“Distritão” é balão de ensaio para parlamentarismo

O presidente interino do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE), assumiu claramente que o benefício do "Distritão" seria fazer dele um caminho para se chegar ao parlamentarismo. Ele condicionou o apoio tucano ao "Distritão" a fim da adoção do parlamentarismo em 2022

Em pronunciamento na tribuna do Senado, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
Em pronunciamento na tribuna do Senado, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). (Foto: Daniel Samam)


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Na semana passada, a Comissão Especial de Reforma Política da Casa mudou o relatório do deputado federal Vicente Candido (PT-SP) através da apresentação e aprovação de uma emenda que criou o "Distritão" a fim de eleger deputados federais e estaduais em 2018 e vereadores em 2020. No caso dos deputados, seriam eleitos os mais votados em cada Estado, desconsiderando o quociente eleitoral (esse quociente leva em conta a soma dos votos dados aos candidatos do partido e à própria legenda). Para a aprovação no plenário da Câmara, são necessários 308 votos em dois turnos de votação na Câmara e no Senado, pois trata-se de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC).

Na verdade, o "Distritão" só piora o que já é ruim. É uma regra eleitoral utilizada em países de democracias frágeis e duvidosas, como o Afeganistão, a Jordânia, Vanuatu e Pitcairn. Os defensores do "Distritão" dizem que o sistema é simples, porque ganham os mais votados. Na prática, fortalece as atuais direções partidárias, reforçando os medalhões e a lógica de bancadas setoriais (Boi, Bala, Bola, Bíblia, Planos de Saúde, etc.). Sem contar que tende a eliminar por completo a representação parlamentar de minorias.

Vale lembrar que o "Distritão" foi derrotado em 2015, durante um arremedo de reforma política capitaneada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas voltou a ganhar força agora em 2017. Logo, para não repetir o fracasso de 2015, a jogada foi unir o "Distritão" a um fundo de financiamento eleitoral de R$3,6 bilhões. As atuais direções partidárias terão o poder de escolher os candidatos e o controle do dinheiro para elegê-los.

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No entanto, o "Distritão" também serve como meio de salvação para a elite política e para os grandes partidos como o PMDB e o PSDB. Os medalhões desses partidos manteriam seus mandatos na Câmara, assegurando a sobrevivência política e, sobretudo, o foro privilegiado para enfrentar as acusações da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

Portanto, o "Distritão" precisa ser compreendido como manobra de sobrevivência de uma elite política que será julgada, através do voto popular, pelo golpe de 2016, pela sustentação e salvação de Temer, pelo apoio à agenda de "reformas" que retiram direitos e desmontam o Estado e por tudo mais que fizeram numa legislatura em que ficaram indiferentes aos anseios do povo.

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O "Distritão" foi aprovado na Comissão Especial da Câmara como uma regra de transição. Valeria para as eleições de 2018 (deputados federais e estaduais) e de 2020 (vereadores). A partir de 2022, entraria em cena o sistema distrital misto. Na minha opinião, essa regra de transição foi adotada porque o "Distritão" nada mais é do que um balão de ensaio para acabar com o presidencialismo no Brasil e mudar o sistema de governo para parlamentarista ou semipresidencialista.

O presidente interino do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE), assumiu claramente que o benefício do "Distritão" seria fazer dele um caminho para se chegar ao parlamentarismo. Ele condicionou o apoio tucano ao "Distritão" a fim da adoção do parlamentarismo em 2022.

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Por fim, segundo reportagem de Vera Rosa no Estadão no último domingo (13), Temer quer incentivar campanha em favor de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para adotar o parlamentarismo no País, a partir de 2019, contendo uma "cláusula de transição" que permita instalar o novo sistema no fim do ano que vem. A ideia de nomear um primeiro-ministro no segundo semestre de 2018, caso o Congresso aprove uma PEC mudando o regime de governo, tem sido discutida nos bastidores do Palácio do Planalto.

Para avançar ainda mais sobre o orçamento público é preciso retirar direitos consagrados, extinguir políticas públicas de proteção aos mais pobres e etc. Por isso já há o entendimento que com o atual modelo presidencialista as contrarreformas neoliberais dificilmente passarão. Que Presidente se elegerá defendendo a retirada de direitos da maioria do povo? Não passa no voto. Já no Congresso, com jeito, passa. Para a Banca (Capital financeiro), o parlamentarismo ou qualquer outra mudança estrutural no sistema de governo que outorgue maior poder ao Congresso representa uma segurança.

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E tem quem acredite em eleições "normais" em 2018. Podem colocar as barbas de molho.

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