Entre bananas e política
"Tá vendo essa caixa de bananas aqui? Pago cinquenta reais na roça. Aí vou no Ceasa e vejo gente vendendo a trinta reais. Não é porque eles querem, é que não conseguem vender. Em trinta anos de feira nunca vivi uma situação tão ruim". Esse foi o Roberto, de quem compro banana há anos
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"Tá vendo essa caixa de bananas aqui? Pago cinquenta reais na roça. Aí vou no Ceasa e vejo gente vendendo a trinta reais. Não é porque eles querem, é que não conseguem vender. Em trinta anos de feira nunca vivi uma situação tão ruim."
Esse foi o Roberto, de quem compro banana há anos, na feira da Vila Madalena em São Paulo, reclamando do movimento do seu negócio, para um casal antes de me atender. Quando me viu, sabendo da minha posição político-ideológica, deu um sorriso sem graça.
Temos divergências sérias em termos futebolísticos e em opinião e atuação política. Mas as bananas que compro com ele são sempre mais saborosas e mais baratas do que as do supermercado. Ele me explicou uma vez que colhem muito cedo para não perder, como não entendo de banana aceitei a explicação. Bem, não entendo é modo de dizer porque sei muito bem quando uma banana está sem gosto e sem graça.
Bem, ele ficou sem graça porque cantei a bola de que tudo ia piorar se o cara que venceu vencesse (nossa!). E ele insistia que tínhamos que dar uma chance e mudar "tudo o que está aí". Para não dar completamente o braço a torcer disse que não entendia de política, mas que "na época do barbudinho, as coisas estavam melhores. Não sei o que ele fez, mas os negócios iam melhor."
Eu tive que me conter para não escancarar um "eu avisei" em alto e com som. Disse que faz parte do aprendizado da democracia. E ele mudou o assunto para futebol...
Fiquei pensando que ele não entende de política o mesmo tanto que eu não entendo de bananas. Os efeitos de um banana ruim ou de uma política pior a gente conhece muito bem.
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