Lula será preso: a política jogada aos leões

"Quando o Marechal tomba aumenta o ímpeto do exército adversário, que vislumbra a possibilidade de esmagar seu oponente. O ex-presidente não será candidato. Não estará nas eleições. Sua prisão ganhará ares hollywoodianos. Não se ganha a batalha só pelas armas. É preciso desmoralizar o inimigo de forma a inibir a ação de outros e abalar a moral do exército adversário. A reação do povo ainda é uma incógnita. Os sinais recentes são desanimadores", diz o colunista Ricardo Cappelli; "Cada vez mais encurralado, ao campo democrático, nacional e popular só resta o caminho da unidade. Não há outro possível. Divididos seremos caçados, um a um"

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul 19/03/2018 REUTERS/Diego Vara
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul 19/03/2018 REUTERS/Diego Vara (Foto: Ricardo Cappelli)


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Quando Cármen Lúcia decidiu pautar o habeas corpus de Lula já sabia o resultado. Fachin liberou o processo tabelado com a presidenta. Sabia como Rosa Weber votaria. Quem tem o poder só marca o dia da batalha se tiver certeza da vitória.

Uma coisa é um acordo amplo para mudar a jurisprudência. Outra é liberar apenas Lula. Com a pressão aumentando, Cármen Lúcia decidiu lutar judô. Usou a força de seus adversários e armou um ippon.

O julgamento para rever a posição da prisão em segunda instância ficará para as calendas. A presidenta do STF, fortalecida, já deixou claro que não pautará.

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Sua vitória contou com um empurrãozinho do General Villas Bôas. Seu pronunciamento na véspera do julgamento, premeditadamente dúbio, colocou mais lenha na fogueira.

Na iniciativa encontram-se as digitais do general da reserva Sérgio Etchegoyen, Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

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Etchegoyen, apoiado em setores radicais, vem travando uma disputa de poder surda pelo comando da tropa com o atual Comandante do Exército. Villas Boas, temendo ser atropelado, deu um passo.

Mais um triste capítulo na história do país. A marcha da insanidade seguirá destruindo a nação.

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Foi mais uma vitória maiúscula da Aliança do Coliseu, bloco liderado pela Globo com setores antinacionais da burocracia estatal. O fortalecimento da "Cruzada Salvacionista". Um duro golpe na democracia.

Uma vitória do neopositivismo multiculturalista de Barroso e seus seguidores. A "Vênus Platinada" está em festa.

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Os jornalões foram unânimes. Amanheceram exigindo a crucificação de Lula. "Sangue! Sangue!", bradaram. Os juízes, ao olhar dos barões da mídia, viraram o polegar para baixo e decapitaram o gladiador de joelhos.

Lula será preso. O mais provável é que não saia da cadeia antes das eleições. A escalada conservadora continuará a todo vapor. O fechamento democrático vai se aprofundar.

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Teremos dias de comemorações fascistas e trevas. Os Leões entrarão na arena babando atrás de carne fresca.

A derrota deixa ensinamentos. Votaram pelo Estado Democrático de Direito Gilmar Mendes(FHC), Celso de Mello(Sarney), Marco Aurélio(Collor), Toffoli(Lula) e Lewandowski(Lula). Votaram por incendiar o país e contra os preceitos constitucionais Barroso(Dilma), Fachin(Dilma),Fux(Dilma), Cármen Lúcia(Lula), Alexandre de Moraes(Temer) e Rosa Weber(Dilma).

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Lula vai para cadeia pelas mãos de seus indicados.

Impossível não registrar a postura corajosa e brilhante de Gilmar Mendes. Atacado por setores da esquerda que ainda não entenderam o que está em curso, o indicado dos Tucanos para o STF liderou a defesa de Lula dando um verdadeiro show.

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Uma lição que fica pra o futuro. Principalmente para os setores que se alinham ao republicanismo asséptico e descolado da luta de classes.

Esta decisão terá repercussão. Outras prisões virão. Será insustentável perante a opinião pública deixar Lula sozinho. Uma era de terror e caçada à política parece se avizinhar.

Quando o Marechal tomba aumenta o ímpeto do exército adversário, que vislumbra a possibilidade de esmagar seu oponente.

O ex-presidente não será candidato. Não estará nas eleições. Sua prisão ganhará ares hollywoodianos. Não se ganha a batalha só pelas armas. É preciso desmoralizar o inimigo de forma a inibir a ação de outros e abalar a moral do exército adversário.

A reação do povo ainda é uma incógnita. Os sinais recentes são desanimadores.

Cada vez mais encurralado, ao campo democrático, nacional e popular só resta o caminho da unidade. Não há outro possível. Divididos seremos caçados, um a um.

Que tenhamos a coragem de superar diferenças menores e construir a unidade que o Brasil tanto precisa.

Teremos muitos obstáculos ainda pela frente, mas com unidade o povo ainda pode ganhar as eleições. Fizeram mais um gol, mas o jogo está apenas começando.

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