Não é um homem que deve falar pelas mulheres

Precisamos ter vez e voz, em todos os espaços de poder, não é um homem que deve falar pelas mulheres

Ato Por Todas Elas na Avenida Paulista (SP) contra o estupro
Ato Por Todas Elas na Avenida Paulista (SP) contra o estupro (Foto: Paulo Pinto/AGPT)


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Quando assumi o cargo de vereadora na cidade de São Gonçalo um dos meus principais compromissos era dar voz as pautas das mulheres que tanto sofrem e estão marginalizadas dos espaços de poder de nossa cidade. Foi por esse motivo que lutei, desde meu primeiro dia de mandato, para a criação da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos e Políticas das Mulheres. 

É bom lembrar que antes, o que existia na casa legislativa era apenas uma comissão que englobava os assuntos de mulher, criança, adolescente, idosos e pessoas com deficiência. Portanto, a separação dos assuntos relacionados a defesa dos direitos e a elaboração de políticas públicas para as mulheres foi uma conquista coletiva de nossa atuação e uma resposta a situação calamitosa que enfrentávamos. Um ano antes, em 2019, São Gonçalo foi o quarto município que mais registrou denúncias de violência contra a mulher segundo dados do Dossiê Mulher. 

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Com a institucionalização de uma comissão própria conseguimos avançar em novos dispositivos legislativos e políticas públicas de proteção a mulher. Fizemos desse espaço um ambiente apropriado para discutir as pautas que envolvem o universo feminino como a saúde da mulher, planejamento familiar, creches, empreendedorismo, maternidade, entre outros. Através de discussões conjuntas, aprovamos na casa a lei 1296/2021 que instituiu o Programa Municipal de Enfrentamento ao Feminicídio indicando uma série de ações de combate, conscientização, acolhimento e transparência dessa questão. 

Também por meio da comissão permanente, implantamos a Sala de Orientação à Mulher Gonçalense (SOMG), que ao longo dos últimos meses atendeu mulheres que precisavam dos mais diversos tipos de auxílios, oferecendo gratuitamente atendimento com profissionais de alta qualidade na área de psicologia, assistência social, direito entre outros. 

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Esse progresso que fizemos com ampla participação das mulheres gonçalenses, agora está ameaçado por uma manobra cruel dos vereadores que hoje formam maioria na casa. No apagar das luzes desse ano legislativo, destituíram da presidência da comissão a única mulher eleita do município colocando no lugar um HOMEM. Para amenizar o vexame, alegam que no próximo ano uma vereadora suplente assumirá o posto. O que me questiono é, como alguém alçada ao cargo da vereança de forma provisória poderá ter independência para questionar o HOMEM que lhe cedeu a vaga?

Com todo respeito que sempre tive pelos colegas parlamentares, jamais me calarei diante de tamanho ato de violência política. Precisamos ter vez e voz, em todos os espaços de poder, não é um homem que deve falar pelas mulheres. Irei a todas as esferas possíveis para reaver o espaço que construímos juntas, porque lugar de mulher é onde ela quiser.  

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