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Em Fortaleza, em um bairro nobre, um grupo de pessoas empobrecidas disputou com um caminhão de lixo os restos de comida que estavam para ser levados pelo serviço de limpeza pública
Ali, naquelas cenas, estava a marca do governo de Bolsonaro e de seu fiel escudeiro, o ministro Paulo Guedes, esse mesmo presidente que a CPI da Covid não sabe como classificar, apesar de tantas evidências.
Enquanto uma comitiva se prepara para viajar a Dubai custeada pelo erário público, a fome se torna a realidade mais angustiante do país, uma vez que a pandemia parece já ter feito o maior número de vítimas possível, graças à vacinação, ainda que tardia.
Movimentos de solidariedade se multiplicam, porém, é sabido que sem política pública não há como debelar a fome: uma política que tenha um projeto de recuperação econômica e a capacidade de construir uma infraestrutura duradoura.
Apesar de ser de conhecimento geral a necessidade da construção desse tipo de política, e, também, que o neoliberalismo e o seus simpatizantes, isto é, os que têm mantido esse estado de coisas, não têm capacidade para promover nem uma nem outra coisa. Há os que insistem na necessidade de achar uma terceira via, que fique entre o que estamos e o onde precisaríamos ir, se quisermos construir uma solução duradoura para o país, isto é, querem uma terceira via que crie uma mistificação capaz de manter os privilegiados enquanto sugere uma ilusão pacificadora aos explorados.
Chamam de polarização a diferença que há entre passar fome e comer; como se houvesse um meio termo possível, uma situação em que a pessoa nem come nem passa fome.
Com a agravante de que essa é uma ação de que insiste em negar uma história exitosa que, finalmente, tirou o Brasil da pecha de país do futuro para torná-lo uma celebrada realidade do presente.
A dor crescente que assola o país, diante desse quadro macabro, é fruto do prurido difuso de que a morte, o luto, a fome e a miséria não têm sido suficientes para despertar-nos da letargia alimentada pela desesperança, como se nós, o chamado povo brasileiro, não fôssemos capazes de sacudir o servilismo gestado na escravização para ver-nos como nossa própria opção de libertação.
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