É a política, imbecil!
A esperança, esta estranha força que trespassa o tempo e seus sentimentos de mundo segue silenciosa e sumária nas periferias da civilização brasileira gerando forma e movimento para a política que irá por fim, definir o país que queremos, necessitamos e sonhamos
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O descrédito na política institucional chegou em um nível tal de grandeza e desesperança que descrevê-lo é tarefa que beira o impossível. Não estou me referindo ao necessário e imprescindível mundo da política. Por obséquio, vejam bem! São duas realidades bastante distintas. A política continua; está aí no cotidiano das pessoas; nos encontros, nas formas de aproximação; na manutenção das relações familiares ou convivais; no ambiente de trabalho e no lazer de final de semana. A política está viva, ativa e presente mesmo quando achamos que ela não está.
Essa distinção é tão fundamental, tão centralmente importante e necessária que não raro, nos esquecemos de fazê-la. É que o imprescindível movimento sócio-histórico por elevar a qualidade humana para níveis superiores; por promover atos e procedimentos cotidianos a partir de valores efetivamente humanos se dá pelo exercício da política e, de outra forma, não é possível a realização deste desiderato sem o entendimento da política como definitiva dimensão mediadora de todo e qualquer processo social e societário.
Então, para bom começo, nos fica a lição propedêutica de que uma coisa é a política no campo das instituições político-partidárias e que, como se bem sabe, nos prega peças todos os dias; seus arremedos, arranjos e negociatas e que, quase sempre, terminam em escândalos, dossiês, corrupção ou, quem sabe, em golpes de estado e; outra bastante diferente é o amplo e muito fecundo universo da política com seu sem-número de formas relacionais, seus padrões de ocorrência e que variam, oscilam e fluem a partir de uma infinidade de variáveis e dispositivos de ação e interação.
Desta maneira, nunca a política esteve tão em alta; nunca as pessoas discutiram-na com tanta veemência e determinação; jamais os indivíduos participaram tanto da política como agora. O que, por exemplo, acontece nas redes sociais demonstra parte do que tento dizer. Jamais deu-se tanta opinião (registre-se que a imensa maioria delas, são absurdos vigorosos!) como agora. Cria-se grupo de discussão para tudo. Para a promoção de ideias anarquistas ou para a divulgação de um tipológico de nazifascismo puro e simples. É gente querendo discutir coleta seletiva, Stálin, usos medicinais da maconha, Madre Tereza de Calcutá e os ensinamentos de Dalai Lama.
Despontam iniciativas para discutir concepções de Estado e outras que pretendem dar fim e refundar esse mesmo Estado; de outro lado, um infindo mundo de anônimos que assistem a essas manifestações; ora de maneira impassível ou indiferente e em outras, de forma bastante ativa e manifestante.
O fato é que não é verdade que somos despolitizados ou passivos; que somos apáticos ou distantes da política porque, primeiro, é definitivamente impossível ser apático ou distante da política pelo fato simples de não haver sociabilidade humana, convivência ou mundo social sem seres políticos. Estamos na política como o sangue que corre em nossas veias está em nós.
O que essas formas esquemáticas de pensamento querem nos dizer é que não fomos capazes (ainda não fomos capazes!) de construir um projeto de país; que não nos habilitamos a desenvolver formas de unidade social e política em efetivas condições de refundar o país e, por conseguinte, seus valores, tradições e formas de ordenamento.
Isso é, em parte, verdadeiro; na outra parte, a esperança, esta estranha força que trespassa o tempo e seus sentimentos de mundo segue silenciosa e sumária nas periferias da civilização brasileira gerando forma e movimento para a política que irá por fim, definir o país que queremos, necessitamos e sonhamos.
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