O juiz Bretas conseguiu transformar Cabral em vítima
Se Cabral merece condenação por vários crimes contra o Estado, cabe à Justiça decidir dentro do devido processo legal, com a presunção da inocência e com ampla defesa. O que não pode haver são vinganças pessoais por destempero de magistrados
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A decisão arbitrária do juiz Marcelo Bretas de transferir o ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB) para um presídio federal não é justa. Se deu por vingança.
A transferência para prisões federais de Estados diferentes se justifica para impedir, por exemplo, que os chefes do tráfico de drogas sigam no comando das atividades criminosas. Esta, obviamente, não é situação de Cabral, que já foi condenado há 72 anos de prisão em primeira instância, se somados todos os processos.
O juiz Bretas é o mesmo que há dois meses atrás mereceu desagravo por parte de personalidades, artistas, intelectuais e até parlamentares progressistas e até alguns de esquerda por ter mantido preso ilegalmente o megaempresário dos ônibus do Rio, Jacob Barata Filho, solto dias depois pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.
Decisões como esta do juiz Bretas só confirmam que vivemos num Estado de exceção. Arbítrios como esse e com quem quer que seja, devem ser denunciados e combatidos em nome do Estado Democrático de Direito.
O que ocorreu com Cabral pode ocorrer, daqui por diante, com todos que estejam na mesma situação. A transformação de políticos em bandidos é um dos mais perigosos reflexos da caça às bruxas que se instalou no país pela maldita Operação Lava Jato. Setores do judiciário, do Ministério Público (MP) e da Polícia Federal (PF), recorrem a métodos fascistas e que fortalecem grupos reacionários na sociedade brasileira.
Se Cabral merece condenação por vários crimes contra o Estado, cabe à Justiça decidir dentro do devido processo legal, com a presunção da inocência e com ampla defesa. O que não pode haver são vinganças pessoais por destempero de magistrados.
Nós, comprometidos com um projeto democrático, popular e de esquerda, em hipótese alguma, podemos fortalecer a judicialização da política.
No mais, a falência do Estado do Rio tem menos a ver com corrupção e muito mais com a queda do preço do petróleo e com a recessão planejada pelas equipes econômicas de Levy e Meirelles.
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