O rega-bofe de Mourão e a indigestão da democracia

"Está claro que, da dupla, Mourão é o que aparenta maior preocupação com a falta de planejamento e de rumo do clã que governa o país", avalia o jornalista Florestan Fernandes Jr., do Jornalistas pela Democracia, sobre o encontro do vice-presidente Hamilton Mourão na Fiesp; "O prestígio de Bolsonaro está em baixa, o governo está paralisado e em crise com o Congresso e o STF. Como na véspera de 31 de março de 1964, o general vice-presidente saiu da Fiesp para um jantar com 30 empresários na casa de Paulo Skaf. Desse rega-bofe pode sair uma bela indigestão para a nossa democracia"

O rega-bofe de Mourão e a indigestão da democracia
O rega-bofe de Mourão e a indigestão da democracia (Foto: Adnilton Farias/VPR)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Por Florestan Fernandes, do Jornalista pela Democracia - Na terça feira, dia 26 de março, enquanto Bolsonaro curtia com a mulher o filme "Superação - O Milagre da Fé", o vice Hamilton Mourão encarava uma sessão bem indigesta com líderes empresariais na Fiesp. A federação - que ainda guarda na sua sede patos e sapos que desfilaram na Avenida Paulista nas manifestações contra Dilma Rousseff, agora tem dificuldade para carregar o estandarte do sanatório mental que tremula na capital do país.

A tragicomédia às vezes nos leva a boas gargalhadas, como quando o vice afirmou para o PIB paulista que Bolsonaro é um estadista. Imagino a cara dos 500 empresários que estavam no auditório Todos eles sabem, e nunca se preocuparam com isso, que o "mito" é um produto das fake news e, provavelmente, da CIA. Está longe de ser um estadista, assim como Mourão está longe de ser um democrata. Mas é o que a elite plantou e está colhendo agora: goiabas, bananas e muitas laranjas.

Está claro que, da dupla, Mourão é o que aparenta maior preocupação com a falta de planejamento e de rumo do clã que governa o país. No encontro, Mourão fez promessas que não pode garantir neste momento, como reduzir a carga tributária, aprofundar as reformas e mudar o pacto social estabelecido pela Constituição de 1988.

continua após o anúncio

Ressuscitando a política econômica da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher (1979/90), considerada moderna por alguns e trágica para os trabalhadores e para setores importantes da economia, Mourão prometeu ampliar as privatizações, inclusive de áreas sensíveis como a saúde e a educação. O discurso, que está mais para promessas de campanha, deve ter ampliado ainda mais a ira do guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho. Ele, que já chegou a chamar Mourão de "idiota", demonstra preocupação com um possível puxão de tapete dos generais que cercam Bolsonaro. Motivos para isso não faltam. Afinal, o prestígio de Bolsonaro está em baixa, o governo está paralisado e em crise com o Congresso e o STF. Como na véspera de 31 de março de 1964, o general vice-presidente saiu da Fiesp para um jantar com 30 empresários na casa de Paulo Skaf. Desse rega-bofe pode sair uma bela indigestão para a nossa democracia.

(Conheça e apoie o projeto Jornalista pela Democracia)

continua após o anúncio
continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247