Lula que não muda, não muda a maré

O PT é o maior partido do Brasil. Chegou ao poder vencendo quatro eleições nacionais consecutivas. Uma verdadeira epopeia. Mas ventos são ventos

Datafolha garante transferência de votos de Lula para Haddad
Datafolha garante transferência de votos de Lula para Haddad (Foto: Paulo Pinto - Agência PT)


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Por que Lula está criticando os manifestos amplos contra o fascismo? Qual o motivo de insistir na demarcação de um campo, pagando o preço do isolamento? Ele não sabe o que faz?

Lula é candidato a presidente. É um direito seu. Legítimo. Desde a redemocratização, abriu mão apenas em 2014 para Dilma. Em 2022, livre e com o país em frangalhos, vai repetir a estratégia de 2018 emparedando o TSE.

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Este projeto orienta as posições do PT. 

No episódio do vazamento da “reunião dos palavrões”, o partido desmoralizou a narrativa de Moro. Bateu na tecla de que o ex-juiz não sabe o que são provas. Por que fez isso?

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A forma de viabilizar o projeto é conseguir a absolvição de Lula no STF. Abalar a credibilidade de Moro é peça chave na estratégia. Taticamente, “Bolsonaro pode esperar”. 

Outro elemento que aparece de forma subliminar é a visão de que existe uma superestimação da ameaça de autogolpe. A radicalização na frente do tablado nem sempre corresponde ao jogo que está sendo jogado atrás das cortinas. Uma máxima que vale para os dois lados. 

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A recusa à Frente Democrática faz parte do mesmo cálculo político. Qual a maior força do país? Torcidas à parte, existem Bolsonaro, Lula e os outros. No tal #Somos70%, pelo menos 30% é de lulistas. Nos 40% restantes, quem é a segunda força? Existe alguma unidade?

Dependendo do objetivo, não faz sentido o Barcelona jogar o Brasileirão. Não lhe acrescenta nada e ainda pode acabar arranhando sua imagem ao desagradar alguns torcedores.

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As eleições municipais irão medir as forças novamente. A situação não é nada boa para os companheiros. Em SP e no Rio, com Jilmar Tatto e Benedita, o partido deverá ter o pior resultado desde a sua fundação.  Irrelevante diante da força pessoal do ex-presidente? 

O PT é o maior partido do Brasil. Chegou ao poder vencendo quatro eleições nacionais consecutivas.  Uma verdadeira epopeia.  Mas ventos são ventos. E é justamente a mudança deles que torna a história tão interessante. 

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Se Nicolau II, o último Czar, tivesse aceitado perder poderes e instaurado uma verdadeira monarquia constitucional no Império Russo, teria perpetuado os 300 anos dos Romanov? Talvez. Quando se deu conta que os tempos haviam mudado e resolveu renunciar, já era tarde. Acabou fuzilado com sua família.

Cercado por Maomé II durante 53 dias, Constantino XI, o imperador Bizantino, tinha consciência de que a derrota era o desfecho mais provável. Recuar ou honrar o último suspiro da “Roma do Leste”? O emergente Império Otomano destroçou Constantinopla. 

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Impérios caem pela impossibilidade de parar o relógio dos acontecimentos, e pela incapacidade - mesmo tendo consciência da necessidade - dos líderes de fazerem manobras drásticas. 

Na história, “cair de pé” costuma ser a escolha mais comum.

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