Não acreditem em 2017

Politicamente seguiremos em uma instabilidade que continuará nos aprontando surpresas infelizes; ao que consta, será o ano em que o PSDB seguirá dando cartas; não teremos eleições diretas e; a máfia da direita empavonada continuará em renhidas e criminosas disputas pelo poder



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As ressoadas das paneladas daquele infame exército de alienados e mal-intencionados seguirão em alta grimpa no país. Nem precisamos prever nada! 2017 será 2016 na política e na economia; será uma extensão de mais perversão e maldade contra pobres e trabalhadores desse país dramático.
 
Politicamente seguiremos em uma instabilidade que continuará nos aprontando surpresas infelizes; ao que consta, será o ano em que o PSDB seguirá dando cartas; não teremos eleições diretas e; a máfia da direita empavonada continuará em renhidas e criminosas disputas pelo poder.
 
Ao PT e as esquerdas caberá uma oposição menor, ainda que importante. Continuarão sem definir uma pauta única de ações; avançarão fragmentados e incapazes de constituir alguma unidade de efetiva importância para a política nacional e que conforme se vê, escorre frouxa para os esgotos.
 
Na economia continuaremos com a pior recessão da história econômica do Brasil e que já é tida por muitos como insolúvel depressão estabelecida e que subcategoriza a produção nacional por intermédio de dramáticos desinvestimentos nas atividades da economia real; por maior potência para atividades financeiras que seguem livres, soberbas e sem qualquer tipo de controle ou regulação estatal e, por fim; em um tipo de precarização do trabalho que é processado em série, em sequência onde o trabalho, e seja ele qual for, é desconstituído não só de leis ou proteções que o façam valer, mas é capado de símbolos essenciais e que o identificavam com a própria constituição de riquezas.
 
O bom senso sugere não acreditar em 2017. Será um ano tão perverso como o foram 2015 ou 2016. As mesmas forças políticas e econômicas que sabotaram o governo de Dilma continuarão aniquilando o Brasil. Seguirão desconstruindo o muito pouco e que fora feito para afiançar alguma decência para a lastimável vida de oitenta por cento dos brasileiros.
 
Será o ano em que o ensaio das medidas ou tragédias jurídicas e aprovadas por Temer e sua cambada no congresso nacional nos oferecerão aperitivos, doses miúdas do que ainda está por vir. Políticas civilizacionais na educação ou na saúde adentrarão mirradas e tímidas no já fracassado 2017.
 
Mas, como é de costume, a direita midiática continuará tentando nos convencer de que é "para o nosso bem!"; de que é para "o bem do Brasil!" e; de que "sem essas medidas" nada poderia dar certo, então, acreditem, Temer veio para nos "salvar da falência" e iniciada pelos malditos governos do PT.
 
Não acreditem em 2017! A Globo seguirá em sua militância diária e anti-Brasil; a PM continuará reprimindo estudantes e trabalhadores e; o congresso avançara ferrando com você, com sua vida e da sua família e o pior... Você seguirá acreditando que é o melhor para todos nós!
 
Se temos alguma esperança? É claro que temos e são várias! Ela, a esperança, está ativa e provocante nas periferias; na nova arte que é feita; inovadora e libertária; no pensamento crítico e científico que se firma e se consolida como a principal arma política contra o perigoso avanço da direita fascista brasileira; nas ocupações das escolas e que já são estratégias de formação e atuação política; nas greves das universidades que passam a agregar novas experiências formativas e intelectuais a envolver professores, estudantes e comunidade; nas redes sociais onde militantes sociais sérios lançam denuncias inteligentes e criativas anunciando um porvir político diferenciado; nos blogs ou plataformas de comunicação centradas na informação verificada, criticada e assegurada; na economia solidária e presente cada vez mais nas periferias e nos arranjos sociais e econômicos do povo pobre. A esperança está na educação política de jovens trabalhadores e que já entenderam que ou eles fazem a sua própria história ou ninguém fará por eles.
 
A esperança, esta esperança equilibrista a que se refere João Bosco e Aldir Blanc, está por fim, no refazimento da cultura política anti-capitalista e que retoma com força e vigor a inevitabilidade do socialismo e do controle social da produção além, é claro, de uma nova e fértil estética militante e que começa a despontar onde a face iluminada de certo comandante cubano e recentemente desaparecido, de sorriso sutil e provocador e sempre acompanhado de seu indefectível charuto passa a ser o emblema dessa nova vanguarda a estampar camisetas dos necessários rebeldes e agitadores do mundo.
 
Não acreditem em 2017! Sejam solidários com as lutas do povo e aí as coisas começam a ganhar sentido.

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