Exu na avenida: peito aberto para redenção social

Redimir é peito preto aberto nessa avenida de brancos. Obrigada, Exu. Obrigada, Grande Rio, pela possibilidade de sentir junto

(Foto: Reprodução (TV Globo))


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Todos os anos, nosso calendário gregoriano, inspirado em elementos do catolicismo de Roma, possibilita a uma parcela da humanidade a narrativa da redenção. O Carnaval – a festa da carne – é seguida pela Páscoa, uma data que inspira o renascer, o redimir e o libertar-se do pós pé na jaca.

2022 foi um dos anos atípicos recentes impactados pela pandemia. A inversão das datas festivas – inofensiva para algumas pessoas – trouxe uma bagunça simbólica, já que nem a Páscoa pôde nos salvar dos pecados.

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Nesse cenário peculiar de narrativas confusas, temos a vitória da Grande Rio com Exu na avenida, encarnado por um preto maravilhoso cheio de adornos, que come, bebe, bate no peito e se abre com orgulho e com olhos de fogo.

Ah... esse Deus, a quem chamam de Diabo, poderoso na Sapucaí, abrindo caminhos, desfazendo preconceitos, ensinando que religião também conta história de povo oprimido, dos escravizados que acharam formas de criar, colorir, sorrir, transformar, servir, em meio à crueldade que lhes foi apresentada.

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“Caboclo, andarilho, mensageiro. 

Meu povo firma ponto no terreiro. 

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A voz de Palmares, Zumbi Àgbá”

Grito de força, de quem conhece os próprios passos, de quem faz da dor muito samba, de quem sabe que tem mérito para se erguer diante de milhares de olhos atentos e sedentos por sentir e viver a emoção que emana dele.

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“Sou Capa Preta, Tiriri

Sou Tranca Rua, amei o Sol

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Amei a Lua, Marabô, Alafiá.

Eu sou do carteado e da quebrada.

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Sou do fogo e gargalhada, ê Mojubá”

É com essa gente preta, que celebramos a democracia. É mesmo grande o rio da vida. Dessa vez, a redenção da Páscoa teve que ceder lugar a uma forma ainda mais poderosa de redenção: o sentir junto, silenciando momentaneamente o abismo que as injustiças sociais provocam, que só quer fazer separar e cindir. Redimir é peito preto aberto nessa avenida de brancos.  Obrigada, Exu. Obrigada, Grande Rio, pela possibilidade de sentir junto.

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“Adakê Exu, Exu, ê Mojubá
Ê Bará ô, Elegbara
Lá na encruza, a esperança acendeu
Sou Grande Rio, Grande Rio sou eu”.

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