Feliz ditadura nova!

Faltam 1460 dias para o fim do novo governo, que tomou posse no dia de ontem, 01 de janeiro de 2019. A contagem regressiva é uma boa alternativa, para diminuir o sentimento de angústia que tomou conta de boa parcela da população, que ainda acredita que a democracia é a melhor forma de governar



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Faltam 1460 dias para o fim do novo governo, que tomou posse no dia de ontem, 01 de janeiro de 2019. A contagem regressiva é uma boa alternativa, para diminuir o sentimento de angústia que tomou conta de boa parcela da população, que ainda acredita que a democracia é a melhor forma de governar. O primeiro discurso do presidente eleito foi mais do mesmo. A impressão que deu, é que ele estava lendo um compêndio de seus tweets e postagens no Facebook mais polêmicos.

Usando de sua habitual e já enfadonha retórica anti comunista, Bolsonaro prometeu acabar com o socialismo no Brasil. Como se algum dia, tal regime político tivesse vigorado por aqui. Ele também voltou a defender a grande balela chamada meritocracia, prometeu acabar com o politicamente correto, e, repetindo o clichê mais idiota já criado pela nossa extrema direita, vociferou que “a nossa bandeira jamais será vermelha”. Ressaltando que isso apenas seria possível, em caso de derramamento de sangue. Uma clara ameaça a oposição e a qualquer outra ideologia política que seja contrária a sua. 

Aos professores que não rezam pelo seu catecismo, Bolsonaro reafirmou que fará uma reforma no ensino, proibindo a disseminação da ideologia marxista, a qual, segundo ele, forma militantes, ao invés de preparar os nossos jovens para o mercado de trabalho. Falando em mercado de trabalho, o novo presidente baixou um decreto fixando o salário mínimo em R$ 998,00. Valor abaixo daquele que havia sido aprovado pelo orçamento, que estipulava um mínimo de R$ 1.006,00. Um mimo oferecido aos pobres de direita que o apoiaram. 

Bolsonaro mal tomou posse e metade da população já não vê a hora de ele deixar a presidência. Nunca antes na história do país, o clima em torno da posse de um novo presidente foi tão ruím. O tratamento destinado a imprensa, foi o mesmo que costuma ser dado aos conscritos que vão se alistar para prestar o serviço militar obrigatório. Sem água, sem banheiro, sem assentos para se acomodar, sem poder dar um passo sem a devida permissão e sem direito a reclamar. O novo presidente pretende governar o Brasil como se fosse um quartel e ele o comandante da companhia. 

Propondo um pacto nacional para superar a “maior crise moral e ética da história do Brasil”, Bolsonaro prova que desconhece a história do próprio país, desdea  sua colonização. Onde a ética e a moral, não foram aplicadas. Nossos irmãos indígenas que nos digam. Aliás, para eles (os indígenas), o novo presidente prepara uma espécie de neo catequização, retirando da Funai e repassando para o ministério da agricultura, a demarcação de suas reservas. O que também pode ser interpretado como a extinção definitiva daquele povo. Lembrando que, ainda em campanha, ele já havia prometido que quando assumisse, os índios não teriam nem mais 1 cm de terra. Ameaça que também era extensiva aos quilombolas. 

Começamos 2019 sob uma nova ditadura. Um governo que irá baixar quantos decretos forem necessários, para fazer valer a sua lei, ignorando e violando o estado democrático de direito. Por a mão sobre a Bíblia e jurar cumprir a constituição, já deveria ser motivo para pedir o Impeachment do novo presidente da república. Sabemos que ele não irá cumprir o juramento. Suas promessas de campanha, sua ideologia política, seus atos e seus decretos, provam isso. Esperar o contrário, é ser ingênuo demais. A missão desse governo, é exterminar socialmente os menos favorecidos e abater os seus opositores ideológicos. 

Bolsonaro não foi eleito por convicção. Ele não é adorado pela maioria de seus eleitores. O ódio ao PT e toda a campanha midiática promovida para legitimar o golpe aplicado na presidente Dilma Roussef e para fazer sensacionalismo em cima da imagem do presidente Lula, motivou o voto por exclusão. Assim, um mito foi criado. E como todo mito não possui existência real, boa parte do país mobilizou-se regida por um proselitismo político maniqueísta, no qual a esquerda era o diabo e a extrema direita viria a libertar a nação das garras do mal, através da figura de um messias defensor da tortura e opressor dos mais pobres. Fornicaram-se quase todos. A exceção dos ricos e milionários, é claro. 

O número de pessoas presentes em sua posse e a ausência de alguns dos mais importantes chefes de estado do mundo, colocam em cheque o seu carisma e a sua legitimidade como líder de uma nação. Eu ouso a dizer que tinha mais gente em Curitiba, pedindo a liberdade de Lula, do que em Brasília assistindo à sua posse. Eu duvido, que na eventualidade de um escândalo em seu governo – o que é iminente - ele conte com o mesmo apoio e com a mesma cumplicidade, por parte dos “minions” que o elegeram. A começar por aqueles que foram esquecidos por ele. Como o ex senador Magno Malta e o pastor Silas Malafaia. Este último, segundo consta, sequer foi convidado para a sua posse.

A insensibilidade humana do presidente eleito, irá causar-lhe problemas, até mesmo entre os seus. É nítido que não há uma união verdadeira entre os seus aliados. Muitos de seus “parças” não são “fechamento” e não hesitarão em derrubá-lo quando este os escantear. Eu não sou vidente, mas eu sinto o seu vice, General Mourão, bem animado com a possibilidade de assumir a presidência. No seu juramento de posse, isso ficou subliminarmente registrado. Ele proferiu as suas palavras com voz de comando e num tom bem mais alto do que o usado pelo presidente eleito. Que não escondeu a sua insatisfação, fulminando o seu companheiro com um olhar meio de soslaio. 

Na hierarquia militar, nós sabemos que General fala mais alto do que Capitão. E já que o país está sendo reduzido a um quartel de artilharia, nada mais natural que o mais graduado assuma o comando da companhia. Ou seja, de qualquer forma, iremos nos ferrar de verde oliva e amarelo. Se correr o Capitão pega. Se ficar, o General come. 

Feliz ditadura nova! 

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