Moro venal

"A serviço de quem Moro quebrou o país e ajudou a eleger Bolsonaro?", questiona o deputado Rui Falcão

Sergio Moro
Sergio Moro (Foto: REUTERS/Adriano Machado | Reprodução)


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Juiz venal e parcial, pois várias de suas sentenças foram anuladas por decisões do  Supremo Tribunal Federal (STF), Sérgio Moro  saiu do Judiciário e virou ministro  da Justiça de Bolsonaro. Sequioso pelo poder, serviu  ao genocida quando impediu a candidatura do ex-presidente Lula, o favorito  nas pesquisas de opinião.

Embora sua esposa, mentora e cúmplice, considerasse ele e Bolsonaro "uma coisa só", o fato é que desentendimentos entre os comparsas enxotaram do palácio o chefe da Lava Jato, que hoje persegue eleitores em busca de um mandato que lhe assegure imunidade.  

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Arrogante, autoritário e avesso à transparência, Moro  sonegou informações de interesse público, alentando as suspeitas  sobre sua recente e controversa passagem pela Alvarez&Marsal. 

Pressionado pela decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que abriu o sigilo de documentos da consultoria norte-americana, e pelo desgaste já detectado por seus parceiros da aventura eleitoral, Moro resolveu divulgar o que disse ter recebido em honorários: uma bolada de R$ 3,5 milhões pelos serviços prestados.

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Viciado em inquirir e acusar, Moro recusou-se a responder perguntas durante a "live"combinada com um deputado que lhe serviu de escada. Diante do esquivo comportamento do ex-juiz,. que deixou  o Judiciário mas continua dentro dele o que há de pior naquela instituição, novas indagações surgiram.

Afinal, porque sua contratação, em princípio como sócio, foi em seguida rebaixada a "consultor"? Para além de um inescapável conflito de interesses, não haveria também pagamentos por informações privilegiadas? A quantia de R$ R$ 811.890,00  que ele diz ter recebido de uma só vez, refere- se a que tipo de serviço? No informe do pagamento apresentado, consta que teria trabalhado 86,67 horas entre 16/06/2021 e 30/06/2021, mas a notável faina envolveu quais projetos? 

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Eis porque, diante de tantas perguntas sem respostas, protocolei, junto à Procuradoria Geral da República (PGR), em 03/02 último, pedido de investigação preliminar para que se averiguem as  inusitadas movimentações financeiras do hoje candidato e ontem enigmático consultor. Respaldada em argumentos de advogados de reconhecido saber jurídico, a representação requer do dr. Augusto Aras que oficie à Secretaria da Receita Federal (SRF)  e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras para elucidar o seguinte:

1. Existe na SRF algum tipo de apuração referente a Sérgio Moro e pessoas jurídicas em relação às quais ele ou seus familiares estejam vinculados sobre valores ou serviços recebidos da Alvarez & Marsal ou demais empresas direta ou indiretamente relacionadas à Operaçào Lava Jato?

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2. Há no Coaf algum tipo de comunicação de atividade suspeita envolvendo Sérgio Moro e pessoas jurídicas em relação às quais ele ou seus familiares estejam vinculados sobre valores ou recursos recebidos da A&M ou demais empresas relacionadas à Operação Lava Jato? 

Em todas as hipóteses, esclareço que devam ser asseguradas a ele o contraditório e a ampla defesa, princípios de devido processo legal que ele cansou de sonegar em sua carreira hoje enxovalhada.

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Apesar de tudo, agora em busca de votos, Moro viaja país afora, entre desfeitas e vaias, vendo sua imagem de vestal se desfazendo.

Chamado ao debate pelo grupo Prerrogativas, foge, negaceia, quer escolher outros interlocutores para ganhar notoriedade, com dia, hora e local estabelecidos por ele — da mesma forma com que designava e conduzia suas audiências.

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Mudou de arena e não se deu conta.

Mas na política, a liturgia é outra.

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Sem a proteção e a blindagem da toga, Moro vai sofrer muito na atividade que tanto criminalizou e que depois, para espanto de muitos,  resolveu abraçar.

Na condução da Lava Jato, Moro deixou um rastro perverso de destruição e de miséria .

É responsável direto por quase 5 milhões de desempregados no país, e por prejuízos estimados em mais de R$ 172 bilhões  de reais, entre 2014 e 2017, segundo dados de pesquisa realizada pelo Dieese.

A serviço de quem Moro quebrou o país e ajudou a eleger Bolsonaro? 

Na falta de respostas convincentes, tergiversa e anuncia um, factóide: propõe-se a coordenar um grupo de trabalho incumbido de  repensar nosso sistema de justiça.

Justo ele, que, a pretexto de combater a corrupção, corrompeu,  instrumentalizou e abalou a credibilidade da instituição a que pertenceu. 

Moro envergonhou a magistratura e sujou as mãos de sangue.

Nesta área, o que de mais interessante poderia fazer pelo país é prestar contas à Justiça, respondendo, civil e  criminalmente, pelos erros que cometeu em Curitiba.

Os efeitos de sua responsabilização são pedagógicos.

Darão um recado forte de que o Brasil ainda é capaz de recuperar a credibilidade de suas instituições e de reafirmar a importância dos princípios fundantes de Estado de Direito. 

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