O samba do racismo reverso

Não vou entrar no mérito da execução do samba apresentado no vídeo acima, mas gostaria de advertir a Malu e a outros que pensam como ela que o preconceito racial é sempre uma via de mão única e tentar voltar pelo caminho de ida é se arriscar a morrer na contramão

Não vou entrar no mérito da execução do samba apresentado no vídeo acima, mas gostaria de advertir a Malu e a outros que pensam como ela que o preconceito racial é sempre uma via de mão única e tentar voltar pelo caminho de ida é se arriscar a morrer na contramão
Não vou entrar no mérito da execução do samba apresentado no vídeo acima, mas gostaria de advertir a Malu e a outros que pensam como ela que o preconceito racial é sempre uma via de mão única e tentar voltar pelo caminho de ida é se arriscar a morrer na contramão (Foto: Nêggo Tom)


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Alô, unidos do Brasil 247! Chora cavaco! Surta repique! Desabafa surdão! Chegou a hora! Arrepia bateria! Vamos falar de racismo. Mas, de novo? Pela introdução, pensei que fosse falar de samba. Sim, de samba também. Mas vamos dar mais uma pincelada na matéria e aplicar um simulado, porque tem gente que ainda não aprendeu. Muito já se falou e já se constatou, que racismo reverso não existe, a não ser na imaginação fértil de alguns brancos, que juram, aos pés da cruz, já terem sido vítimas dele. Perdoai-os, senhor! Eles não sabem o que dizem.

Casos de racismo reverso, como o do cara branco que sempre é seguido pelo segurança do shopping ou que sempre gera suspeita quando adentra um ambiente frequentado normalmente por pretos. Ou da jovem branca que teve os seus cabelos lisos reprovados e ridicularizados pelas alunas negras da mesma sala de aula na universidade. Ou do outro que foi convidado por um porteiro negro, a usar o elevador de serviço, porque a sua pele branca não combinava muito com o social e da outra que sofre preconceito por cantar samba e não aguentando mais tanta opressão, desabafou em rede nacional e ofereceu o ritmo sincopado de sua canção, aos preconceituosos que praticam racismo reverso. 

Eu confesso, que, as vezes, fica difícil lidar com as conveniências de boa parte da nossa sociedade não preta, mas se é o que temos, precisamos encarar essa realidade de frente. Quando a Malu Magalhães aparece em um programa de tv, de grande audiência, e se coloca na condição de discriminada por tocar samba, ela mostra que entrou na avenida desconhecendo o enredo da escola, ignorando a evolução e apenas se preocupando em exibir o luxo da sua fantasia. Fantasia essa, que só se materializa no seu universo musical, que quando se propõe a tocar samba, soa tão imaginário quanto o racismo reverso que ela sugere sofrer.  O que pode ser conferido nesse vídeo:



Não vou entrar no mérito da execução do samba apresentado no vídeo acima, mas gostaria de advertir a Malu e a outros que pensam como ela que o preconceito racial é sempre uma via de mão única e tentar voltar pelo caminho de ida é se arriscar a morrer na contramão. Já tivemos a história do turbante usado por uma jovem branca e que suscitou muitos questionamentos sobre apropriação cultural. E o samba também vai entrar na roda. Até porque, durante muito tempo, ele foi visto como coisa de marginal, malandro, vagabundo e preto. E não havia muitos brancos que quisessem ser identificados como sambistas, ou que lutassem pelo direito inalienável de poder tocar o baticundum.
 
Mas, como já sabemos, o nosso racismo é orgânico, extraído de um sistema supremacista branco, que quando quer tornar algo tido como racial e culturalmente inferior, melhor aceito ou mais digerível, costuma "branquinizar" o objeto de rejeição, o que acaba caracterizando uma apropriação. Não que Malu esteja tentando se apropriar do samba, até porque, o samba sempre esteve aí para quem quisesse desfrutá-lo ou executá-lo. Muitos é que nunca quiseram ou tinham receio de se misturar. Mas, por que diabos, Malu e outros historicamente privilegiados socialmente pela cor da pele não provocam uma discussão em prol de uma verdadeira igualdade racial, que insira no contexto social, pretos e brancos, sem senões, entretantos ou poréns? 

Por que alguns gostam de tirar uma onda na "cozinha" dos outros, mas não permitem que os outros frequentem a sua "sala"? A mente da nossa sociedade racista funciona da seguinte forma: Eu posso tudo, mas você só pode o que eu quiser ou o que eu achar que você deve, ser, ter ou fazer. O Branco costuma ser inserido com facilidade em qualquer contexto, desde que este lhe seja favorável. Já o preto, precisa de autorização para transitar em locais diferentes ou que sejam considerados fora do seu habitat natural. Eu estou até pensando em gravar um vídeo cantando "Sweet Child O' Mine" e dedicar a todos que acham que preto não pode cantar rock. Talvez fizesse mais sentido do que o samba da Malu.
 
Não deixe o samba morrer e deixe quem quiser cantá-lo. Ainda que o atravessem de vez em quando.

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