FIEL: cristãos do mundo discutem a situação das igrejas no Brasil

Fórum reuniu cristãos de várias denominações evangélicas perplexos com os rumos das igrejas e com as consequências da adesão massiva à política de de Bolsonaro



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O 1° Fórum Internacional Evangélico (FIEL) foi idealizado por cristãos brasileiros, de várias denominações evangélicas, do Brasil e do exterior, perplexos com os rumos das igrejas e com as consequências da adesão massiva à política de extrema-direita do governo Bolsonaro. O objetivo do fórum foi promover uma reflexão crítica e propositiva para orientar a prática dos cristãos que querem se contrapor a esse fenômeno eclesial e político. 

O FIEL ocorreu nos dias 16, 17 e 18 de setembro, em forma virtual, transmitido por mais de dez páginas de Facebook, canais do Youtube e outras redes sociais, alcançando pessoas de todos os continentes. A programação contava com duas palestras de abertura na sexta-feira, sete palestras ao longo do sábado, e um debate no domingo. 

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Os palestrantes foram Nilson Gomes, pastor da Assembleia de Deus (SP); Cláudio Carvalhaes, pastor presbiteriano e professor no Union Theological Seminary, NY; Silvio Meincke, pastor luterano, residente na Alemanha; Ariovaldo Ramos, pastor da Comunidade Cristã Reformada em São Paulo; Eliad Santos, pastora metodista em Roma; eu, Eliseu Pereira, da Igreja Libertária em Curitiba; Kaká Omowalê, pastora da Igreja Metodista Episcopal Africana; e Joabe Cavalcanti, reverendo da Igreja Anglicana em Londres. Esse conjunto ilustra a diversidade de tradições evangélicas e a amplitude das contribuições apresentadas no Fórum. 

Nilson Gomes ficou nacionalmente conhecido devido a um vídeo viral em que ele criticou a adesão das igrejas ao bolsonarismo. Carvalhaes alertou para a dissonância entre o ensino de Jesus e a injustificada postura política das igrejas brasileiras. Meincke falou sobre a importância do estado, partindo da experiência de sua própria família germânica, chegada ao Brasil quando o catolicismo ainda era religião oficial (antes de 1889). Ele alertou contra a tendência de confusão entre Igreja e Estado no Brasil. 

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Ariovaldo Ramos enfatizou o que sempre tem falado nos últimos anos: o compromisso da igreja cristã com a vinda do reino de Deus, seguindo o programa de Jesus em Mateus 25.31-46, ou seja, prover alimento, água (saneamento), vestimenta (moradia), saúde e ressocialização dos presos. Segundo Ramos, é missão da igreja preparar a nação para o reino de Deus, a fim de que haja justiça paz e alegria (Rm 14.17). 

Eliad e Kaká, pastoras negras, expuseram suas ações preferenciais em favor dos mais vulneráveis da sociedade e o compromisso cristão de romper com os poderes e as estruturas que ameaçam a vida humana. Segundo elas, as igrejas evangélicas devem prover o espaço para que todas as pessoas se sintam acolhidas e amadas, humanizadas e reconciliadas. Joabe Cavalcanti apresentou a observação de quem vê o Brasil de fora, fazendo um histórico da participação política das igrejas brasileiras na política nacional. 

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De minha parte, destaquei as falhas da igreja em lidar corretamente com a política, oscilando entre alienação e voto de cajado, fruto de uma leitura equivocada dos Evangelhos. Defendi a necessidade de uma leitura contextual da Bíblia para uma melhor compreensão da dimensão política das ações e práticas de Jesus. 

O debate de encerramento do fórum contou com a presença do Allen Callahan, teólogo da Universidade de Harvard, que já morou no Brasil e observa de perto a situação das igrejas e da política nacional. Os inscritos foram divididos em grupos para análise das palestras do fórum, visando à produção de um documento que será publicado em breve.  

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Para mim foi um duplo privilégio: participar do 1° Fórum Internacional Evangélico e apresentar este breve resumo das suas atividades. Devo ambos à Renê de Assis, da Espanha, a principal responsável pela realização e sucesso do evento. 

Além disso, devo acrescentar que o Fórum teve uma importância particular para mim. Eu mesmo sofri as consequências da adesão das igrejas ao bolsonarismo: fui silenciado em uma igreja institucional, da qual me retirei, e demitido de faculdades teológicas, em razão da minha resistência política. Atualmente, vivencio minha fé em uma comunidade cristã informal e ensino pelo meu canal no Youtube. Portanto, é muito inspirador saber que, embora dispersos pelo mundo, compartilhamos as mesmas preocupações e a mesma disposição de responder ao Evangelho de Jesus nos dias tumultuosos do nosso povo. 

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