O ano perdido

Infelizmente, completamos um ano perdido marcado por golpes contra o povo. O Brasil precisa reerguer-se urgentemente. Somente com a saída do ilegítimo será possível retomar o crescimento nacional baseado numa lógica desenvolvimentista e socialmente justa

Presidente Michel Temer durante conferência em Brasília 22/08/2017 REUTERS/Adriano Machado
Presidente Michel Temer durante conferência em Brasília 22/08/2017 REUTERS/Adriano Machado (Foto: Alice Portugal)


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Um ano depois de Michel Temer tomar o poder por meio de golpe parlamentar e jurídico, o Brasil contabiliza graves prejuízos trazidos pelos sucessivos desmontes do Estado democrático soberano e pelo agravamento da crise econômica e política.

Sem respaldo do voto popular, o presidente ilegítimo retoma a agenda ultraliberal dos anos 90, priorizando um projeto político derrotado nas eleições de 2014. O país anda para trás quando o governo aposta na redução do papel do Estado na economia. Privatizações, retirada de direitos sociais, restrições ao emprego, criminalização da política e postura subalterna na política externa não resolvem os problemas estruturais da nação. Pelo contrário, pioram a situação.

Os brasileiros mais pobres estão entre os grupos mais prejudicados em razão de decisões governamentais contrárias a interesses sociais. No segundo trimestre deste ano, um em cada cinco lares brasileiros não tinha renda fruto do trabalho formal ou informal, conforme estudo do Valor Econômico.

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Em outra frente, há um esforço do Executivo para arrebentar a indústria brasileira e para entregar o patrimônio público ao capital estrangeiro. Nesta semana, a aprovação do desmonte do BNDES (MP 777/17) representou o fim das políticas de fomento. O encarecimento dos financiamentos de longo prazo para máquinas, equipamentos, pesquisa e infraestrutura acabará com o banco, que deixará de ter relevância estratégica.

A venda da Eletrobrás por R$ 20 bilhões, valor bem abaixo do mercado, significará entregar o setor energético brasileiro a banqueiros e rentistas. À população, restará pagar contas de luz mais caras. O mesmo foi feito com a Petrobras, que perdeu a exclusividade, nos últimos leilões das jazidas do pré-sal. É inaceitável que Temer abra mão de elementos fundamentais de apoio emancipatório do país. Vale lembrar que um dos primeiros atos do golpista foi a derrubada da lei que assegurava 75% dos royalties do petróleo para educação e outros 25% para a saúde. De janeiro a junho, 70% das universidades tiveram cortes nos recursos repassados.

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Graças a uma maioria artificial montada no Congresso, Temer aprovou também o texto-base do projeto que amplia o rombo orçamentário de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões em 2017 e 2018. O aumento de despesas de R$ 20 bilhões, entretanto, mais uma vez é para arcar com juros da dívida e não para investimento em políticas sociais. A votação prosseguirá na próxima semana. Vamos intensificar a luta contra esse orçamento fraudado.

Infelizmente, completamos um ano perdido marcado por golpes contra o povo. A Reforma Trabalhista defenestrou direitos ao alterar 96 artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A mudança acabou com a Justiça do Trabalho que foi transformada em cartório. O salário mínimo foi reduzido. Os golpistas tentarão ainda retirar o direito à aposentadoria por meio de uma Reforma da Previdência excludente e desumana.

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O Brasil precisa reerguer-se urgentemente. Somente com a saída do ilegítimo será possível retomar o crescimento nacional baseado numa lógica desenvolvimentista e socialmente justa. Só a pressão das ruas pode evitar que um projeto tão perverso ao Brasil e à população possa continuar. Uma segunda denúncia da Procuradoria Geral da República contra o corrupto Temer chegará em breve ao Parlamento. Será mais uma oportunidade de unirmos forças para derrotar definitivamente o entreguista. Nas redes e nas ruas, a Bancada do PCdoB estará mobilizada para o combate.

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