O público é um projeto social

Toda empresa ou negócio público é antes um conceito, um princípio e uma proposta social. No conflitivo cenário social e econômico brasileiro, uma iniciativa pública é objetivamente uma esperança ante ao desmonte nacional perpetrado pela economia do setor privado



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Não é economia de mercado; o correto é economia com mercado ou mercados. A estratégia da modernização do Estado e dos seus serviços pelo viés da privatização de serviços básicos é velha e superada receita.
 
Não... Que não fique a falsa impressão de que sou um "estadolatra" inveterado ou defensor de privilégios descabidos às velhas castas e que sempre se apossaram do Estado brasileiro.
 
O que defendo é que em um Estado como o brasileiro, lento, moroso, anti-social, patrimonialista e integralmente submetido ao jogo de cartéis de empresários, aos seus monopólios e oligopólios que este mesmo Estado se mantenha minimamente presente e atual e com alguma margem ou possibilidade de manobra neste mesmo mercado.
 
A defesa é a mesma feita pelas melhores cabeças do pensamento econômico nos idos de 1990, instante em que a avalancha neoliberal, principal estratégia anglo-americana de re-territorialização de capitais especulativos, devastou toda a América Latina com miséria, desemprego e subemprego.
 
O pensamento a ser defendido em nome de uma sociedade minimamente coesa, equilibrada e republicana é o que respeita aos atributos e funções estatais em fazer alguma frente ao avanço dos interesses corporativos, privados e empresariais.
 
Diferentemente do que defende o pensamento neoliberal as dinâmicas de mercado, o jogo anômico do capitalismo de corporação não tende ao equilíbrio. Não é equilibrado que a vida econômica de duzentos milhões de brasileiros esteja submetida ao humor e sanha de meia dúzia de grandes bancos; que meio continente esteja na pendência/dependência de um grupelho de capitalistas ou neo-capitalistas ciosos pela acumulação "ad eternum" de capitais pela via da apropriação estatal, pela precarização do trabalho e pelo extermínio ambiental.
 
Sem tergiversar, o Estado é Estado se regular; no caso, se impedir ou ao menos mitigar os danosos efeitos dessa lógica de apropriação perpetrada pela galáxia financista que se alimenta da soberania de países, sobretudo, países da periferia, das rendas populares, do trabalho social e do cotidiano das pessoas que vivem e gravitam, mesmo sem saber, em função de metas e indicadores da banca e que ao menos, privatizou o cotidiano de homens e mulheres do trabalho.
 
A atual luta de sindicatos e movimentos sociais goianos pela manutenção de empresas como a CELG e SANEAGO é bem antes, uma luta republicana, social e em favor do já muito falido Estado de Goiás.
 
A ideia é que com esse instrumental político-estatal o Estado possa arquitetar políticas de desenvolvimento; efetivar mecanismos geracionais de renda em condições de espraiar rendas aos micro e pequenos empreendimentos; fomentar o surgimento de novos pontos ou centros econômicos Estado afora; propor novos padrões de crescimento e mesmo de desenvolvimento econômico.
 
A esse respeito, quem não se lembra da arquitetura financeira efetivada pela Presidente Rousseff em seu primeiro mandato quando trava monumental batalha pela redução de juros e com explícita oposição dos "bancões" operantes no país?
 
O que Dilma fez para bancar a redução? Se utilizou da rede de bancos oficiais (Banco do Brasil, Caixa, BNDES, Banco do Nordeste) para pressionar o "frentão" privado. Dilma determinou a redução dos juros praticados a partir da rede oficial e os privados, como consequência, viram-se às voltas com a real possibilidade de perderem um sem-número de correntistas. O que fizeram? Tiveram que, da mesma forma, reduzir os, ainda hoje, escorchantes juros.
 
Empresas públicas e estratégicas como bancos, geradoras de água ou energia, construtoras, vias e auto-estradas centrais servem para o público e para democratizar as rendas públicas mas servem também para impedir o avanço plenipotente da economia privada, necessariamente, concentradora de renda e geradora de miséria nas periferias da economia geral e real.
 
Toda empresa ou negócio público é antes um conceito, um princípio e uma proposta social. No conflitivo cenário social e econômico brasileiro, uma iniciativa pública é objetivamente uma esperança ante ao desmonte nacional perpetrado pela economia do setor privado. É do que se trata.

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