Me formei em Economia. E agora?

O mundo e seus conteúdos viraram um grande problema econômico. Isso é fato, evento e acontecimento posto e fartamente disposto na vida comum



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Em memória de Karl Heinrich Marx (1818-1883) e de sua economia política histórica, concreta e dialética

Está formado em Economia e ainda não sabe o que fazer? Depois de cinco anos e já de posse de seu almejado certificado de bacharel e você, hesitante e medroso, se indaga: "e agora?"; estudou empresa, contabilidade, administração, história do pensamento econômico, cidades, riqueza, pobreza, gente, Estado e fracassos econômicos e espantosamente ainda não sabe o que fazer com essa "bomba"?; fez um périplo intelectual da Grécia antiga, passando pelas mais diversas formas de organização econômica da Ásia, África, Europa e América e mesmo assim se sente, digamos, meio "perdido"?; adentrou no permanente mundo das crises, identificou causas e consequências e todo choroso, se indaga: "por que eu não fiz Direito?".

Não se assuste! O que está sentindo é mais corriqueiro do que possa imaginar. E esse "mal-estar" não é privilégio apenas dos formados em Economia; não há profissão, sobretudo, do campo das ciências sociais que não ventile esse tipo de situação.

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E vem a dúvida crucial: onde vou atuar? Em que empresa? Quem irá me empregar? Terei uma carreira luminar e promissora? Quem irá me salvar, afinal, quero a "segurança" de um clássico emprego e, evidentemente, com bom ordenado.

Olha... Vou ser sincero com você, meu caro! É que tenho duas notícias essenciais para dar para você. A primeira é lamentavelmente boa e a segunda é em sua inteireza, uma tragédia.

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Vamos para a primeira e vou tentar ser bem didático: Lembram do filme "Matrix" (1999)? Daquela parte clássica em que Morpheus (Laurence Fishburn) apresenta para Neo (Keanu Reeves) o mundo como de fato, é? Mundo como deserto; como "deserto do real"! É claro que lembram! Então... A economia, ao menos suas demandas e demandantes, estão aí neste imenso deserto social, político e econômico e em que estamos inevitavelmente enfiados. A demanda por economistas não para de crescer! Famílias avançam endividadas até o pescoço; empresas seguem em franca ruína; instituições públicas e privadas tem enormes dificuldades em gerir recursos e patrimônios em um contexto econômico de difícil compreensão; pessoas que trabalham, trabalham e não saem de seus lugares; o meio ambiente, fonte de toda e qualquer matéria-prima para a feitura de coisas úteis (?) está mergulhado em um cataclismo de solução impossível dentre outros multi-dramas que marcam esse tempo: tempo de morte, solidão, depressão e esperança.

Lugar do economista? Todos os lugares são de economistas; não há vão, hiato ou lacuna social ou societária que não clame por bons economistas; destes que pensam, que identificam culturas, hábitos e formas de produção e consumo; dos que na radicalidade que a boa ciência exige, mergulhem fundo nas nervuras do concreto e que determinam o caos monótono e perigoso do qual somos partes.

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Meus caros, não se esqueçam... O mundo e seus conteúdos viraram um grande problema econômico. Isso é fato, evento e acontecimento posto e fartamente disposto na vida comum. Querem mercado de trabalho? Pois bem... Sirvam-se... O planeta e suas relações estão a vossa inteira disposição!

A notícia ruim é que esse emprego típico e clássico de feição fordista, mediado por contrato com direitos e deveres para empregados e empregadores está ficando cada vez mais escasso; empresas seguem mudando; formas de produção também e as relações de produção por conseguinte, também seguem sendo modificadas e, lamentavelmente, para pior. Nossos níveis de informalidade só aumentam e as crises potencializam esse drama; dispositivos como terceirização, "quarteirização" e contratos eventuais e temporários estão em plena voga.

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A segurança profissional, o instituto da estabilidade e mecanismos outros de proteção perdem espaço e importância em uma economia determinada pela lógica brutal da especulação financeira onde o trabalho produtivo é esvaziado e descentralizado de seu sentido formador e gerador de riquezas.

Qual é o "que fazer?" para os economistas? Não é tão complicado assim! O primeiro é reconhecer que não há caminho possível para a alteração desse estado de coisas dentro da ortodoxia econômica; o segundo é que nos interessa a atividade produtiva, a geração sustentável, justa e democratizada de bens e serviços; em seguida, é fundamental termos claro de que toda e qualquer concentração de renda se converte em evidente problema econômico na medida em que essas "ilhas de capital" obstaculizam os fluxos advindos dos processos econômicos salutares a envolver a fantástica alquimia da junção terra-capital-trabalho. De "ilhas" se convertem em "represamentos" da economia e do trabalho humano.

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E enfim, a economia trata da dinâmica dos processos de produção; de sua lógica, sentido e tendência. Evidentemente, existe uma importante interface técnica, numerológica e quantitativa em todo esse processo, mas o denso dessa importante ciência, o seu substantivo e essencial é o expediente da teorização, da construção e atualização de conceitos à luz de uma lógica econômica concentradora e ditada por grandes "pools" empresariais e globais e que, como bem sabemos, ignoram, atropelam completamente a "fábula" dos chamados "Estados-nação" e seu "mi-mi-mi" de soberania.

Se tem espaço para os economistas? Mas isto é líquido e seguro, apenas, sem medo e hesitação... Mergulhem fundo no "deserto do real"! Vocês não tem ideia do que irão encontrar. Contraditoriamente, é lá que o pulso ainda pulsa.

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Força e saúde para todos!

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