O drama da direita está no pós-golpe
Tirar uma presidente eleita pela maioria dos brasileiros é sempre mal negócio. Estamos inexoravelmente sentados sob um barril de pólvora prestes a explodir a qualquer momento
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"Os interesses financeiros de meia dúzia de pessoas precisam primeiro colonizar nosso espírito para depois poderem assaltar nosso bolso e drenar os recursos de toda a sociedade - por meios legais e ilegais - para o bolso de uma elite mesquinha que sempre foi indiferente ao destino do país". (Jessé Souza)
A estratégia de convencimento, bem azeitada, por sinal, e que justificou o golpe que destituiu a presidente Dilma Roussef (PT) foi centrada em dois pilares essenciais. O primeiro, de caráter educativo e pedagógico, é que a crise não pode, de fato, ser entendida! Melhor dizendo, ela até pode e deve ser entendida desde que sob o viés e as narrativas da grande mídia; intelectuais sérios e rigorosos saberão interpretar o que se passou nesta abjeta contemporaneidade política... Sem problemas! O fundamental é que a maioria de nossa população "compreenda" o mais torpe golpe contra o país somente pelas descrições da TV Globo e caterva. Esse aspecto é absolutamente definidor para a composição de mais este golpeamento contra o povo brasileiro.
Um golpe com tais características; sem canhões, tanques, fuzileiros tomando conta das capitais do país; sem uma gota de sangue derramado; sem o aprisionamento ou exílio de quem quer que seja e ainda aprovado pelas "casas do povo" só pode ser um golpe profundamente pedagógico!
Mas, como conta o jargão policial, "não existe crime perfeito" e a definitiva e grave questão é que ainda hoje a população não compreendeu a queda da Presidente Dilma. O vacilo da pedagogia do golpe é que a eficiência que derrubou Dilma não se aplica no pós-golpe!
Temer é um pária nacional e internacional; um dejeto político que não é respeitado nem pelos próprios apoiadores; representa, diferentemente do que muita gente pensa, a falência da direita e não seu ascenso. Falar em "falência da direita" neste momento é importante porque tenho lido com certa frequência, inclusive de bons analistas, dos muitos erros do PT, de Lula, Dilma e de toda a esquerda.
A direita acertou? Onde? Como? Acertou ao derrubar Dilma? Quem disse? Que estratégia foi essa? Tirar uma presidente eleita pela maioria dos brasileiros, portanto, elemento de estabilização nacional é sempre mal negócio e... Estamos inexoravelmente sentados sob um barril de pólvora prestes a explodir a qualquer momento.
Enfatizo que o fato da imensa parte dos brasileiros "não entender" o golpe é problema grave. Não é um dado menor, aliás, é problema nevrálgico para os cérebros do golpe. Tem a inesquecível frase do presidente americano Abraham Lincoln que afirma que "pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos, todo o tempo". Estejam seguros de que da ignorância, da alienação e do desconhecimento jamais nascem coisas boas.
As fichas da aposta foram lançadas nas narrativas mídio-partidárias que, inevitavelmente, descambam e potencializam o binarismo típico de "Fla-Flu" que, por conseguinte, lega para o conjunto da população, pouco afeita a maiores problematizações, se posicionar a partir do miúdo esquema do "bem/mal", "certo/errado", "justo/injusto", "honesto/desonesto".
Desse cenário psicossocial e que fora fundamental para o enraizamento do golpe, a direita fez o resto; logo ela que jamais teve problemas de princípios com a corrupção passou a se arvorar retumbante, com falas garbosas e carregadas de sonoridades pela moralidade da coisa pública e pela prevalência de princípios republicanos como se, vejam bem, sobrevivessem a dez minutos de um republicanismo minimamente profundo.
No prefácio do revelador "A Radiografia do Golpe - Entenda como e por que você foi enganado" do professor Jessé Souza (Editora Leya), o autor afirma que: "É apenas porque nunca compreendemos verdadeiramente os golpes de Estado anteriores que este atual pôde acontecer exatamente do mesmo modo, defendendo os mesmos interesses mesquinhos de sempre. Sem autocrítica, nos tornamos presas do eterno retorno dos mesmos medos e mecanismos que nos controlam desde a mais tenra idade, sem sequer dispor de qualquer defesa contra eles. E, assim como acontece com os indivíduos, uma sociedade aprende somente com a autocrítica".
Entender a história brasileira e sua ampla passarela de matanças e extermínios de grupos sociais; o papel do Estado brasileiro, este serviçal de monopólios e oligopólios daqui e de alhures é ter a própria essência da historicidade política brasileira em mãos e ao fim, entenderemos que a derrubada de Dilma por um sindicato de ladrões é o mesmíssimo enrendo de uma farsa/tragédia de nome Brasil e conduzida pelas piores e mais subalternizadas elites do hemisfério sul.
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