O problema é a ‘corrupção legalizada’

Para se ter uma noção das dimensões da entrega dos nossos recursos, seriam necessárias nada menos que 280 mil malas, como as do Geddel, para acondicionar a dinheirama do rombo provocado pela Medida Provisória 795/2017, aprovada pela Câmara

EC Angra dos Reis (RJ) 22/01/2014 Casco da primeira sonda do prÈ-sal chegou ao Brasil - Visita ao Estaleiro BrasFels, em Angra dos Reis, onde ser· construÌda uma das sondas de perfuraÁ¿o do prÈ-sal, encomendada pela Sete Brasil. Foto de Fabio Rossi / AgÍn
EC Angra dos Reis (RJ) 22/01/2014 Casco da primeira sonda do prÈ-sal chegou ao Brasil - Visita ao Estaleiro BrasFels, em Angra dos Reis, onde ser· construÌda uma das sondas de perfuraÁ¿o do prÈ-sal, encomendada pela Sete Brasil. Foto de Fabio Rossi / AgÍn (Foto: Márcio Bueno)


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Estudos das Consultorias Legislativa e de Orçamento da Câmara dos Deputados concluíram que a Medida Provisória 795/2017, aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada, imporá ao país perdas da ordem de 40 bilhões de reais ao ano, ou 1 trilhão de reais nos próximos 25 anos.

E não se pode julgar, condenar e prender ninguém, nem aqueles que estão nos roubando, nem os seus cúmplices internos, que deixaram as portas abertas para facilitar o assalto. Por quê? Porque trata-se de ‘corrupção legal’, isto é, aprovada pela Câmara, ainda que seja a mais desmoralizada da história da República.

É quase impossível imaginar o que significa 1 trilhão de reais. Para que o leitor possa ter uma noção, vamos comparar esse valor com os 51 milhões de reais, em dinheiro vivo, encontrados nas 14 malas que desfrutavam da hospitalidade do ex-ministro Geddel Vieira Lima, na idílica capital baiana.

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As malas, fruto de ‘corrupção ilegal’, botavam dinheiro pelo ladrão. No entanto, essa fortuna de Geddel não passa de um óbolo, de uma esmola, perto do que o Brasil vai perder, devido à legalização dessa monumental sonegação de impostos.

As petroleiras ficaram livres de recolher os impostos relativos à exploração de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos e isentas também de pagar os impostos que deveriam incidir sobre a importação de máquinas e equipamentos, principalmente plataformas. Pelos próximos 25 anos.

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Se 50 milhões (arredondando) cabem em 14 malas, são necessárias para acondicionar 1 trilhão de reais nada menos que 280 mil malas. Não é erro de digitação, não. É isso mesmo: 280 mil malas, ao longo da vigência da MP. Para chegar a esse resultado, basta uma regra de três simples.

É claro que valores como esse não são movimentados em espécie, em moeda física, e sim por simples impulsos eletrônicos. No caso em questão nem há movimentação.

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O roubo é sorrateiro, silencioso, surdo. O assalto se consuma exatamente pela não movimentação. Trata-se simplesmente de ‘sonegação autorizada’, de não recolher os impostos devidos. A isenção é geral e retira recursos preciosos que seriam investidos na saúde, na segurança, na educação e na ciência e tecnologia.

Malas de viagem (vazias) como as encontradas no apartamento do ex-ministro custam, por baixo, 300 reais cada uma. Para comprar as 280 mil malas seriam necessários, portanto, 84 milhões de reais.

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É inacreditável, mas a fortuna de Geddel, embora monumental, não seria suficiente nem pra comprar a embalagem, ou seja, as malas necessárias para abrigar a dinheirama toda que nos será subtraída.  

Os números parecem tão absurdos que, antes da publicação do artigo, essas contas foram feitas e refeitas várias vezes e, para maior segurança, foram consultados dois economistas, que aprovaram os cálculos.

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Lembre-se: essa montanha ‘alpina’ de dinheiro refere-se apenas ao estrago que será provocado por uma Medida Provisória. Não estão computadas as vendas, a preços de banana, verdadeiras doações, de várias empresas, inclusive estratégicas para o desenvolvimento do país, como são a Eletrobras e os poços de pré e de pós-sal.

Greg Hands, ministro do Comércio da Inglaterra circulou pelo Brasil metendo as mãos (hands) na nossa soberania, fazendo lobby para favorecer a Premier Oil, a British Petroleum e a anglo-holandesa Shell.

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Segundo o inglês The Guardian, Hands foi bem sucedido em conseguir as isenções (caso único no mundo), além de mudanças na legislação ambiental. Em suma, o governo britânico, por meio de seu representante, foi coautor da Medida Provisória.

E não é só isso. Redigida a MP, representantes da Shell atuaram à luz do dia dentro do próprio Congresso Nacional, convencendo os parlamentares a aprová-la. Com que argumentos, ninguém sabe, embora, pelos precedentes, todo mundo saiba.

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É de se perguntar também: os 51 milhões de reais das malas do Geddel têm alguma relação com os leilões do pré-sal e com a aprovação da MP? Se têm, está provado que, além de serem corruptos e lesa-pátrias, os geddéis ainda são uns lesados, que abrem mão de recursos gigantescos, comprometendo o futuro do país, em troca de quase nada. Não servem nem pra corruptos.

280 mil malas... E tem muita gente que ainda hoje acredita que a razão do impeachment foram as pobres das pedaladas fiscais e a decisão de moralizar a administração pública através dos insuspeitos Jucá, Moreira, Geddel, Padilha, Temer, etc.

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