguem ocupadas em protesto contra a PEC da Morte, a 241, que impõe cortes de verbas nas áreas sociais, na saúde e na educação, e também contra a Medida Provisória que reforma drasticamente o ensino médio sem discussão prévia.

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Só no Distrito Federal há sete escolas ocupadas em cidades-satélites, cinco institutos técnicos federais e a Universidade de Brasília (UnB).

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Inacreditavelmente, o juiz Alex Costa de Oliveira, da Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) determinou que se reprima as ocupações com técnicas de tortura.

Ele mandou cortar o fornecimento de água, luz e gás das unidades de ensino, impedir o acesso de familiares e amigos e pasme, fazer barulho até que desocupem.

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O juiz ordenou que a polícia utilize “instrumentos sonoros contínuos, direcionados ao local da ocupação”, para impedir que os estudantes tenham sono”, submetendo-os à uma técnica de tortura utilizada na prisão de Guantánamo.

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A tática de convencimento por tortura psicológica afeta, inclusive, moradores vizinhos.

O juiz da Infância e Juventude ainda ressaltou na decisão que a cumpram independentemente da presença de menores no local.

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“É uma reedição de técnicas de tortura. São considerados meios mais amenos, por assim dizer, por que não tem violência direta, mas isso agride física e mentalmente os estudantes. Visa criar o caos entre os jovens. Não é para convencer. É autoritário e violento”, afirmou o advogado Renan Quinalha, que auxiliou os trabalhos da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo.

Folheie o calendário por meio da literatura e ache dia 31 de outubro, só que de 1964, e verá que na mesma data alunas da Faculdade de Filosofia da Universidade de Santa, no Rio de Janeiro, encenavam o “Enterro da UNE”.

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Com um cortejo fúnebre lamentavam: “Participamos aos colegas o falecimento do órgão máximo do movimento estudantil brasileiro – a UNE. Está consumada a pressão governamental, atentando contra um dos mais sagrados direitos do Homem – o da liberdade, na pessoa do estudante do Brasil.”

Neste 31, os estudantes reafirmaram que o som da finada democracia não os fará assumir o papel de carpideiras.

Vão lutar! De novo.

Do Blog da Luciana Oliveira

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