O encantado mundo de Aécio

O discurso de Aécio Neves no Senado Federal no ontem, 04/07, é um libelo; uma homenagem ao vício e a decadência política brasileira; mais do que enfadonha descrição auto-justificante expressa e retrata a essência, o espírito do atual momento pela qual passa o moribundo PSDB e seu movimento

aecio neves
aecio neves (Foto: Ângelo Cavalcante)


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O discurso de Aécio Neves no Senado Federal no ontem, 04/07, é um libelo; uma homenagem ao vício e a decadência política brasileira; mais do que enfadonha descrição auto-justificante expressa e retrata a essência, o espírito do atual momento pela qual passa o moribundo PSDB e seu movimento. É sua síntese, o que seja, uma agremiação de direita e que de uma vez por todas, abriu mão do horizonte mais fundamental de qualquer política: o povo.

Discurso coerente, afinado e muito bem articulado com o que Aécio de fato e de história já representa na política brasileira, um criminoso educado, elegante e comprometido com os interesses mais mesquinhos, rasteiros e atrasados da sociedade brasileira.

Na tentativa de se reconciliar com a política não enredou apenas esforço vão; foi miseravelmente tosco e desumano com o que nos resta de vida social e racional no decadente Brasil pós-golpe. Cada palavra emitida em torno do seu vitimismo de cena era de arrasar com aquilo que já não temos: paciência.

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"Tu falas com um cadáver entre os dentes" diria Joseph Goebbels, o ideólogo da muito eficiente propaganda nazista. Aécio, bem pior, trazia um enorme e putrefato morto esparramado nas suas arcadas, o defunto da verdade e, como todo totalitário, iniciou seu discurso, higienizando o debate e proibindo aparteamentos e intervenções para de forma matreira se distanciar de questões, digamos, "desnecessárias" e nessa pinguela seguiu no forçoso e patético modelito de um vitimismo de quinta categoria se dizendo polianamente, vítima de um criminoso; desconsiderando gravações, filmagens e centenas de fotos que o incriminam em acordos, negociações e ameaças.

No encantado mundo de Aécio a investigação científica da polícia federal que, por sinal, se banqueteou com a fartura de provas dos seus crimes e cartesianamente distribuídos em, por exemplo, um autoexplicativo arquivo de nome "CX-2", evidentemente em referência a "caixa dois" nada, absolutamente nada, tinha a dizer.

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E do púlpito do Senado contou histórias incríveis e ao fim, nada disse! Olhem... Sinto alivio quando sei que parte dos brasileiros não se esqueceu do escândalo do seu aeroporto de catorze milhões de reais e construído na cidade de Claudio (MG), por óbvio, com dinheiro público; do desvio de 7,6 bilhões de reais da saúde de Minas Gerais quando era governador; de Paulo Roberto Costa, da máfia da Petrobras e de seus repasses para Sérgio Guerra (ex-presidente do PSDB e morto em 2014); das máfias da CEMIG, estatal mineira de energia, controlada por muito tempo por tucanos com a participação direta, por sinal, do inconfundível Alberto Youssef.

Finalmente, Aécio é bandido notável e portador de fantástica ficha corrida! Réu em oito inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF); existem outros cinco inquéritos abertos no âmbito da Operação Lava Jato em função da enxurrada de delações de executivos e ex-executivos da Construtora Odebrecht e outros dois, a partir das delações do ex-senador Delcídio do Amaral.

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No seu maravilhoso contorcionismo verbal só não contou do repasse de quinhentos mil reais que Ricardo Saud, executivo da JBS, fez ao seu primo, Frederico Pacheco e que em seguida e pontualmente, repassou para Mendherson de Souza Lima, assessor do também senador mineiro, Zezé Perrela (PMDB-MG), aquele do helicóptero cheio de cocaína.

O que era? Propina? Repasse? Correção? Sobra de campanha? Atualização de pagamento? Gratidão ou atestado de idoneidade pública? De certo é invenção do PT. Fala sério...

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