O Golpe é de Ninguém - Banal e Natural

Os atores partícipes desse "Recall Político", nomeado por Impeachment (tupiniquim), ao forjarem a sua validade dão mostras claras que golpearem a Presidente eleita, a Democracia, o Estado de Direito e o voto popular ao trocarem de forma dolosa "coelho por lebre", num cenário já inundando e banalizado pelo mal radical em suas bases



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"O maior mal perpetrado é o mal cometido por Ninguém, isto é, por um ser humano que se recusa a ser pessoa".
- Hannah Arendt

Pode-se conjecturar que no Brasil atual, após as eleições de outubro de 2014, os ânimos já exaltados durante a campanha presidencial entre os eleitores da candidata Dilma Rousseff e os eleitores do candidato Aécio Neves, bem mais aguerridos do que os torcedores do velho clássico carioca "Fla-Flu", ao contrário do dia seguinte ao jogo de futebol, quando esses ânimos se apaziguam, o que se viu foi um permanente recrudescimento do sentimento de negação e recusa do resultado do "jogo eleitoral".

Os torcedores (eleitores) derrotados, ao invés de admitirem o placar, apesar da natural frustração diante da derrota, passaram a delirar um "terceiro tempo", inexistente tanto nas regras do futebol quanto nas regras constitucionais democráticas da nossa Pátria.
O candidato derrotado, Aécio Neves, representante da chamada Elite Branca brasileira e seus adeptos, associados aos meios de comunicação (PIG), deflagraram um intenso ataque à figura da candidata vitoriosa e aos integrantes do seu Partido, jamais visto na história da imprensa nacional, eminentemente ao ex-presidente Lula. A partir de técnicas obscuras e maldosas, contaminaram grande parte da população brasileira, especificamente àquela derrotada no jogo democrático, adestrando-os e incitando-os naquilo de mais subterrâneo que carregam em si: o ódio animal humano com as suas consequências (ou inconsequências).

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Também se pode pensar que as ações oriundas da mobilização emocional alienante impetrada pelos meios midiáticos, ao contrário do que se esperava da conduta desses sujeitos e demais setores políticos, acatando e respeitando o resultado democrático das eleições, caminharam na posição oposta, promovendo uma insana comoção nacional infundada e irreflexiva, portanto injustificada e delirante: "Fora Dilma", completamente despropositada, impossibilitando, veementemente, o processo natural do luto diante da perda, conforme ocorre naturalmente após os "Fla-Flu".

Esses atores derrotados se utilizaram, até o presente momento, de jargões prontos à margem do campo discursivo, impossibilitando-os de qualquer forma de diálogo, mas tão somente o que se vê e se ouve são "ecolalias infantilizadas epidêmicas", nas ruas, nas redes televisivas e sociais, no Congresso Nacional (Câmara e Senado), nos restaurantes...

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Nesta direção, não restou aos atores derrotados outra alternativa, diante de seus sentimentos rasos não elaborados, senão a condenação insana e sumária daquela que os derrotaram democraticamente.

Perderam, negaram, deliraram e condenaram; só faltava criar um "fato legal" que legitimasse a persistência dos seus malfeitos irados. Assim, deturparam e violaram a Constituição de forma maldosamente hermenêutica à luz de suas trevas mentais.

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Pelo visto, com o afastamento da Presidente Dilma, vítima portanto de um "estelionato hermenêutico" movido pelo ódio, a ira e a recusa da realidade, criou-se uma ficção: Impeachment ("O processo de impeachment não deve ser confundido com o "recall político", que é, usualmente, iniciado por eleitores e que pode ser baseado em "acusações políticas": por exemplo, má administração política, sem evidente viés criminoso.". - Wikipédia).

E o mais preocupante desse processo deflagrado é sua "naturalização", ou como diria a filósofa Hannah Arendt, a sua banalização: "A Banalização do Mal", pois tentam transformar uma ficção patológica mental e política numa realidade maldosa irrefutável "goela abaixo" do povo brasileiro, embora indigesta e regurgitada pelos estômagos dos brasileiros mais saudáveis e mais esclarecidos.

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Em nada obstante, a filósofa judia-alemã, Hannah Arendt (1906-1975), naturalizada norte-americana em 1951 devido à retirada de sua nacionalidade alemã em 1937, quando foi encarcerada pelo regime nazista, acompanhou todo o processo de Adolf Eichmann (1906-1962), oficial da Gestapo nazista, responsável pelo extermínio de milhões de pessoas, durante a Segunda Guerra Mundial, capturado na Argentina e julgado em Jerusalém no ano de 1961. Hannah Arendt foi enviada como correspondente pela revista norte-americana The New Yorker para cobrir as sessões do seu julgamento público em Israel. Em 1963, baseado nos artigos publicados pela The New Yorker, a autora desenvolveu

uma análise sobre Eichmann, publicada no livro: "Eichmann em Jerusalém", onde aprofunda o seu conceito de "Banalidade do Mal". Durante o seu interrogatório e nas suas entrevistas concedidas à Arendt, Eichmann se comporta, de forma absoluta, à revelia do pensamento reflexivo, atribuindo às suas ações apenas aos seus superiores, eximindo-se de qualquer participação sua, portanto não implicando nos seus atos bárbaros, esvaziando a sua condição de sujeito singular e se transformando num "Ninguém".

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Isso posto, os atores partícipes desse "Recall Político", nomeado por Impeachment (tupiniquim), ao forjarem a sua validade dão mostras claras que golpearem a Presidente eleita, a Democracia, o Estado de Direito e o voto popular ao trocarem de forma dolosa "coelho por lebre", num cenário já inundando e banalizado pelo mal radical em suas bases.

Se se pergunta hoje aos seus "carrascos" o motivo dessa vingança vil, após o afastamento da Presidente Dilma pelo Senado, com certeza ouviremos:

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"Fora Dilma", "Fora Lula", "Fora PT", "Fora Corrupção", "Lugar de Corrupto é na Cadeia" – num verdadeiro mecanismo paranoico, pois o mal é projetado apenas no Outro que ele persegue – embora não consigam explicar no campo discursivo do Simbólico uma justificativa reflexiva de seus jargões, confirmam tão somente o imaginário da ficção banalizada em detrimento do mal que fizeram emergir na realidade social da nossa Pátria, eliminando-os completamente da condição de sujeito singulares e alocando-os, definitivamente, na condição de "Ninguém".

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