O riso diante do genocídio
Excetuando-se o uso da Covid-19 como “diversão” capaz de deixar passar o desmatamento, como defendido pelo ministro da Destruição Ambiental, não se falou da pandemia. Mas - Atenção! - isto não é sinal da inépcia de um governo já por si inepto
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ESTUPRO E MORTE
1942. Soldados nazistas assaltam um vilarejo eslavo, fuzilam adolescentes e crianças, e estupram as mulheres, antes de matar.
Três generais, em viagem de carro pela estrada 0próxima, param, assistem a parte do massacre com risinhos cúmplices, e se vão.
Guarde esta cena. Voltaremos a ela.
É FASCISMO!
O que de fato se revelou, com a exibição da reunião de 22 de abril do mais idiota gabinete de governo da história do país, foi a barbárie que nos dirige, inimiga declarada de qualquer diversidade ou pluralismo, seja ideológico, político ou comportamental.
Dentre os críticos desta horda bestial, e uns poucos eleitores pseudoarrependidos, alguns ainda refutavam o adjetivo FASCISTA aplicado a Bolsonaro e trupe. Depois de assistir à reunião isso já não é possível.
Testemunhar como debatem e decidem, os membros do alto escalão, destruiu os coloridos vitrais pelos quais Poliana via o mundo. A negação do fascismo de Bolsonaro foi atirada ao irresponsável caldeirão onde se misturam cinismo, covardia, e omissão.
DO QUE NÃO SE FALOU
Porém, há mais do que o explícito naquela tosca e medonha versão bolsonarista da “Conferência de Wannsee”.
Excetuando-se o uso da Covid-19 como “diversão” capaz de deixar passar o desmatamento, como defendido pelo ministro da Destruição Ambiental, não se falou da pandemia. Mas - Atenção! - isto não é sinal da inépcia de um governo já por si inepto.
Muito ao contrário, Bolsonaro e os generais, estão bem cientes da catástrofe. Tanto que a 26 de maio divulgaram o quadro brasileiro com 391.222 casos e 24.512 mortes confirmadas, sendo 16.324 casos, e 1.039 mortes, só nas últimas 24h antecedentes.
SABEM QUE É GENOCÍDIO
Bolsonaro e os generais também sabem do modelo de análise estatística do instituto de métrica da Universidade de Washington, que subsidia as decisões da Casa Branca. Segundo a projeção, o Brasil pode chegar, em média, ao total de 125 mil mortes em 6 de agosto.
Bolsonaro e os generais têm amplo conhecimento do modelo, o qual aponta o total de mortes no Brasil entre o mínimo de 68.311, se adotarmos um rígido isolamento social, e o máximo de 221.078 mortes, com a liberação geral que o mentecapto número um da nação defende.
Por que, então, Bolsonaro e os generais combatem o isolamento social? A resposta tem dois componentes principais, dentre outros dos quais não trataremos, pois pertencem ao campo da psiquiatria.
“VIVA LA MUERTE!”
A primeira razão é que Bolsonaro e os generais consideram a morte de 150 mil brasileiros, a mais, como “banal”. São “baixas de combate” às quais dão de ombros, desde que o total não comprometa a “economia de guerra”.
Na verdade, Bolsonaro e os generais se vêm até tentados a incluir como “baixas” os “vagabundos” do STF, do Congresso, e prefeitos e governadores que defendam o isolamento social.
A outra razão principal vem de quem define, para Bolsonaro e os generais, a “economia de guerra”.
Pode parecer estranho que num governo onde os generais são autoridades máximas em saúde, energia, mineração, articulação política, infraestrutura, orçamento e contas públicas, eles só não entendam de “economia de guerra”. Porém, é assim.
VIVA O VÍRUS!
Para entender a “economia de guerra” Bolsonaro e os generais dependem de Paulo Guedes. E para Guedes as mortes causadas pela pandemia mais ajudam do que comprometem, como já expôs sua subordinada no ministério, Solange Vieira:
“É bom que as mortes se concentrem entre os idosos. Melhorará nosso desempenho econômico, reduzirá nosso déficit previdenciário.”
É simples assim o cálculo. Quanto maior o número de mortes dos “indesejáveis”, sejam idosos, miseráveis, índios, ciganos, ou “comunistas”, melhor para a “economia de guerra”.
QUEM DECIDE?
Além de saúde, energia, mineração, articulação política, infraestrutura, orçamento e contas públicas, Bolsonaro e os generais também são as maiores autoridades na interpretação do direito brasileiro. Dominam a hermenêutica como ninguém!
Exemplo maior é o caso da saúde pública. Três artigos da Constituição a definem como responsabilidade comum, tanto de municípios e estados, quanto da União. E o STF reafirmou exatamente isto, em 15 de abril.
Entretanto, esta “interpretação” contraria a “economia de guerra”!
Tal contrariedade, aliada ao fato de que o fascismo é uma teoria política toda própria (“Eu sou a Constituição!”), permite que Bolsonaro e os generais tratem as autoridades públicas que defendem o isolamento social como “traidores da pátria”. E que se ponham a uivar que as medidas de isolamento determinadas são arbitrariedades inconstitucionais.
O MASSACRE?
Não, o massacre não deriva da pandemia. A matança virá em seguida, consequência inescapável das decisões jurídicas e legislativas terem migrado dos tribunais e do parlamento, para as mãos (“mentes” seria impróprio) de Bolsonaro e dos generais.
Decidindo pessoalmente o que é constitucional, ou não, nada impede que Bolsonaro defina você como “vagabundo”. Sobretudo se a “ciência” dos generais, ou a “economia de guerra” de Paulo Guedes, entender que esta definição é “necessária”.
E uma vez que você seja definido como “vagabundo”, lei alguma impedirá sua prisão, tortura e assassinato, ou o estupro de sua mulher e filhas por militares ou milicianos bolsonaristas, com posterior “eliminação”, termo, aliás, também empregado na reunião de 22 de abril.
RISOS
Os generais impediriam a barbárie?
Assistam novamente ao vídeo da reunião do gabinete Bolsonaro, e reparem no risinho dos generais presentes, ante as mais obscenas e atrozes falas.
É o mesmo risinho dos generais que assistiram ao massacre de um vilarejo eslavo, em 1942.
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