O perdão de Lula e a esquerda pós-PT
"Perdoar" golpistas? Quem perdoa golpistas? Mas não é possível que até agora não tenham entendido quem, de fato, seja Lula? É inacreditável que militantes e cientistas políticos sérios não identifiquem que esse ziguezagueamento de Lula é um traço definitivo do seu "ethos" político; é fina elaboração política
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Para começo de conversa a esquerda pós-PT é esquerda anti-petista, logo, é um misturado dúbio e indecifrável de propostas, projetos, discursos e intenções. É risco de cabo a rabo!
A questão central é que Lula da Silva é o principal animal político da muito arriscada, diversificada e desequilibrada ecologia política do país. Esse "cabra" está por, pelo menos, quinze anos no topo, no cimo da cadeia alimentar dessa selva; não é por acaso. Entendam: Lula é um predador político nato.
Tem faro político; tem leitura dos reais agentes da política; sabe dos seus hábitos e vícios; das preferências alimentares de cada um/uma dessa fauna; identifica com precisão quem é quem no movimento de territorialização política; como ratos fazem para a garantia de espaços; como víboras e outras serpentes se agrupam e como as rapinas escolhem suas vítimas.
Tudo o que Lula faz, mas absolutamente tudo, é parte e expressão desse seu conhecimento empírico, objetivo e estratégico acerca da confusa política brasileira.
Vai tricotando com o povo e seus movimentos sociais por um lado e fazendo amarrações na mais ampla e intensa articulação política nacional/internacional desde as notórias greves dos metalúrgicos e que, não por acaso, encabeçou no final dos setenta. Lula, por sinal, é a principal oposição ao governo Temer mundo afora.
O último rebu a envolver Lula se deu porque taticamente, em aberta performance discursiva, como que mandando recados conciliatórios e pacifistas ao povo brasileiro que, por fim não aguenta mais essa trágica e decadente política que nos governa, afirmou que "perdoa" os golpistas.
Pois bem... Bastou isso para a "esquerda do ranço" destampar sua verborragia militante e estéril! "Isso é um pelego", "já está compondo com a direita", "Lula traidor" e figurinhas repetidas desse naipe.
Garantir resposta para esse amplo espectro da esquerda é missão impossível. É que, primeiro, não é correto falar em esquerda, são esquerdas. Tem desde a turma do PCB com o seu insuperável saudosismo infanto-bolchevique; passando por um esquizofrênico PSTU e que escancarou, todos lembram, seu apoio ao golpe de 2016; até ao idiossincrático e identitário psolismo de feição acadêmico-carioca. É uma geleia geral multi-color, uma ampla colcha de retalhos e que, pelo menos, não admite entendimento ou totalidade minimamente coerente e inteligente.
"Perdoar" golpistas? Quem perdoa golpistas? Mas não é possível que até agora não tenham entendido quem, de fato, seja Lula? É inacreditável que militantes e cientistas políticos sérios não identifiquem que esse ziguezagueamento de Lula é um traço definitivo do seu "ethos" político; é fina elaboração política; é opção consciente e deliberada a envolver uma necessária sobrevida política nessa selva turva e perigosa.
Não é verdade que Lula "endiretou"; que é uma "neo-direita", aliás se Lula se pautasse politicamente pelo simplismo binário da esquerda/direita e que, não raro é sobremaneira, empobrecido pela sanha concorrencial da esquerda pós-PT, Lula seria apenas Luís Inácio da Silva; sequer teria havido um Partido dos Trabalhadores e que, aceitemos isso ou não, mas que garantiu grandes e importantes contribuições para a ninharia de democracia (?) e que temos nesse país.
Seu parlatório que parece uma teologia propedêutica, aliás é só perceber as palavras-chave utilizadas por Lula ("minha mãe", "meus filhos", Deus, perdão, povo, amor, gente, libertação, Brasil, honestidade, Nordeste, vida...) para identificar o mais puro e primitivo vernáculo clerical em seus falares e simbologias.
Isso é bom? É ruim? Difícil dizer... O certo é que é um muito original pragmatismo político que obedece a requintada dialética política própria visando, por fim o poder institucional. É sofisticado invento vocabular e comunicacional que visa atingir, finalmente, a quem deve atingir; que sensibiliza a quem deve sensibilizar: a maioria do povo brasileiro.
Lula não está lançando teses doutorais para o complexo e atravancado pensamento político e acadêmico brasileiro, ao contrário, fala para os que irão e, quem sabe, pôr fim a esse enorme merdeiro e que tomou conta do Brasil. É do que se trata!
Por fim, é preciso que se diga com a sinceridade que o tempo e a história exigem que a esquerda pós-PT é muito pior do que o PT. Em outra letras: nós estamos fritos!
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