Muito mais que um golpe
O Partido dos Trabalhadores tentou, entre ranços e avanços, mitigar os dramas do Brasil. Por meio de muita política, paciência e acordos vieram programas, ações e investimentos fundamentais para o povo. Como se bem sabe, em um piscar de pálpebras, fora impiedosamente classificado como partido demagogo e populista
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É escancaradamente desrespeitoso um criminoso como Temer estar à frente do governo da nação; aliás, esse indivíduo e sua camarilha de Renans, Jucás, Padilhas, Cunhas, Caiados, Serras, dentre outros é destes malogros nacionais que já está no amplo panteão dos absurdos brasileiros, tais como: a seca no nordeste, a escravidão brasileira, as favelas do país, o padrão de miséria do povo ou o golpe de 1964.
O governo de Temer é um crime contra a nação. A direita e seus senadores evidentemente não veem isso, acham e mesmo defendem que Temer e seu bando irão dar "novo" rumo para o Brasil. Me digam, pode haver absurdo maior do que esse?
Temer irá "peemedebizar" o Brasil, irá tornar a nação uma fragorosa ruína internacional; o Mercosul e as possibilidades de alguma e eventual integração desapareceram; os BRICS, uma inteligência saída fundamentalmente da chancela arrojada de Celso Amorim e de suas amplas e sensíveis angulares em torno de outra geopolítica assentada em um necessário mundo multipolar foi desmoronada; os demorados e imprescindíveis intercâmbios Sul-Sul e que envolvia toda a América Latina, a África e o sudoeste asiático simples e inexoravelmente viraram, meras intenções em forma de papeletas dispostas em algum arquivo-morto do Itamaraty.
O Brasil enquanto "player internacional" some para docemente retomar seu lugar no previsível figurino de neo-colônia, obviamente, serviçal e caudatária do hegemonismo da já decadente tríade do capitalismo mundial: Estados Unidos, Europa e Japão.
Com Temer/Serra, o país vira as costas aos povos da América Latina; ignora a África e nossa histórica e estrutural relação com seu mundo e; solidariedade internacional vira letra morta e defunta nas novas diretrizes do ilegítimo governo do PMDB.
Essa trágica opção nos lança em um vazio político gigantesco e de difícil solução posto que o intercâmbio comercial nesses blocos ou eixos de países era apenas parte das costuras internacionais tocadas pelo Brasil e pelos países ditos emergentes a fim de gerar novas formas de integração, inserção e atuação não só para o Brasil mas para todos os países vítimas históricas da sanha exploratória internacional e moderna, do trágico e genocida colonialismo europeu ou de guerras imperialistas e que ainda hoje ocorrem aos borbotões.
O fato é que não é verdade que o infame golpe de 31 de agosto de 2016 tenha nos lançado em 1964. Antes fosse... Nesse período as teses do desenvolvimento estavam presentes e na flor da pele; tínhamos nomes como Celso Furtado, Caio Prado Júnior, Ruy Mauro Marini, Anysio Teixeira, Josué de Castro, Paulo Freire, dentre outros, interpretando o Brasil à luz de suas contradições e de sua história. Os lados eram claros, precisos e muito bem definidos. Existiam teses a serem disputadas!
A lobotomia ideo-política lançada de forma intermitente pelo oligopólio midiático contra o povo do país; a falência ética e moral do judiciário brasileiro; a irreversível podridão que se abateu sobre o tal do congresso nacional mais; a ampla camorra e que se tornou o sistema político brasileiro nos catapultou para o Brasil pré-Vargas.
Já somos um anacronismo politico; um trágico ajuntado econômico de impossível equacionamento pelas vias institucionais e clássicas porque, tão somente, a economia brasileira não admite reformas e; o pior, socialmente, somos uma bomba-relógio que dispara de forma intermitente contra pobres, pretos e marginalizados do campo ou da cidade.
O Partido dos Trabalhadores tentou, entre ranços e avanços, mitigar os dramas do Brasil. Por meio de muita política, paciência e acordos vieram programas, ações e investimentos fundamentais para o povo. Como se bem sabe, em um piscar de pálpebras, fora impiedosamente classificado como partido demagogo e populista.
Curioso... Não nos esqueçamos de que foram exatamente os populistas que criaram todas as estatais e que ainda hoje servem ao país; de que foram eles que industrializaram esta terra; que refundaram a pátria por meio de universidades, centros de pesquisa e institutos técnicos espalhados por todo o território nacional; de que foram os populistas que criaram modernas e ousadas leis do trabalho e que ainda hoje persistem, apesar do DEM, do PSDB, do PMDB e da FIESP.
Nada, nada... Foram os mesmos populistas, esses "malditos populistas" que tiveram a capacidade político-gerencial de converter um dos mais atrasados países de economia primária do mundo em uma das principais e maiores economias industrializadas do mundo.
Contra a "peemedebização" do Brasil e que implica em mais oligarquia, monopólios, autocracias e centralização do poder em poucas e miúdas mãos, nos cabe resistir sempre e cada vez mais aos crimes de Temer.
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