Mercado é política
A crise econômica não é invenção teórica porque com alguma leitura é fácil de saber que não há capitalismo aqui e alhures sem crise. Crises no capitalismo não são eventualidades, contingências ou excepcionalidades
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É claro que os juros irão baixar; eles foram elevados artificialmente; se o dólar irá perder preço? Estejam certos que sim. O "mercado" são meia dúzia de instituições financeiras e que retem oitenta por cento das contas-correntes do país, evidentemente com seus respectivos conteúdos, e que exatamente por isso, possuem o dispositivo de realizar ou não investimentos, aplicações, remunerações ou inversões outras.
É preciso que se diga, sobretudo, aos idiotas gozosos que por hoje pulularam risonhos e soberbos com o golpe contra a vida nacional que o funcionamento do mercado é estrita preferência política ou não desta meia dúzia de "senhores do universo" com o governo de plantão. Em outros termos, a afinidade possível perpassa pela complacência do governo em conceder e afiançar toda sorte de expediente financeiro-bancário para a prospecção "ad infinitum" das remunerações do trabalho para essa mesma "meia dúzia". Mercado é também e principalmente, política pra valer e, em definitivo não há mercado sem a respectiva política que o convalide, que o fortaleça e lhe permita dinamismos.
A crise econômica não é invenção teórica porque com alguma leitura é fácil de saber que não há capitalismo aqui e alhures sem crise. Crises no capitalismo não são eventualidades, contingências ou excepcionalidades. São elementos ou aspectos estruturais do modo de produção capitalista e que garantem regulação e alguma sorte de ajuste para a perdulária, extravagante e insustentável forma social e produtiva do capitalismo.
Mas o que é a crise brasileira tão cantada e decantada nos discursos da nossa lastimosa direita e que circulou todo esse golpe baixo e acintoso? A crise brasileira combina elementos de sua estrutura social e econômica grotescamente assimétrica, ineficaz e onerosa com aspectos conjunturais onde elites se articularam para amplificar no âmbito da realidade nacional as reverberações internacionais desta crise do capital iniciada em 2008.
Foram elas, as elites nacionais (grandes bancos e rentistas, segmentos industriais, setores do agronegócio, "pools" de comunicação e alto empresariado) que concertaram para tornar uma grave crise internacional uma grave crise nacional.
As táticas para instabilização de governos latino-americanos e democraticamente eleitos perpassam pelo agravamento da crise econômica, pela ampliação do desemprego, pelo baixo investimento, por altas inflacionárias e por último, pelo desabastecimento. A mídia faz sua parte disseminando o cenário de caos para a construção de consenso, para a unificação de olhares e perspectivas. A direita, de posse dessas impressões, desempenha seu papel nos parlamentos e na sua oposição.
Essa tática é aplicada por aqui desde os anos de 1940. Não é nada novo! Isso fora feito com Juan Domingo Péron e Cristina Kirchner (Argentina), Salvador Allende (Chile), Getúlio Vargas e João Goulart (Brasil), Hugo Chavez (Venezuela) e, enfim, é velha trilha que, de tempos em tempos, é atualizada, ajustada para ser utilizada no caso de governos populares e trabalhistas ousarem cuidar do seu povo, ousarem trazer à baila das discussões "bobagens" como saúde, educação, moradia, democracia social e bem-estar da população.
Aos imbecis que se sentiram maravilhados com mais este golpe contra o Brasil é importante que se afirme que a análise séria sobre o que vivemos vai muito além da paixão rasteira e militante pelo ódio anti-petista; quero dizer que disseminar iras e estupores não confere ao acometido qualquer tipo de qualidade teórica para sua análise, não garante qualquer substância analítica de real importância e valia para seu discurso.
Sem a incorporação de valores políticos, econômicos, sociais e históricos às narrativas não é possível discorrer sobre o vivido, sobre suas tendências e possibilidades. Dessa forma, política é paixão sim, mas é dado, conferência, autoavaliação e cuidado, sem os quais, se descamba nos extremismos mais abobalhados e infantis que se possa imaginar.
O momento é grave e é necessário alguma seriedade.
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