Fez um ano! Sobrevivemos?

Neste ano primeiro deste governo ilegítimo, a tarefa de reposicionar de maneira subalterna o Brasil em estrato e posição menor nessa infame e degradante divisão internacional do trabalho e que tem sacrificado a existência de bilhões de seres humanos mundo afora é o ardil que segue, que avança muito bem. Mas não para nós, o povo brasileiro

Neste ano primeiro deste governo ilegítimo, a tarefa de reposicionar de maneira subalterna o Brasil em estrato e posição menor nessa infame e degradante divisão internacional do trabalho e que tem sacrificado a existência de bilhões de seres humanos mundo afora é o ardil que segue, que avança muito bem. Mas não para nós, o povo brasileiro
Neste ano primeiro deste governo ilegítimo, a tarefa de reposicionar de maneira subalterna o Brasil em estrato e posição menor nessa infame e degradante divisão internacional do trabalho e que tem sacrificado a existência de bilhões de seres humanos mundo afora é o ardil que segue, que avança muito bem. Mas não para nós, o povo brasileiro (Foto: Ângelo Cavalcante)


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Faz um ano que nos equilibramos ou tentamos nos equilibrar no "fio da navalha"; que damos "nó em pingo d'água"; que tiramos "leite de pedra" e; que feito baratas tontas, jogamos "pedra na lua". É impressionantemente absurdo. No aniversário do golpe/neo-golpe, vivemos num Brasil espantosamente singular e absolutamente original nas eternas e acirradas contendas de classe e que definem, por fim, um dos mais perversos e desiguais países do mundo.

A maldade se renova; como é do seu feitio, é astuta, veloz, suave ou drasticamente impactante. Já não sabemos! O que, de fato, se sabe, porque se sente e se vive, é uma atmosfera social e política terrível e deletéria onde se misturam ódios dos mais diversos com magoas antigas e atuais mais o novo "standard" de militância e arregimentação política assentado na intimidação, na violência pura e simples ou no estraçalhamento das bases conceituais e simbólicas mais elementares e que nos fazem ou tentam nos fazer povo.

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Se isso é ruim? Evidentemente que sim! É péssimo para os verdadeiros democratas, para reformadores sociais sérios e republicanos, para os que pensam futuro e horizonte social e coletivo. É especie de maldição de Sísifo; seguimos empurrando essa pedra e seguimos, seguimos, seguimos... Sem chegar!

E para a "direitona"? Ora, ora... É barba, cabelo e bigode. O fascismo brazuca praticado e exercido nas principais praças e avenidas do país de maneira mais acentuada a partir da derrota de Aécio Neves para Dilma Roussef em 2014, tem o acervo político-comportamental dos seus "cidadãos de bem" ampliado para as raias do imponderável.

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A história conta e reconta! É claro que todo mundo lembra da PM do Paraná, em ainda bem próximo 2015, massacrando professores porque, (imaginem!), estes trabalhadores exigiam melhorias salariais; impossível esquecer da sova coletiva que a polícia militar do DF (Nov/2016) "gentilmente cedia" para manifestantes pacíficos por conta das lutas contra a famigerada PEC 55; evidentemente, todos terão em mente os recentes ataques com bombas, sprays de pimenta e balas de borracha saídas da mesma PM do DF e covardemente desferidas contra mais de três mil índios e que exigiam a justa demarcação de suas terras; a lembrança daquele "bravo" policial fraturando o crânio do estudante Mateus Ferreira em Goiânia é outro simbolo desse tempo fragmentado pela maré alta do neoliberalismo e que segue sendo fartamente embalada por Temer.

Não são instantes autônomos e desvinculados de grave contexto histórico arranjado e estruturado a partir do combinado de alta traição nacional estabelecido entre as elites nacionais e poderosos grupos internacionais; só podemos evidentemente compreender esta trágica quadra histórica se, e somente se, situarmos interesses nacionais e populares em evidente contraposição aos interesses das elites brasileiras, do sistema financeiro e que por sua imediata vez, é parte determinante e central de uma nova geopolítica ascendente.

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Geopolítica que evidentemente, envolve territórios, aliás, não nos esqueçamos de que espaço é poder. Esta, não por coincidência, é a tese central e desenvolvida pelo geógrafo alemão Friedrich Ratzel (1844-1904), um dos pais da assim chamada "geografia humana", ao dar forma para sua teoria do "lebensraum" ou "espaço vital". Em síntese: para crescer ou manter o crescimento da sua região ou país é preciso agregar ou submeter outras e novas áreas ao seu poderio e influência.

Ocorre que a composição orgânica do capital para este começo de milênio é completamente distinta de momentos outros do seu desenvolvimento; a fusão de capitais industriais com capitais bancários dá forma para o atual arquipélago financista e planetário; para a "pangea financista" e que enlaçou todas as economias mundiais, suas dinâmicas e possibilidades; reforçando contradições, ampliando dependências, reinventando o subdesenvolvimento, replicando o flagelo da miséria para níveis assustadores e, sobretudo, jogando por terra, fantasias conceituais como "Estado-nação".

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O que restou? Um ordenamento sócio-produtivo politica e ideologicamente orientado e que alinha economias locais e domésticas, independente dos seus níveis de ativação ou importância, às regras, deliberações e macro-determinações do financismo planetário cujos capitais carecem, em algum nível, de serem imobilizados. Nem que para isso tenham que adquirir terras na Amazônia, glebas no Cerrado, usinas de cana na zona da mata nordestina, casarões desocupados no Bom Retiro paulistano ou os fundos da previdência pública e que se encontram, no triste momento em que produzo essas linhas, sendo apalpados em toda a sua anatomia pelo banditismo bancário e intruso operante nessa terra-sem-leis.

O desmonte estatal promovido pelo Governo Temer, aliás, de longe, o grupo de governo mais perniciosamente envolvido em tramoias e corrupções de toda a acidentada história republicana brasileira; o que por sinal, registre-se, também não é uma casualidade. É aquela velha equação forma/função. Para tal crime, somente um bando composto por estelionatários, golpistas, propineiros, entreguistas e mafiosos como o que, garbosamente, comemora "um ano de conquistas" para o "Brazil". Melhor... Impossível!

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Para este épico e muito, mas muito sujo trabalho de desmonte ou desfazimento dos ganhos civilizacionais apetecidos, sobretudo, nos governos do PT, condição para o aniquilamento de resistências sociais e políticas e que, bem antes, são resistências em prol da manutenção de princípios clássicos de nação... Eis a corriola mais adequada.

É que Temer e sua camorra são partes importantes deste engenho global, desta geopolítica draconiana dia-bólica que carcome a economia pública por dentro, pela estrategia velha e crônica da ineficiência administrativa, do custo operacional e da "falta de liberdade". O caminho seguinte é escancarar o país para os ditos Investimentos Externos Diretos (IED) e que se empanturram de isenções, financiamentos, doações e muita mão-de-obra precária, terceirizada e arruinada
politicamente.

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Neste ano primeiro deste governo ilegítimo, a tarefa de reposicionar de maneira subalterna o Brasil em estrato e posição menor nessa infame e degradante divisão internacional do trabalho e que tem sacrificado a existência de bilhões de seres humanos mundo afora é o ardil que segue, que avança muito bem... Muito bem mesmo! Mas, sinceramente, não para nós, o povo brasileiro.

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