O interesse de Temer pela Venezuela

 Por mal sinal, não se nomeia um tipo bravio como Aloysio Nunes para a muito importante chancelaria do país por mero acaso. O que a diplomacia brasileira quer e está apostando todas as suas fichas é em uma Venezuela conflagrada

Manifestantes da oposição ao governo da Venezuela em Caracas 10/07/2017 REUTERS/Andres Martinez Casares
Manifestantes da oposição ao governo da Venezuela em Caracas 10/07/2017 REUTERS/Andres Martinez Casares (Foto: Ângelo Cavalcante)


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Mais do que Trump, quem quer a Venezuela na arriscada ebulição de uma guerra civil é o ilegítimo Michel Temer. Por mal sinal, não se nomeia um tipo bravio como Aloysio Nunes para a muito importante chancelaria do país por mero acaso. O que a diplomacia brasileira quer e está apostando todas as suas fichas é em uma Venezuela conflagrada.

De fato, será uma carnificina só comparável com a Guerra do Paraguai (1864 - 1870) quando as tropas de Solano Lopez resistiam bravamente ao avanço das armadas do Brasil, da Argentina e do Uruguai.

Todo o cone sul será abalado e revirado e os refugiados venezuelanos irão se espraiar caoticamente do Rio Grande, na imediata fronteira mexicana com os Estados Unidos até a Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina. Será crise humanitária sem precedentes para todo o sub-continente da América Latina.

A fronteira Brasil/Venezuela, fundamentalmente líquida, com 2.199km de extensão (apenas 90km são convencionais) e definida pela linha divisória das águas entre as bacias do Amazonas (Brasil) e do Orinoco (Venezuela) é, desta feita, território sensível e estratégico para essa infernal possibilidade.

Um cataclismo de tais proporções é argumento mais do que suficiente às pretensões de continuidade e perpetuação da tirania de Temer. O "capo" do PMDB mata dois coelhos com uma cajadada só. De cara, suspende todas as agendas eleitorais em nome, é claro, da segurança nacional; articula as forças nacionais em toda a assim chamada Amazônia Legal e garante, por fim, a base e a logística para a beligerância no vizinho país caribenho.

Os Estados Unidos, evidentemente, farão o resto em matéria de reconstrução geopolítica para toda "Nuestra Patria". Seria, de fato, o pior dos mundos! O Fora Temer já é urgente questão internacional.

Ângelo Cavalcante - economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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