E a ignorância? Tem cura?
A última coisa, com a qual essa gente se preocupa, é com a cura de alguém. Quanto mais doente, melhor para eles. E se a doença for a ignorância então, eles mesmos se encarregam de impedir a cura
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Uma decisão do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, do Distrito Federal, causou revolta e indignaçã na comunidade LGBT. O magistrado concedeu uma liminar a um grupo de Psicólogos, que se manifestaram favoráveis a desenvolverem estudos, pesquisas e prestarem atendimento, no tratamento da homossexualidade, como uma doença. Em uma resolução anterior, o Conselho Federal de Psicologia, orientava os seus profissionais a não tratarem questões ligadas a orientação sexual, como patologia.
Eu sei que a galera está em polvorosa, mas vale a pena lembrar, que a liminar concedida pelo juiz, não obriga, por lei, que a homossexualidade seja tratada como doença em todo o território nacional. Também não se pode negar, através de uma lei, o direito ao atendimento, a quem, porventura, quiser ou sentir a necessidade de ser assistido nessa questão. Não se pode impedir uma pessoa, que não esteja bem resolvida com a sua condição sexual ou que tenha problemas com a sua orientação, de procurar ajuda. Seja ela psicológica, espiritual ou qualquer outra que para ela valha. Desde que a decisão parta exclusivamente dela.
É claro, que muitos dos casos de não aceitação da própria identidade sexual, estão ligados a rejeição de parte da sociedade, que costuma discriminar e excluir, qualquer padrão que fuja do normativo pré estabelecido. Olhando por esse lado, é preciso ter muito cuidado com os possíveis desdobramentos que podem ser causados por essa decisão da justiça. Abrir a possibilidade de tratamento ou até mesmo de cura, para algo que não seja uma doença, é provocar uma visão ainda mais distorcida, com relação a um tema que sempre gerou polêmicas. Desnecessárias, diga-se de passagem.
Eu, já entendo como patologia, essa quase que insana fixação em regular a sexualidade dos outros. Uns levantando a bandeira da religiosidade e outros a da moralidade. E a maioria que se ergue, nem é tão religiosa e nem tem essa moral toda. Mas analisem comigo. Se eu não sou gay e nem tenho vontade de ser, por que a homossexualidade do outro me incomoda tanto? Quem precisa de tratamento, o homossexual que vive a sua vida sem interferir na dos outros ou aqueles que estão sempre apontando o dedo para eles, os chamando de pecadores, de doentes ou de imorais?
Já vivemos em tempos de difíceis, onde ser diferente da chamada maioria representativa, já desperta o ódio dos intolerantes e dos sectários de um fascismo ideológico, que costuma ferir e matar a dignidade de pessoas que não se alinham com o seu pensamento. Ainda vamos motivar mais intolerância e mais radicalismo? Alguém já parou para pensar, como se sente um homossexual no meio dessas discussões a cerca de sua orientação? Imaginem-se sendo analisados pela sociedade e recebendo diagnósticos do tipo: É doença! Não! É falta de vergonha! Acho que é distúrbio! Que nada! Isso é falta de porrada! É diabólico! É safadeza!
Esse tipo de opressão do comportamento, pode desencadear reações diversas. Isolamento, depressão, baixa auto estima, e a mais fatal delas, o suicídio. Imagine ouvir que você é uma abominação para Deus. O Deus, que muitas das vezes, é o mesmo e o único ser, no qual essa pessoa se agarra para buscar algum alento ou algum sentido para a sua existência. Ou vocês acham que nenhum homossexual crê em Deus? Como fica o emocional de uma pessoa, que a ela é atribuido um comportamento doentio, em função de sua orientação sexual? E a pergunta que não quer calar é: Como curar alguma coisa que não é doença?
Um fanático religioso, que acredita que a camisa ensanguentada de seu líder - que acabou de ser esfaqueado - tem o poder de curar ou que compra uma fronha de travesseiro por 150 pratas - crendo, que repousando sobre ela a sua cabeça, ficará livre de todos os seus problemas - aceitaria se submeter a um tratamento psicológico para reverter o seu quadro de lavagem cerebral? Quem vai a determinadas denominações religiosas e presencia o demônio sendo entrevistado, rindo, dando pulinhos, brincando de "tudo que o seu mestre mandar" e citando o nome do líder da igreja concorrente como seu amigo e acreditam que tudo aquilo é verdade, também precisa de tratamento? Por que será que o comportamento anormal é sempre do outro?
É claro, que existe algo mais podre por trás disso e não duvidem se, a longo prazo, o tal "tratamento" para a homossexualidade se tornar obrigatório, sob pena de punição a quem se recusar a se submeter a ele. No Brasil pós golpe, tudo é possível. E a tal da bancada evangélica, apoiadora de Temer e de todo tipo de golpista, já está ouriçada, pronta para ditar as regras da sua falsa moralidade e ajudar os seus pastores aliados a ganharem ainda mais grana com a estupidez alheia. A última coisa, com a qual essa gente se preocupa, é com a cura de alguém. Quanto mais doente, melhor para eles. E se a doença for a ignorância então, eles mesmos se encarregam de impedir a cura.
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