Não tenho provas, mas tenho convicção

A convicção, que aparentemente está acima da lei no Brasil, pode até conseguir prender o ex-presidente Lula. Mas ela será, futuramente, a mesma convicção que continuará justificando a violência contra os homossexuais, o machismo, os atentados terroristas...



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Nos primórdios da civilização acreditou-se que a terra fosse plana. Não existiam provas, mas havia a convicção.

Depois, acreditou-se que os negros fossem uma raça inferior à branca. Não existiam provas, apenas a convicção.

Posteriormente, acreditou-se que as mulheres não tinham a capacidade de refletir e que, por isso, não deveriam nem votar, nem trabalhar. Suas atividades deveriam se resumir ao universo doméstico. Não havia provas de que isso fosse verdade, mas havia convicção.

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Houve, ainda, um famoso ditador alemão que afirmou serem os judeus a escória do mundo. Não havia prova, mas havia convicção.

Existe, atualmente, algumas centenas de pessoas (dentre elas até ex astronautas norte-americanos) que afirmam que o mundo é governado por uma raça extraterrestre, os reptilianos. Não existem provas de que isso seja verdade, mas existe a convicção.

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Jesus Cristo foi crucificado pelos romanos por ter sido considerado um falso profeta. Não haviam provas, mas havia convicção.

Quando a convicção é suficiente para provar o que não nos prova os fatos, o que podemos esperar?

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No instante em que o Ministério Público Federal (na figura dos procuradores Deltan Dallagnol e Roberson Henrique Pozzobom) afirma que o ex-presidente Lula é o "comandante máximo do esquema de corrupção" investigado pela Operação Lava Jato, sendo beneficiado com cerca de R$ 3,7 milhões em propina concedida pela empreiteira OAS, ela, ao menos na teoria, deveria apresentar as provas que justificam tal acusação, certo? Errado! O Ministério Público Federal se satisfaz com a seguinte afirmação: "Não temos como provar. Mas temos convicção".
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Aos que dizem que a ideia de "partidarização" do Ministério Público não passa de exagero, deixo algumas curiosidades:

O procurador Roberto Henrique Pozzobom é o mesmo que, a alguns meses atrás, esteve envolvido em uma polêmica. Em áudio vazado na internet, o procurador induzia claramente um trabalhador a incriminar o ex-presidente Lula.

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O relatório que serviu de base para o Ministério Público fazer a denúncia contra o ex-presidente partiu de um delegado chamado Márcio Anselmo, que possui um histórico contrário a Lula. "Anti-petista" declarado, o delgado já chegou a chamar o ex-presidente de "anta".

Em novembro de 2014, o jornal "O Estado de São Paulo" publicou uma matéria onde revelava que, vejam bem, TODOS os delegados da Operação Lava Jato eram simpatizantes do PSDB e do então candidato à presidência da República, Aécio Neves.

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Não lhes parece claro?

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Por fim, a opinião do professor de Direito Constitucional da PUC/SP, Pedro Estevam Serrano: "É absolutamente ilegal um agente do Estado afirmar que um cidadão é 'comandante máximo de um grupo criminoso' sem que ele sequer tenha tido oportunidade de defesa. Neste caso, o agente está descumprindo o dever jurídico de preservar a imagem e a figura do réu", e completa: "há uma roupagem jurídica para o que, no fundo, é um julgamento político, com suspensão dos direitos da Constituição. Creio que o objetivo é o de evitar a participação de um candidato popular com chances de vitória nas eleições de 2018".

A convicção, que aparentemente está acima da lei no Brasil, pode até conseguir prender o ex-presidente Lula. Mas ela será, futuramente, a mesma convicção que continuará justificando a violência contra os homossexuais. É a mesma convicção que continuará justificando o machismo. É a mesma convicção que continuará justificando os atentados terroristas. É a mesma convicção que continuará justificando, tal como Mallone Morais prega, a liberação da pedofilia e da pornografia infantil. Por fim, será a mesma convicção que, um dia, se voltará contra você. A convicção desregrada promove o caos. E é justamente por isso, vejam só, que existe a lei.

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